Close do mosquito Aedes Aegypt, transmissor do Zica Virus, picando um dedo indicador.

Dra. Isadora Saraiva

O vírus Zika é transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti (o mesmo vetor de doenças como: dengue, febre chikungunya e febre amarela) e causa doença febril aguda que, em alguns casos, pode apresentar complicações e riscos para a saúde.

A maioria das pessoas infectadas pelo vírus terão sintomas brandos ou até mesmo nenhum sintoma. No entanto, há possibilidade de algumas complicações, especialmente quando gestantes são infectadas. Atualmente, ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos para o Zika. Por isso, as medidas de prevenção são essenciais e estão relacionadas com o controle do vetor.

O que é e de onde veio o Zika?

O Zika é um vírus transmitido pela picada de mosquitos do gênero Aedes. Esse vírus foi inicialmente encontrado em 1947, em macacos da Uganda. A floresta onde viviam esses macacos era chamada de Floresta Zika e por isso o vírus recebeu esta denominação. Mais recentemente chegou às Américas, Caribe e Pacífico, sendo confirmada sua circulação no Brasil no ano de 2015.

Formas de transmissão da doença

Como outros arbovírus, a principal forma de transmissão do Zika é através da picada do mosquito Aedes aegypti. Porém, alguns estudos também mostraram que o vírus pode ser encontrado no sangue, sêmen, leite materno, urina e saliva de pessoas infectadas, bem como em fluidos na pele e nos olhos.

Desse modo, você também pode contraí-lo por meio do sexo (mesmo que o parceiro não apresente os sintomas), ou ao entrar em contato direto com os fluidos corporais de alguém que esteja contaminado. Mulheres grávidas com a infecção podem transmitir o vírus para o bebê pela placenta.

Sintomas da doença

Como dito anteriormente, grande parte das pessoas portadoras do vírus não apresentam sinais nem sintomas ou têm um quadro brando da doença.

Os mais comuns são:

  • febre;
  • erupção cutânea;
  • dor nas articulações;
  • olhos vermelhos;
  • dor de cabeça;
  • dor muscular.

O quadro dura, geralmente, 7 a 10 dias. Como os sintomas são leves e similares aos de outras doenças comuns (como as outras transmitidas pelo mosquito Aedes e resfriados), talvez você não saiba se e quando foi infectado.

O Zika no Brasil

As primeiras manifestações de epidemia no Brasil surgiram em 2015, os médicos identificaram o Zika como causa de um surto no nordeste do Brasil, acometendo vários estados.

O Zika pode ter chegado ao Brasil durante a Copa do Mundo de 2014 ou durante o campeonato mundial de 2014 de corridas de canoa polinésia, que ocorreu no Rio de Janeiro. Aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros foram infectados.

Estudos de campo de pesquisadores brasileiros confirmaram um aumento considerável nos casos de microcefalia durante o surto de Zika. O risco de microcefalia cresceu cerca de cinco vezes em certas regiões do país com transmissão ativa, em comparação com as áreas em que o Zika estava ausente.

Essa alteração congênita é caracterizada por alterações no desenvolvimento do cérebro do feto, afetando toda a sua estrutura e gerando um dano cerebral irreversível. O comprometimento pode ser tão intenso, a ponto de comprometer o desenvolvimento do crânio, levando ao seu pequeno tamanho (microcefalia). O grau de acometimento neurológico pode ter intensidade variável entre os casos.

Em outro estudo brasileiro, 29% das gestantes saudáveis ​​com infecção por Zika registraram anormalidades nas ultrassonografias, com diagnósticos que incluíam microcefalia, restrição de crescimento fetal e morte fetal. Esses achados não foram vistos em mulheres grávidas sem infecção do vírus. O estudo mostrou, ainda, que havia evidências de danos fetais com a infecção pelo Zika adquirida em qualquer trimestre da gestação.

Alguns milhares de crianças brasileiras com microcefalia nasceram desde o início da epidemia. Na Paraíba, uma das áreas mais atingidas, autoridades relataram microcefalia em um em cada 100 recém-nascidos, uma taxa 100 vezes maior que o normal. Além dessa, outras malformações congênitas e problemas (como de audição e visão) também foram relatados em recém-nascidos expostos ao Zika intra-útero.

Nesse caso, quais os riscos e complicações do Zika para as gestantes?

Existem muitas causas de microcefalia em bebês – dentre elas exposição à infecções diversas, problemas genéticos e exposição a substâncias tóxicas durante a gravidez – todavia, as pesquisas forneceram embasamento suficiente para comprovar que o Zika está entre essas causas.

Alguns estudos sugeriram que o contágio durante o período inicial da gestação (que é o momento em que os órgãos de um bebê ainda estão se formando) parece estar associada a uma maior gravidade do quadro. Nessa fase é mais frequente a morte fetal e o aborto espontâneo .

Outros estudos recentes vêm revelando que os fetos também podem ser prejudicados em uma infecção mais tardia na gestação.

Diagnóstico

Para realizar o diagnóstico, é possível testar o sangue ou urina em busca de traços do vírus.

O vírus usualmente fica no sangue por cerca de uma semana, mas pode permanecer em outros fluidos corporais por mais tempo. Ainda não se sabe exatamente por quanto tempo uma pessoa infectada pode transmitir o vírus.
Exames para o diagnóstico específico são indicados para gestantes com sintomas, recém-nascidos com alterações neurológicas ou de mães infectadas, entre outros grupos de pacientes.

Tratamento

O Zika não tem um tratamento específico, porém a doença é geralmente auto-limitada. Os sintomas costumam desaparecer por conta própria após cerca de uma ou duas semanas. Como exposto previamente, ainda não existem vacinas para a sua prevenção.

Para amenizar o desconforto, é indicado:

Não tome aspirina, ibuprofeno ou outros analgésicos ou anti-inflamatórios não esteroides até que o seu médico confirme que você não está com dengue, pois eles podem causar complicações.

Prevenção contra o Zika:

Existem algumas formas e medidas de prevenção contra a doença, e elas podem ser realmente efetivas. Você precisa se proteger o dia todo caso esteja em locais endêmicos. Confira:

  • A primeira e mais importante medida é evitar o surgimento dos mosquitos e sua entrada no domicílio: certifique-se de que suas janelas e portas têm telas que impedem a entrada de mosquitos em sua casa e livre-se de recipientes que possam acumular água parada – pneus, baldes, plantadores e vasos de flores, por exemplo – pois os mosquitos põem seus ovos nesses locais;
  • Evitar as picadas dos mosquitos: use camisas de mangas compridas e calças compridas (borrife suas roupas com repelente de insetos para obter proteção extra);
  • Use apenas repelentes de insetos registrados pela Agência de Proteção Ambiental e siga cuidadosamente todas as instruções no rótulo;
  • Antes de viajar, verifique os avisos de viagem e cuidados específicos, para obter informações atualizadas sobre a transmissão do Zika;
  • Se você estiver grávida, não viaje para uma área com Zika.
  • Se seu parceiro sexual viajou recentemente para uma área com Zika, é recomendado o uso de preservativos ou a abstenção de sexo por 8 semanas para mulheres ou 6 meses para homens, a fim de evitar a transmissão sexual. As mulheres grávidas devem praticar sexo seguro ou evitá-lo durante toda a gravidez, caso elas ou seus parceiros morem ou visitem um local com Zika.

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