Mulher mexendo no computador na sua mesa do trabalho após ter voltado da licença maternidade

Dra. Renata Duailibi

Tornar-se mãe é um processo lindo, porém, repleto de dúvidas, angústias e inseguranças. Ainda mais quando essa mulher, que finalmente começou a entender melhor a dinâmica e personalidade do seu pequeno, precisa voltar da licença maternidade.

Retornar ao trabalho depois de um longo tempo de pausa é mais difícil do que se pensa, principalmente quando consideramos a esfera social desse processo. Acontece que muitas mulheres, por MUITO tempo, não tinham voz, espaço e sequer direitos profissionais.

Foi preciso MUITA, mas MUITA luta para que a sociedade entendesse que as mães não precisavam assumir somente os cuidados da casa e da família. Atualmente, graças a esse esforço, somos protegidas por uma série de leis que compõem os princípios da licença maternidade PAGA e asseguram nosso trabalho de volta depois desse período.

O problema é que o mundo evolui, mas as pessoas não

Existem TANTOS dedos que apontam para a mulher que trabalha que eu já até perdi a conta. Eles a acusam de negligenciar seu papel de mãe, de esposa, de dona do lar e por aí vai.

Isso sem falar das empresas que, por meio de coerção e machismo, fazem com que a funcionária se sinta culpada por ter engravidado e dá sinais de que, por isso, ela pode ser dispensada a qualquer momento.

De vez em quando, juro que me pego pensando na seguinte pergunta: “Será que as pessoas REALMENTE consideram a dificuldade da conciliação entre o trabalho e a maternidade, e o direito da mulher de ESCOLHER se submeter a esse impasse porque deseja ter uma família, mas não quer largar mão da independência?”.

As dificuldades da mulher durante o fim da licença maternidade

Engana-se quem pensa que a licença maternidade é um tipo de “férias” que as mulheres conseguem. Afinal, só quem já cuidou de um recém-nascido, ou já ficou perto de alguém que o fez, entende o TRABALHÃO que esse pequeno dá.

Além disso, é nessa fase de licença que a mulher passa pelo parto, recupera-se dele, vê o corpo mudar de uma hora para outra, tenta se acostumar com a nova rotina e alimenta o próprio filho SOMENTE pelo peito.

Agora, some isso tudo à volta ao trabalho, com longas horas fora de casa, madrugadas sem dormir, o peito jorrando leite de vez em quando e a culpa… ah, a tão presente CULPA de estar longe do seu bebê. Nada fácil, né?

A pergunta que não quer calar é: como conciliar a maternidade e o trabalho?

Imagina essa situação: a nova mamãe sempre amou trabalhar, ter o próprio dinheiro, ser independente etc. Só que, agora, ela também ama, só que incondicionalmente, um serzinho que precisa MUITO dela. Como, em sã consciência, ela vai conseguir se dedicar por inteiro aos dois?

Não tem jeito. Simplesmente não tem, e o PULO DO GATO é entender que tá tudo bem. A ideia de ser uma “mulher maravilha”, que trabalha 8 horas por dia, cuida da casa, faz TUDO pelos seus filhos e nem sequer se despenteia caiu por terra.

O medo de perder o emprego é real, ainda mais quando você não está com a cabeça no trabalho em 100% do tempo. E o medo de deixar o pequeno com outras pessoas também se materializa de tantas formas que não sei nem dizer.

Minha dica é: dê tempo ao tempo. No começo, vai ser muito difícil, mas com uma boa rede de suporte familiar e psicológico, você vai chegar lá.

Conte, também, com uma boa rotina para colocar as ideias no lugar, e alternativas como a meditação, por exemplo, para poder olhar um pouco para dentro de si e limpar a mente da confusão que é a vida.

Mãe e mulher durante 100% do tempo? Por que não?

Lembre-se de que antes de mãe, você também é mulher, amiga, esposa e funcionária. Voltar a entender essa dinâmica será um processo longo e árduo, porém necessário.

Não é porque você teve um filho que, a partir de agora, todos os seus esforços serão em função dele. Cuide-se também, seja justa consigo mesma e pare de sentir tanta culpa!

Para te ajudar ainda mais nesse processo, aí vai um senso comum interessante: a separação da mãe e do bebê por algumas horas só não é inevitável, como importantíssimo para o desenvolvimento social e psíquico dele.

Então, ao invés de se sentir mal por não passar 24 horas do dia do seu filho, redirecione suas energias para que os momentos em que vocês estiverem juntos seja de qualidade. Amamente com calma, brinque com ele, coloque-o para dormir com canções e histórias de ninar e por aí vai.

E NUNCA subestime os pequenos

Separe um tempinho para conversar com o pequeno sobre o seu trabalho. Explique a ele que, durante algumas horas do dia, você não poderá estar presente, mas que já já volta para que a família possa ficar toda junta novamente.

E… se der saudades, por que não fazer uma ligação rápida via Skype ou whatsapp para saber como as coisas andam? Nesse ponto, a internet é UMA BENÇÃO!

No mais, chega de culpa!

Querer se dedicar a outros compromissos não está errado. Lembre-se: uma mulher não deixa de existir para dar lugar à mãe. Você ainda terá necessidades pessoais e intransferíveis, então entenda de uma vez por todas que o autocuidado não é sinônimo de egoísmo!

E ah, um lembrete: a licença maternidade é SIM um direito SEU, então lute por ele!

Se a mãe está feliz, o bebê também estará!

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