Cachorro ao ar livre. Ao fundo uma montanha

Carla Penna

A história da viagem do Fred para a Cabeça de Boi inaugura a mais nova série do Saúde do Animal. Aqui, teremos dicas de: como viajar com os nossos peludos, o que levar e fazer nos diferentes destinos, indicações de pousadas e hotéis pet friendly, segredos, receitas e muitas travessuras!

Vamos aprender com as experiências de quem faz muitas viagens com seu pet e adora?

Diário de viagem

Saímos com o Fred já cedo, em direção à Cabeça de Boi. E sim, apesar de viajar com cachorro nem sempre ser fácil, valeu à pena. Afinal, esse é um daqueles lugares que você, quando chega, fica sem fôlego.

A título de curiosidade, seu nome original é Santana do Rio Preto, um vilarejo de 90 habitantes que pertence a Itambé do Mato Dentro – Minas Gerais.

Para chegar nesse paraíso de tantas belezas naturais, fizemos um grande planejamento. Afinal, não tínhamos certeza de que seria uma tarefa fácil viajar com Fred. Acontece que ele, assim como qualquer pet, nem sempre é tranquilo. Porém, deu tudo certo e, hoje, vamos contar para você como foi passear com ele, e o que fizemos para tornar essa jornada super agradável.

Vamos lá?

Viajar com cachorro exige planejamento… então foi isso que fizemos!

Quando você decide viajar com o seu pet, é preciso levar um punhado de coisas em consideração. Afinal, entre as malas, transporte e passeios, há mais coisas que nossa vã “filosofia pet” possa imaginar!

É preciso pensar em como o pet está:

  • antes: descansado? Vacinado? Ansioso? Com sede? Já fez as suas necessidades?;
  • durante: o lugar é seguro? Ele vai poder se divertir e gastar energia? Vai ficar confortável? Vai conseguir comer direitinho? Se sentirá confortável para fazer suas necessidades sem problemas?
  • depois: é praticamente o “antes” da ida, adicionando um pet bastante cansado e, dependendo do “durante”, muito feliz ou não.

Deu para ver o quanto uma lista de preparativos para a viagem se torna quase uma missão, né?

O manejo adequado para que tudo corra bem, sem estresse e de forma que o pet possa chegar tranquilo e aproveitar o passeio é essencial. Nossa vontade era que o Fred pudesse se sentir feliz, tranquilo para desfrutar da liberdade de correr, nadar, rolar na terra e… bem… PODER ser e agir como um cachorro. E nós sabemos que a sua, provavelmente, também é essa!

E como fizemos para que isso fosse possível?

Tudo começa com um bom passeio na noite anterior à viagem, e na manhã do dia desta. Aqui em casa, dividimos a tarefa assim: enquanto um arrumava as malas, o outro saía com o Fred. Dessa forma, todo mundo conseguiu fazer tudo, inclusive nosso pet!

O Fred, quando vê uma mala, já sabe que “algum passeio fora do comum” vai acontecer. E, por isso, já fica bastante ansioso. Quando isso acontece, gostamos de deixar claro a ele que ELE VAI JUNTO! A melhor maneira de fazer isso é preparar a malinha dele, e recomendamos que você faça o mesmo com o seu pet!

Item número 1: começo sempre pelo tapetinho, que é uma referência de conforto para ele, e a caminha extra, usada apenas para viagens. Levo, também, uma roupa de cama própria porque, assim como vários animais domésticos, o Fred dorme comigo e meu marido de vez em quando (principalmente fora de casa). Como não acho justo deixar meu cachorro sujar as roupas de cama, seja de onde elas forem, tenho as minhas exclusivas para essas ocasiões, inclusive toalhas.

Item número 2: depois, parto para as guias (sempre leve duas, caso alguma delas se estrague) e os brinquedos. Selecione aqueles que mais distraem o seu pet, principalmente em ocasiões mais delicadas como as refeições, ou a hora do descanso da família em si.

Item número 3: também levamos alguns medicamentos como antialérgicos, pomadas, ataduras, remédios para febre e dor, e carvão ativado para casos de envenenamento. Afinal, vai saber se no local onde formos tem assistência para pets?

Item número 4: por fim, vêm as vasilhas de água e comida. Como o Fred é “adepto da alimentação natural”, nós preparamos as porções antes da viagem, calculando a quantidade exata para cada dia. Assim que chegamos no local, colocamos tudo dentro do freezer e voilá: as refeições do pet estão garantidas! É bom incluir os snacks nessa conta também, ok?

Agora, basta contar com a sorte para que tudo dê certo no percurso. A boa notícia é que, para atrair essa sorte, nós também temos algumas dicas. Olha só:

O trajeto

Antes de viajar com o cachorro de carro, é preciso pesquisar TODAS as regras de trânsito para essa situação. Assim, a família e o pet ficam protegidos e dentro dos conformes. Para consultá-las, basta clicar aqui.

Durante o trajeto, é importante realizar algumas paradas para o bem do pet. Dê uma vigiada nele e observe seu comportamento. No caso do Fred, nós paramos todas as vezes que percebemos que ele está com sede, ou muito tempo sem fazer suas necessidades.

Se o seu pet, que nem o meu, NUNCA dormir durante as viagens, esse é mais um motivo para dar algumas pausas. Assim, ele não se entedia e se estressa TÃO rápido. Lembre-se: a viagem precisa ser bacana para todo mundo!

Uma dica valiosa:

  • Dependendo da estrada/trajeto, é muito difícil encontrar paradas em que todos possam comer, ir ao banheiro, beber água e descansar na companhia de um pet. Por isso, façam uma pesquisa dos melhores estabelecimentos existentes no caminho e se programem para relaxar neles!
  • Nunca dou comida ao Fred antes de qualquer viagem, e tento manter a rotina dele intacta (duas refeições por dia, uma no almoço e outra no jantar. Assim, ele não estranha tanto a viagem).

Sobre o passeio e, claro, a pousada Lá no Tererê

Foto de uma vista superior de uma montanha e algumas casinhas

Partindo de Belo Horizonte, são 130 km pela BR 381, no sentido de João Monlevade. Depois, basta entrar no município de Itabira e percorrer mais 50 km até Itambé do Mato Dentro. Por fim, são mais 10 km de estrada de terra (em boas condições e lindas paisagens) até chegar à Cabeça de Boi. O povoado faz parte do circuito da Serra do Cipó, na estrada Real, e fica entre a Serra das Posses e a Serra do Lobo.

Pronto, chegamos ao nosso destino

Casa laranja de dois andares à noite sob um céu estrelado. Um carro está estacionado na rua

Da primeira vez que fomos para a Cabeça de Boi, ficamos hospedados na pousada Lá no Tererê, do Eduardo e da Fernanda, um casal muito amoroso.

Os quartos do estabelecimento são confortáveis, arejados, amplos, com boa roupa de cama, wi-fi e café da cama. Além disso, todos os espaços de convivência, como o hall de entrada e o restaurante, são extremamente limpos e bem conservados. A vista, como era de se esperar, é para a Serra do Lobo e, claro, de tirar o fôlego.

Um ótimo detalhe que nos convenceu a ficar na Lá no Tererê foi que o local onde tomamos o café da manhã tem área externa fechada e segura, o que permitiu que Fred ficasse alí solto, desbravando o quintal.

Chão de Estrelas

Em nosso último passeio à Cabeça de Boi, ficamos na Hospedagem Chão de Estrelas. Seus donos, os queridos Tamara e Rafa, fizeram questão de montar um espaço simples e aconchegante, muito parecido com casa de vó, sabe?

A parte mais bacana desse estabelecimento é que você é livre para fazer seu café da manhã, assim como as demais refeições, na hora que quiser, e como preferir. Isso acontece porque a cozinha de lá é externa e disponível aos hóspedes, com duas suítes independentes e um gazebo para descanso.

Cachorro no colo de sua dona repousa sua cabeça na mesa do café e dorme

Os quartos possuem roupa de cama e banho de qualidade, wi-fi e frigobar.

A melhor parte do Chão de Estrelas é que seus donos conhecem muito de trilhas, principalmente com os pets, e sempre viajam com os seus (ou seja: basta bater um papo com eles para sair repleto de dicas valiosas sobre viajar com cachorro)!

Além disso, eles são ótimos anfitriões, sempre dispostos a ajudar.

Os passeios

Todas as cachoeiras e passeios que fizemos estavam liberados para que o Fred os fizesse. E se assim não fosse, não os teríamos feito. Afinal, a viagem é com ele, para ele e, claro, para nós.

As cachoeiras mais visitadas estão no complexo do Intancado, que fica a 6 km do centrinho. Você pode ir caminhando até elas, ou de carro. Caso a família decida ir a pé, lembre-se sempre de respeitar o limite do pet. Se ele se cansar, pare ou carregue-o. Além disso, não se esqueça de levar água reserva para que todos se mantenham hidratados.

Cachorro na altura do seu olhar caminhando por um caminho de pedras enquanto sua dona, ao fundo, o segura pela coleira

As trilhas são boas e bem sinalizadas, porém, nunca deixe seu cachorro sem guia e longe de você. Nunca sabemos o que pode acontecer, né?

Lugares para visitar na Cabeça de Boi:

Cachoeira das maçãs: é maravilhosa, mas confesso que tive bastante receio de deixar o Fred entrar nela sozinho. Porém, nada que o meu colo, ou o de outras pessoas, não resolvesse.

Vista frontal de uma cachoeira de tamanho médio. Dos dois lados há paredes de pedra

Cachoeira do Intancado: é um espaço mais amplo, aberto e mais confiável para deixar seu cachorro explorar e nadar.

Cachorro nadando no lago

Cachoeira dos macacos

Pequena cachoeira

Lageado

Lagoa com mata dos dois lados. Dentro da lagoa tem algumas pedras. O céu está azul sem nuvens

Serra dos Viados

Dois adultos, um homem e uma mulher e um cachorro ao ar livre

Sítio arqueológico: é um paredão de pinturas rupestres datado de mais ou menos 6.000 anos, também conhecido como a Serra das pinturas Rupestres. Fica em uma propriedade particular e as trilhas estão bem limpas e com corrimão e guias disponíveis. Cobra-se uma taxa de R$ 10,00 reais por pessoa.

Pedra com pintura rupestre

Cachoeira do Chiquinho: também está em uma propriedade privada, a fazenda do Chiquinho. O acesso não é tão fácil, mas vale a pena. A cachoeira tem 7 pequenas quedas com muitos poços, e são banhadas pelo córrego das posses. De lá, tem-se uma vista panorâmica e imperdível das serras das Posses e dos Lobos.

O centro

Depois de desfrutar desses paraísos de recursos naturais, vá até o centrinho e desfrute de uma boa prosa no Bar do Sô Agostinho, com uma boa viola, cerveja e petiscos.

Foto tirada da porta de um buteco. Na fachada uma placa com nome do boteco, Buteco do Sô Agostinho. No interior um grupo de pessoas toca violão.

Ou, se preferir, tenha uma boa refeição no Candinho, ou Vicente. Fomos em todos eles e o Fred foi muito bem recebido por todos.

Dica: nunca se esqueça de que você está em um vilarejo e, por isso, existem muitos cães soltos nas ruas. Mantenha seu pet sempre na guia, e fique de olho nos arredores!

Algumas informações úteis sobre a Cabeça de Boi:

  • O veterinário mais próximo fica em Itambé do Mato Dentro, assim como o posto de Saúde e Hospital. São 10 Km de estrada de terra.
  • A Operadora que funciona alí é a VIVO.
  • O Wifi depende de cada Pousada ou estabelecimento.
  • Não tem Caixa Eletrônico.
  • Alguns estabelecimentos recebem cartão de débito, mas se ficar sem sinal de internet, será um problema.
  • LEVE DINHEIRO.

Agora ficou fácil, né?

E é mesmo. Viajar com o seu cachorro é uma questão a ser analisada com atenção. Pondere se ele se sentirá feliz e confortável, assim como vocês, e, se a resposta for “sim” para tudo, finalmente chegou o momento de preparar as malas e desbravar esse mundão com seu melhor amigo peludo!

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