O veganismo na infância e adolescência é possível? Descubra!

Sobre um fundo branco, retrato de um garoto sorridente segurando uma tigela de salada de fruta. Representação do veganismo na infância e na adolescência.

O veganismo é uma filosofia de vida que está cada vez mais popular entre as famílias brasileiras. Já já vou explicar tudo direitinho sobre ele mas, basicamente, o que você precisa saber é que, no universo da nutrição, a dieta vegana é aquela que exclui todos os alimentos que são de origem ANIMAL.

Porém, quando pensamos que a dieta de nossos filhos ficaria extremamente restrita, sem carne, peixe, ovos, laticínios etc, a pergunta que não quer calar é: será que essa cultura é REALMENTE boa para eles?

Bem, é só continuar comigo para saber tudo o que precisa sobre esse assunto.

Do começo: o que é o veganismo?

O veganismo é mais que uma dieta, mas sim um estilo de vida. Nele, os simpatizantes procuram excluir, na medida do possível, todas as formas de exploração e crueldade com animais. Ou seja: para além dos alimentos, também estou falando do material das roupas, dos cosméticos e produtos testados em animais e por aí vai.

Logo, existem muitas formas de adotar uma filosofia vegana. Porém, uma coisa que todas as “correntes” têm em comum é a dieta, que exclui todos os alimentos de origem animal como carne (incluindo peixes e mariscos), laticínios, ovos e até mesmo o mel.

Os perigos da dieta vegana para a saúde

Uma coisa que todo pai e mãe precisa entender é que a dieta vegana, por apresentar TANTAS restrições, precisa ser extremamente bem planejada.

Além disso, o acompanhamento nutricional constante é fundamental para que a família não corra o risco de ter alguma deficiência de vitaminas e outros compostos importantes para o organismo.

Então, aí vão alguns pontos com os quais você precisa se atentar quando o assunto é veganismo:

1. Seletividade

Como é bastante comum que as crianças e os jovens já sejam exigentes com suas refeições, é preciso ter em mente que restringir ainda mais suas escolhas pode ser extremamente difícil. Ainda mais porque eles vão precisar fazer substituições significativas para conseguirem suprir todas as necessidades de seus organismos para crescerem bem.

2. Suplementação

Algumas vitaminas e nutrientes essenciais para a nossa saúde são encontrados apenas (ou em maiores quantidades) em alimentos proibidos para a dieta vegana. É o caso da vitamina B12, por exemplo, assim como o ômega 3, o cálcio, a vitamina D, o zinco e até mesmo a proteína propriamente dita.

Logo, para suprir todas as necessidades do nosso organismo, é importante que as pessoas que sigam essa dieta entrem com suplementação, ou sejam extremamente criativas no momento de planejar as substituições.

Não digo que todo esse processo seja impossível. Porém, é preciso lembrar que os suplementos não são fontes naturais e, portanto, também devem ser escolhidos e ingeridos com muita atenção.

Isso sem falar que nosso corpo absorve maior quantidade de algumas vitaminas e minerais em momentos específicos do dia, e sem a interferência de outros fatores. São exemplos a cafeína, que atrapalha a absorção de ferro, ou a vitamina D, que só é “contabilizada” pelo corpo após um bom banho de sol.

3. Alto risco de deficiência em vitaminas e minerais

Aproveitando o gancho do último tópico, precisamos conversar sobre as deficiências nutritivas mais comuns em dietas veganas. São elas:

  • de vitamina B12;
  • de ômega 3;
  • de ferro;
  • de vitamina D;
  • de cálcio;
  • de zinco;
  • de iodo;
  • de proteínas (ver caixa de destaque abaixo).

Os alimentos vegetais contêm proteínas, da mesma forma que os produtos de origem animal. Porém, alguns pontos importantes devem ser destacados:

  • a concentração de proteínas nos vegetais é menor e a sua digestão mais difícil. Sendo assim, é necessário ingerir uma maior quantidade deles para obter a mesma quantidade de aminoácidos presentes na carne de boi, por exemplo.
  • Após o cozimento, a concentração de proteínas nos vegetais diminui, enquanto o teor de proteína da carne, ao contrário, não é modificado. Por exemplo, a soja possui uma concentração proteica de 40% quando crua e apenas 9% quando cozida.
  • Os produtos de origem animal possuem todos os aminoácidos essenciais. Alguns vegetais, como a soja e a quinoa, também são completos, porém contém menor quantidade de proteínas.
  • Como a maioria dos alimentos vegetais é deficiente em um ou mais aminoácidos essenciais, eles devem ser combinados para que não ocorram deficiências. Por exemplo, o arroz é rico nos aminoácidos metionina e cisteína, porém pobre em lisina. O feijão, por sua vez, é rico em lisina e pobre em metionina e cisteína. Isso faz dele uma combinação perfeita, pois fornecem todos os aminoácidos essenciais.

É importante entender que a deficiência de qualquer um desses itens pode interferir no crescimento e desenvolvimento da criança em todas as esferas possíveis (físicas, emocionais, sociais etc).

Enfim…

A verdade, como muitos de vocês puderam ver, é que o veganismo na infância é possível, porém, MUITO difícil de ser BEM executado. É por isso que ele deve ser introduzido com muito cuidado, planejamento e acompanhamento médico.

No mais, um conselho que posso dar é: caso você seja vegano, o melhor caminho talvez seja manter uma dieta sem restrição de grupos alimentares para seus filhos até que eles tenham idade e maturidade suficientes para tomarem suas próprias decisões.

Assim, pode ter certeza de que eles respeitarão todas as necessidades do veganismo e viverão com mais saúde e disposição ainda.

 

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Pediatria

Pediatra, especializada em Nutrologia. Membro do corpo clínico da Mon Petit, clínica pediátrica, em Belo Horizonte.

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