Cachorro na mesa de uti veterinária recebendo soro na veia

Dr. Marthin Lempek

Ouvir o termo UTI Veterinária já é suficiente para assustar qualquer um. Mas ao contrário do que muita gente pensa, a Unidade de Terapia Intensiva não é indicada apenas para aqueles animais sem esperança de serem curados.

Como o próprio nome diz, o setor recebe os pacientes que necessitam de acompanhamento intensivo, ou seja, permanente e atencioso. É essa a principal diferença entre a internação semi-intensiva e a UTI.

Enquanto na primeira o paciente é examinado pelo veterinário de hora em hora, na UTI o animal recebe assistência o tempo todo, 24 horas por dia. Nela, é possível monitorar temperatura, respiração, batimentos cardíacos e dar suporte nutricional, químico e proteico ao animal.

São atendidos pacientes em complexo quadro clínico, em tratamento minucioso, que demandam rigoroso empenho e precisão para sua recuperação. O tratamento intensivo possibilita, acima de tudo, redução de danos à saúde do pet.

Origem

A UTI é uma evolução da sala de recuperação pós-anestésica, empregada nos Estados Unidos nos anos 20, para pacientes submetidos à neurocirurgia, no Hospital Johns Hopkins.
A primeira UTI foi inaugurada em 1926 pelo Dr. Walter Dandy, em Boston, também nos EUA. Já nos anos 50, o médico austríaco Peter Safar, considerado o primeiro intensivista, criou o ABC primário, sistematização adotada até hoje para atendimento às emergências médicas:

  • A (do inglês Air – ar): verificação de obstrução da abertura das vias aéreas;
  • B (Breath – respirar): conferência da respiração;
  • C (Check – checar): checagem do pulso – regularidade da frequência cardíaca.

Tal método aponta para chances de sobrevivência e medidas imediatas para restabelecimento de sinais vitais.

Equipamento

Uma UTI veterinária é praticamente idêntica à que atende humanos. Possui os mesmos equipamentos e protocolos. É integrada por médicos veterinários intensivistas, entre cardiologistas, neurologistas, nefrologistas, anestesiologistas, nutricionistas e fisioterapeutas.

Os profissionais se revezam em suporte 24 horas por dia, para a assistência dos pacientes, que geralmente são poucos, em internações individuais. Além de instrumentos básicos como termômetro, oxímetro de pulso (para medir a oxigenação), eletrocardiográfico (que mede batimentos cardíacos e pressão arterial), uma UTI possui entre seus principais equipamentos:

  • Bombas de infusão – utilizadas para introduzir medicamentos líquidos ou nutrientes por via venosa, arterial ou esofágica;
  • Bombas de seringa – possui circuito microprocessador para controle de volume e é necessária para a infusão de seringas em pacientes, que precisam de medicamento em rigorosas dosagens;
  • Sonda naso-enteral – tubo para alimentação. Introduzido pelas narinas até o estômago;
  • Hemodiálise – máquina empregada para substituir a atividade de um rim deficiente. Limpa e filtra o sangue e também equilibra os níveis de sódio, potássio, ureia, creatinina e sal;
  • Ventilação mecânica – método no qual um aparelho auxilia o paciente que não consegue respirar sozinho. A aplicação pode ser:
    • invasiva: conectado por tubo endotraqueal (que atinge a traqueia entrando pelo nariz ou boca) ou traqueostomia (introduzido através de uma incisão no pescoço);
    • não invasiva: ligado ao paciente através de máscaras.

Quem precisa da UTI Veterinária?

Pacientes em estado grave, patologias em estado agudo ou comprometimento de sinais orgânicos necessitam da terapia intensiva como parte fundamental de sua recuperação. Entre os casos mais atendidos estão:

  • Insuficiência respiratória: causada por edema pulmonar agudo, pneumonia, enfisema e câncer;
  • Epilepsia: repetidas crises convulsivas, com perda de consciência;
  • Cirurgia de grande extensão: torácica, cerebral, cardíaca, com pós-operatório delicado;
  • Coma induzido: medida adotada para recuperação do paciente em casos de trauma grave, infecção generalizada ou cirurgia agressiva.
  • Insuficiência renal: queda na função renal, deixando de filtrar o sangue e eliminar substâncias e resíduos;
  • Insuficiência cardíaca: doenças que provocam disfunções na regularidade da pressão arterial como miocardiopatia, endocardiose, hipertensão arterial, hipertireoidismo;
  • Sepse: também conhecida como infecção generalizada e síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS). Trata-se de uma infecção produzida pelo sistema imunológico do organismo, em combate à outra infecção descontrolada. Acaba atingindo vários órgãos, podendo ser fatal;
  • Traumatismo grave ou politraumatismo: resultante de acidente, quedas, lesões e traumas fortes. Doença neurológica grave: AVC, meningite ou tumor cerebral.

São permitidas visitas dos tutores. O horário pode ser flexível, vide que o auxílio emocional proporcionado pela presença do dono é considerado importante para a reabilitação do paciente.

O tempo de permanência do animal na UTI depende de seu estado e de sua reação ao tratamento. Após a terapia intensiva, o paciente pode ser encaminhado para enfermaria comum, para continuar em observação, antes da alta médica.

Algumas UTIs podem acolher pacientes em estado terminal, proporcionando a eles conforto em seus últimos momentos.

Quando levar?

É extremamente desaprovado que tutores tentem soluções caseiras para problemas de saúde de seus bichos. Atitudes realizadas sem preparo podem até contribuir para a piora do estado do paciente.

Várias doenças são silenciosas e demonstram sinais mais evidentes apenas em estágios avançados. Diabetes, câncer, deficiências renais e problemas cardíacos como endocardiose e miocardias evoluem sem grandes manifestações.

É importante observar o comportamento do seu cão ou gato e visitar o veterinário regularmente. Porém, leve imediatamente seu animal à emergência veterinária nos seguintes casos:

  • hemorragias;
  • dificuldade em respirar;
  • desmaios;
  • atropelamento, quedas altas e fortes traumas;
  • envenenamento ou intoxicação por alimentos, remédios ou outras substâncias: podem se manifestar por saliva em excesso, desorientação, inchaço ou diarreias;
  • choque elétrico;
  • arritmia – queda ou alta repentina nos batimentos cardíacos;
  • afogamento;
  • problemas no parto;
  • brigas – podem ocorrer ferimento profundo e contaminação de doença;
  • febre alta;
  • convulsões;
  • vômitos recorrentes.

Determinadas raças caninas, de focinho achatado, têm a respiração ofegante por natureza; outras têm maior tendência a se coçar mais, devido ao comprimento dos pelos.

Porém, traços da raça ou da personalidade do seu cão ou do seu gato não irão te confundir se sua observação for bem feita. Por isso, é preciso ficar atento: sinais aparentemente simples como agitação, apatia, saliva, vômitos ou inchaço podem apontar para patologias ou problemas graves que podem matar em horas.

A medicina veterinária se desenvolve proporcionalmente à relevância que a sociedade finalmente vem dando à saúde animal. O que também merece evoluir é a relação entre os donos e seus bichos: quanto mais vocês se conhecerem, melhor será a vida juntos!

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