Whey protein sabor baunilha e chocolate, halter de academia e uma garrafa para colocar a proteína para representar a suplementação.

Dra. Raquel Bacha

A suplementação costuma ser um aspecto muito comum na dieta de milhões de pessoas que vão à academia. E sim, isso vale tanto para quem pratica exercícios regularmente, quanto para profissionais que os têm como ocupação.

O grande problema, no entanto, é que os suplementos pré e pós-treino se tornaram “populares demais”. Muita gente passou a visar tanto os “resultados” da musculação, por exemplo, que se esqueceram de entender o processo.

Sejamos sinceros: basta entrarmos em uma loja de suplementos para sairmos com dezenas de comprimidos e shakes que prometem “isso ou aquilo”. Porém, a maioria dos consumidores sequer sabe para o quê exatamente eles funcionam, e qual o efeito destes no organismo. Ou pior: às vezes nem precisam disso tudo para chegarem onde desejam e, infelizmente, acabam sobrecarregando os rins, fígado e por aí vai.

Tendo isso em vista, meu papel hoje é te explicar EXATAMENTE o que é a suplementação, como ela funciona e para o quê ela serve. Vamos lá?

Afinal, o que é a suplementação?

A ideia por trás da suplementação é, basicamente, fornecer nutrientes que, devido a uma série de fatores, podem não ser absorvidos pelo corpo em quantidades suficientes.

Eles podem conter vitaminas, minerais, aminoácidos, ácidos graxos e outras substâncias entregues na forma de pílulas, comprimidos, cápsulas, líquidos etc. Estão disponíveis, também, em várias doses e em diferentes combinações.

A demanda metabólica

Apesar de exercer um papel importante na saúde e no treino, nem todos os suplementos são úteis para todo mundo. De fato, para algumas pessoas, inclusive, não é aconselhável tomar certos suplementos, principalmente em altas doses.

É por isso que, ao considerar entrar com a suplementação, é preciso entender qual é a demanda metabólica do seu corpo. Por exemplo:

1. Se o treino do dia for de curta duração e alta intensidade

Aqui, é interessante ingerir suplementos que contenham creatina, aminoácido produzido naturalmente pelo fígado, e também encontrado em alimentos de origem animal (como a carne vermelha, por exemplo).

Sua função é regenerar o Trifosfato de Adenosina (ATP), nossa principal fonte de energia celular.

Quando a pessoa deseja aumentar a carga de peso em seus exercícios, e ter energia para suportá-los por mais tempo, a produção de creatina no corpo pode não ser o suficiente para esse propósito. Por isso, é interessante entrar com uma suplementação desta.

O resultado é o aumento do desempenho físico e aceleração da recuperação muscular.

2. Se o objetivo é ganhar massa muscular, ou mantê-la

Aqui, o mais indicado é consumir alimentos ricos em proteínas (carnes, peixe, ovos, leite etc), ou entrar com suplementação, caso a demanda de nutrientes seja mais elevada.

As proteínas são macronutrientes cruciais para a construção/regeneração do tecido muscular.

Além disso, é necessário ajustar o valor calórico total e consumir carboidratos de forma proporcional à quantidade de proteínas para conseguir ganhar massa muscular.

3. Se o objetivo é reduzir a dor muscular e acelerar o processo de definição

Aqui, a resposta são os BCAA’s (aminoácidos de cadeia ramificada). Eles nada mais são que a junção de três aminoácidos que, apesar de essenciais para o nosso organismo, não são produzidos por este: a L-Valina, a L-Leucina e a L-Isoleucina.

A boa notícia é que você pode encontrá-los em alimentos ricos em proteínas, como carnes, ovos, leite e derivados, feijões e leguminosas, ou em suplementos.

Seu papel, dentro do universo do exercício físico, é:

  • produzir mais energia (principalmente em atividades de longa duração);
  • promover a síntese de proteínas nos músculos, levando ao crescimento destes;
  • prevenir dores musculares e fadiga.
  • aumentar a imunidade do organismo.

Não se deixe enganar pelo mercado

Aqui, coloquei os tipos de nutrientes mais comuns encontrados em suplementos. Contudo, ainda temos uma gama de opções que envolvem carboidratos como a maltodextrina, por exemplo, assim como cafeína, taurina etc.

É por isso que a consulta com um profissional é essencial neste processo. Nunca, e eu digo, NUNCA, comece a tomar esses suplementos sem a orientação de um nutricionista. Afinal, o excesso destes pode provocar desde o aumento de peso, até disfunções renais, hormonais e por aí vai.

Aliás, uma dica importante: não se deixe seduzir pelos caprichos da indústria alimentícia como o “brigadeiro de whey”, por exemplo. Se for para entrar com suplementação, que ela seja feita corretamente.

Ok, ok. Já entendi que é preciso cautela para entrar com a suplementação. Porém, quais são os meus próximos passos?

Muito bem. Vamos fazer um checklist do que você precisa fazer a partir de agora:

  • fazer exames de rotina, como hemograma, colesterol total, glicose, TSH etc, para saber como anda o seu organismo, e quais são as demandas mais urgentes deste;
  • levar esses exames ao nutricionista e, junto com ele, decidir qual é o melhor plano para o seu corpo AGORA (é perder peso, ganhar massa, eliminar gordura, corrigir postura etc?);
  • seguir todas as orientações e sempre retornar ao profissional para realizar ajustes e mudanças na rotina!

Enfim….

Aí está, pessoal. Viram como todo esse “lixo” promovido por marcas, celebridades e influencers digitais é completamente inútil do ponto de vista da saúde?
Acredite em mim: procure por ajuda profissional, saiba o que você está tomando, entenda como o produto funciona no seu corpo, adapte sua dieta para complementar a suplementação e pronto! O treino será pleno, assim como os resultados!

Um abraço e até a próxima.

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