Mulher em frente ao espelho passando creme no rosto

Dr. Fábio Gontijo

Hoje, estou aqui para bater um papo com vocês sobre o melasma, aquelas manchas escuras que as pessoas costumam ter nas bochechas, nariz, testa, queixo ou acima do lábio superior. E elas podem incomodar, e muito!

O melasma é uma condição crônica e pode ser controlado, não curado. O tratamento é prolongado e inclui basicamente substâncias clareadoras tópicas e injetáveis.

Afinal, o que é o melasma?

São manchas de coloração escura que aparecem no rosto e em outras partes do corpo expostas ao sol, como antebraços e pescoço. É por isso que a estratégia mais indicada para prevenir o melasma, e ajudar no seu tratamento, é passar protetor solar! Só que calma, vamos falar sobre isso daqui a pouco. Antes, preciso ainda colocar alguns “pingos nos is”.

Quem tem melasma?

Ele costuma aparecer em:

  • mulheres;
  • gestantes;
  • pessoas com pele moderadamente pigmentada (o melasma é raro em pessoas muito claras ou de pele negra).

E como saber se EU tenho essa condição?

O melasma, como você poderá perceber ao longo desse texto, é uma condição de pele que pode ser diagnosticada só de se olhar para ela.

Durante a consulta com o dermatologista, porém, ele ainda pode usar uma ferramenta especial chamada “Luz de Wood” para ajudar a confirmar suas suspeitas e determinar a profundidade das manchas na pele.

Existem tipos diferentes de melasma?

Sim. São eles: epidérmico, dérmico e misto.

  • Epidérmico: é caracterizado por manchas marrons escuras com bordas bem definidas. Geralmente responde muito bem à maioria dos tratamentos e é mais facilmente aparente sob a luz negra.
  • Dérmico: possui manchas marrons ou azuladas claras com borda menos definida. Esse tipo não responde muito bem aos tratamentos usuais e sua aparência não muda sob a luz negra.
  • Misto: é o tipo mais comum de melasma, caracterizado por uma combinação de manchas marrons claras e escuras, e descoloração azulada. É relativamente sensível aos tratamentos.

E quais são os sintomas gerais?

Manchas marrons ou cinza-amarronzadas nas seguintes partes do corpo:

  • rosto;
  • bochechas;
  • testa;
  • nariz;
  • acima do lábio superior;
  • queixo.

Algumas pessoas apresentam manchas nos antebraços ou no pescoço. Porém, isso é mais incomum.

O mais importante é que o Melasma não causa nenhum sintoma significativo (ou seja, as pessoas que o têm não sentem nada) e não causa nenhum risco à saúde.

Só que muitas pessoas se incomodam muito com a aparência dele, principalmente no rosto, que é onde gostamos de dizer que fica nosso “cartão postal de primeiras impressões”.

O que causa, de fato, o Melasma?

  • Hormônios (incluindo medicamentos hormonais): o desequilíbrio hormonal, muito comum na gravidez, durante o começo ou interrupção da pílula anticoncepcional, ou em qualquer outro tratamento que cause esse efeito, pode provocar melasma.
  • Exposição ao sol: mulherada, o sol é, sem dúvidas, o maior culpado pelo aparecimento do melasma. Ele pode ser causado ou agravado pelos raios ultravioleta e pelo calor. Isso significa que até mesmo protetores solares, tão bons para a prevenção do câncer de pele, podem não ser suficientes para afastar o melasma.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da maioria dos casos de melasma é feito apenas pelo exame clínico.

Se houver dúvida ou suspeita de outras doenças, pode ser indicada uma biópsia. Algumas outras causas de manchas pigmentadas são:

  • Acantose nigricans;
  • Líquen plano pigmentoso;
  • hiperpigmentação induzida por medicamentos.

Não vá por aí pensando que toda mancha escura na pele é melasma, ok? Sem o diagnóstico correto, o tratamento não vai funcionar.

E como tratar o melasma?

Boa notícia: ele pode desaparecer por conta própria. Isso geralmente acontece quando um gatilho é eliminado, como uma gravidez ou pílulas anticoncepcionais. Assim que o bebê nasce, ou a pílula é interrompida, o melasma pode sumir.

Algumas pessoas, no entanto, sofrem com o melasma durante anos – ou até mesmo durante a vida inteira. Para elas (e outras pacientes as quais essa condição não desapareceu após os gatilhos hormonais), os tratamentos disponíveis são:

1. Agentes clareadores tópicos

Dentre os agentes clareadores de primeira escolha temos a hidroquinona. É sempre melhor usá-la em uma formulação tripla com um corticosteroide tópico e um retinoide. Os retinoides são compostos derivados da vitamina A, como: ácido retinoico (ou tretinoína), isotretinoína, etretinato e adapaleno.

Como segunda opção, temos o ácido azeláico e o ácido kójico. Na maioria das vezes usamos rotativamente a formulação de hidroquinona por 1 a 2 meses seguida por um período e de aplicação tópica de ácido azeláico ou kójico.

Outra arma no tratamento do melasma são os peelings químicos, aplicados no consultório pelo dermatologista. Podem ser usados ácido glicólico, ácido retinoico ou outras opções.

2- Ácido tranexâmico

Mais recentemente, o ácido tranexâmico foi introduzido como uma medicação milagrosa para o tratamento do melasma. Existem formulações orais e tópicas, mas pode ser também aplicado através de injeções intradérmicas, o que tem um efeito mais rápido e duradouro.

O ácido tranexâmico é contraindicado em pessoas com história de trombose, problemas de coagulação, usando pílula anticoncepcional, durante a gravidez ou amamentação.

3- Laser Nd-Yag qswitched (spectra)

Atualmente, o Spectra tem sido muito utilizado para tratamento de casos resistentes de melasma, com excelentes resultados. Ele tem alta penetração na pele e consegue destruir a melanina sem agredir a epiderme. Nas mãos de um bom profissional, ele é um procedimento seguro e praticamente indolor.

4- Outros agentes tópicos

Alguns outros agentes têm sido utilizados em formulações tópicas para tratar o melasma, porém sua eficácia ainda não foi comprovada. É o caso dos cremes com glutationa, vitamina C e zinco, por exemplo.

Cuidados em casa

Além dos tratamentos que citei, saiba que é possível dar uma amenizada no melasma com alguns cuidados caseiros de pele. São eles:

  • limpar a pele: a poluição ambiental pode contribuir para o melasma, já que os poluentes presentes no ar podem se ligar à pele e corroer sua superfície protetora, tornando-a mais fraca e mais suscetível a danos causados ​​pelo sol.

    Limpe sua pele todas as noites antes de dormir com um produto que seja apropriado para o tipo dela.

  • Antioxidantes: as vitaminas C e E também podem ajudar a curar os danos causados ​​pelo sol. Portanto, aplique algumas gotas de séruns e outros produtos que contenham essas vitaminas no seu rosto (consulte um dermatologista para saber quais são suas opções).
  • Hidratação: use um bom hidratante de pele para devolver a água a ela e restaurar sua barreira lipídica.
  • Paciência: pode levar meses para que o melasma se amenize.

Evite o sol!

Uma medida essencial no tratamento do melasma é evitar o sol. Para isso, é preciso usar bastante filtro solar (aplicando-o mais vezes em dias quentes, ou em caso de suor excessivo e banhos de piscina), permanecer na sombra e evitar os raios solares com bonés e chapéus.

Dica: nem todos os filtros solares são iguais! Para encontrar o melhor produto para o seu tipo de pele, não hesite em consultar seu dermatologista.

Mitos sobre o melasma que você precisa saber

Somente mulheres grávidas têm melasma

O melasma, na verdade, pode afetar homens e mulheres de todas as idades, em todas as fases da vida.

O melasma desaparece por conta própria

Infelizmente, ele precisa ser tratado com muito cuidado, e não tende a desaparecer por si só.

Não se pode reduzir a aparência do melasma

Mentira pura. Como você pôde ver no tópico de tratamentos, existem muitas opções que podem ajudar a reduzir as manchas do melasma.

Então, o que aprendemos?

O melasma é uma alteração crônica e deve ser tratada durante toda a vida. Seu dermatologista é capaz de escolher as melhores opções de tratamento para o seu caso. É importante que o tratamento seja iniciado cedo! Quanto mais tempo o melasma existir, mais difícil será revertê-lo.

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