Métodos contraceptivos: tudo que você precisa saber sobre eles parte 3

Mulher segurando dois tipos de métodos contraceptivos, uma camisinhas e pílulas
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Continuação

Métodos hormonais

Quando falamos em contracepção hormonal, brinco que o céu é o limite! Existem vários métodos mas, para facilitar o entendimento, vamos separar pela composição: os combinados (que contêm algum tipo de estrogênio e progesterona) e os de progesterona.
Além disso, quando o ginecologista prescreve um anticoncepcional hormonal, a preferência da paciente precisa ser avaliada (há quem prefira os orais pela facilidade, os injetáveis pela praticidade, os via vaginal e por aí vai), assim como os critérios de elegibilidade da OMS. Ou seja: é preciso analisar o que a paciente realmente pode usar sem aumentar os riscos ou atrapalhar o controle de determinada doença.

1. Anticoncepcional Oral

As famosas pílulas! Existem várias opções no mercado, com diferentes tipos de hormônios. Algumas devem ser tomadas de forma contínua (por exemplo: a de progesterona) e outras são ingeridas com intervalos de 4 ou 7 dias entre as cartelas, que é quando temos o sangramento por falta do hormônio.
Como funciona:

ACO combinado ACO progesterona
  • Inibe a ovulação.
  • Estabiliza o endométrio (que é a camadinha de dentro do útero), o que regula a menstruação e dificulta que implantação do embrião.
  • Espessamento do muco cervical (ou seja, da secreção produzida no colo do útero), tornando-o hostil ao espermatozoide.
  • Se minipílula: não inibe a ovulação.
  • Se desogestrel: inibe a ovulação.
  • Promove alteração do muco cervical e afinamento do endométrio.
  • Altera o movimento ciliar das trompas, ou seja, elas não irão carregar o óvulo de forma adequada ao encontro do espermatozoide.

Taxa de falha: em torno de 3 a 9%.
Proteção contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST): NÃO!
Vantagens

  • De custo variável ao mês e depende exclusivamente da paciente;
  • o retorno da fertilidade ocorre assim que o uso é suspenso;
  • a melhor época para iniciar uma cartela deve ser no primeiro dia da menstruação, o que aumenta a eficácia e reduz as chances de sangramento irregular;
  • existem estudos que apontam a redução da incidência de câncer de ovário e de endométrio, de doença benigna da mama e do desenvolvimento de cistos ovarianos funcionais pela pílula;
  • pode ser usada para tratamento de TPM, de endometriose, de sangramento menstrual irregular e excessivo, dentre outros.

Desvantagens

  • Pode sofrer interferência pelo uso de outras medicações, o que poderia reduzir sua efetividade. Ou seja, sempre procure um ginecologista para te ajudar nessa escolha.
  • possui efeitos colaterais diversos, mas os mais comuns estão listados abaixo:
    • náusea e vômitos;
    • sangramento irregular, tipo borra de café;
    • dor de cabeça;
    • acne (espinhas) e pele oleosa.

Observação: quando usada corretamente, a pílula é altamente efetiva, mas sua eficácia depende exclusivamente da paciente e exige uma boa memória (ou alarme de celular!). Também não deve ser utilizada por pessoas que foram submetidas a cirurgia bariátrica (redução de estômago), pois a sua absorção não será tão boa, o que aumenta a taxa de falha.
Pacientes acima de 40 anos devem ser desencorajadas a utilizar métodos combinados devido ao aumento de risco de eventos tromboembólicos (ou seja, trombose, infarto, tromboembolismo pulmonar – que é quando um coágulo vai para o pulmão, etc) associados à idade, bem como à presença de outras doenças.
Entre os 40 e 50 anos, se for uma mulher sadia e sem nenhum fator de risco, pode-se optar por métodos combinados cujo estrogênio seja “natural”, ou seja, valerato de estradiol ou mesmo estradiol no lugar do famoso etinilestradiol.
Após os 50 anos, apenas métodos sem hormônio ou com progesterona (atenção! Não me refiro aqui à reposição hormonal, que é outro assunto. Estamos falando apenas de formas de evitar neném, ok?).

2. Anel Vaginal

É um anel flexível que possui dois hormônios (ou seja, é um método hormonal combinado) que serão absorvidos através da vagina, ou seja, seu uso é lá dentro!
Não existe uma posição em que o anel deva ficar preferencialmente. Estando dentro da vagina, fará efeito!
Como funciona:

ANEL VAGINAL (Nuvaring®)
  • Inibe a ovulação.
  • Estabiliza o endométrio (que é a camadinha de dentro do útero), o que regula a menstruação e dificulta que o embrião possa se implantar;
  • Espessamento do muco cervical (ou seja, da secreção produzida no colo do útero), tornando-o hostil ao espermatozoide.

Taxa de falha: em torno de 3 a 9%.
Proteção contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST): NÃO!
Vantagens

  • O retorno da fertilidade ocorre assim que o uso é suspenso;
  • tem a menor dose de estrogênio do mercado, liberando apenas 15 mcg de etinilestradiol(EE) e, por isso, apresenta menor taxa de efeitos colaterais relacionado a ele (dor de cabeça, náuseas e vômitos);
  • além dos benefícios inerentes aos métodos combinados (controle de TPM, redução de cólica etc), é o que tem menor chance de apresentar sangramento irregular (as famosas borras de café);
  • o IMC da paciente não interfere em sua eficácia.

Desvantagens: por ser um “corpo estranho” na vagina, ela irá responder ao anel aumentando sua secreção. Então, algumas pacientes irão apresentar corrimento, o que não necessariamente significa candidíase, vaginose ou infecção.
Observação: o anel não é reutilizável, e pode ser usado em três esquemas diferentes:

  • por 21 dias e fazer pausa de 7 dias;
  • de forma estendida, ou seja, de 3 a 4 anéis consecutivos, e só então fazer a pausa de 7 dias;
  • sem pausa, trocando a cada 21-30 dias.

3. Adesivo

É um método hormonal combinado (ou seja, contém um tipo de estrogênio com um tipo de progesterona) que fica na camada interna do adesivo ou patch.
É por via transdérmica, ou seja, através da pele, e pode ser aplicado no braço, nas nádegas, na barriga e até mesmo no tórax (evitando as mamas).
Não se descola tão facilmente, mas é importante manter a pele limpa e seca antes da colocação do mesmo, bem como não colocar em alguma região que esteja vermelha, irritada, ou machucada.
Como funciona:

ADESIVO TRANSDÉRMICO (EVRA®)
  • Inibe a ovulação.
  • Estabiliza o endométrio (que é a camadinha de dentro do útero), o que regula a menstruação e dificulta que o embrião possa se implantar;
  • Espessamento do muco cervical (ou seja, da secreção produzida no colo do útero), tornando-o hostil ao espermatozoide.

Taxa de falha: em torno de 3 a 9%.
Proteção contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST): NÃO!
Vantagens

  • O retorno da fertilidade ocorre assim que o uso é suspenso;
  • é bom para aquelas pacientes que gostam de fazer trocas semanais (ao invés de diárias).

Desvantagens

  • Mulheres acima de 90 kg poderão apresentar maior risco de gravidez com o uso do adesivo;
  • os efeitos colaterais serão os mesmos da pílula;
  • seu tamanho no mercado brasileiro não é exatamente pequenininho, então possui uma baixa taxa de adesão pela possibilidade de aparecer em eventos sociais como na praia, por exemplo.

Observação: se o adesivo descolar da pele (parcial ou totalmente) por mais de 24 horas, deve-se colar um novo adesivo imediatamente e usar camisinha durante um período mínimo de 7 dias.
Como utilizar:

  • descole a parte posterior e aplique o adesivo diretamente na pele;
  • deixe o adesivo no local da aplicação por uma semana e então o substitua por um novo (isso será feito até um total de 3 adesivos, ou seja, 3 semanas de uso);
  • após esse tempo, retire-o e faça uma pausa de 7 dias, colocando um novo adesivo no 8º.

4. Injeção (mensal e trimestral)

Existem dois tipos de injeções contraceptivas: as mensais (que configuram um método combinado, ou seja, com um tipo de estrogênio e um tipo de progesterona) e a trimestral (que contém apenas progesterona).
Como funciona:

INJEÇÃO MENSAL INJEÇÃO TRIMESTRAL
  • Inibe a ovulação.
  • Estabiliza o endométrio (que é a camadinha de dentro do útero), o que regula a menstruação e dificulta que o embrião possa se implantar.
  • Provoca o espessamento do muco cervical (ou seja, da secreção produzida no colo do útero), tornando-o hostil ao espermatozoide.
  • Promove alteração do muco cervical e afinamento do endométrio.
  • Altera o movimento ciliar das trompas, ou seja, elas não irão carregar o óvulo de forma adequada até o encontro do espermatozoide.
  • Inibe a ovulação.
Lembrando que associar o uso das duas camisinhas na relação não confere aumento de proteção, muito pelo contrário! Aumenta as chances de rompimento, deslizamento ou deslocamento de alguma delas.

Taxa de falha: em torno de 3 a 9%.
Proteção contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST): NÃO!
Vantagem: a injeção trimestral é o método de progesterona que apresenta maiores chances de amenorreia (ou seja, de não menstruar) – em torno de 50-80% das usuárias.
Desvantagem: o retorno da fertilidade pode demorar um pouquinho para ocorrer: em torno de 3 meses até 1 ano após a última aplicação. Então, dependendo das circunstâncias, pode ser interessante ou não.
Observação: Usuárias de longa data de métodos injetáveis trimestrais podem apresentar uma redução da massa óssea e, com isso, aumentar o risco de osteoporose. No entanto, essa alteração é transitória e se você tomar sol, apresentar uma ingestão adequada de cálcio diária bem como não ser sedentária, isso não será um problema!
Como utilizar:

  • a primeira aplicação da injeção (tanto faz se mensal ou trimestral) deve ser realizada no primeiro dia do ciclo menstrual (podendo acontecer no máximo até o 8º dia). Esse é o ideal, pois aumenta a taxa de eficácia e diminui sangramentos irregulares. Contudo, pode tomar em qualquer fase do ciclo, desde que tenha certeza de não estar grávida, ou seja, exame de sangue (beta hCG) negativo.
  • A segunda aplicação da injeção mensal deve ocorrer 30 dias religiosamente depois, com tolerância de aproximadamente três dias. Sempre oriento no consultório a marcar uma data. Então, por exemplo, apliquei a primeira no dia 27. No mês seguinte, farei a próxima aplicação no dia 27. Sempre guarde a sua prescrição, pois nela serão anotadas as datas de aplicação pelo farmacêutico ou por você mesma.
  • A segunda aplicação da injeção trimestral deve ocorrer 90 dias após, com tolerância de aproximadamente três dias também.

5. DIU Mirena® ou Sistema Intrauterino (SIU) Liberador de Levonorgestrel

É um método hormonal que consiste em um Dispositivo Intrauterino, que libera uma taxa diária em torno de 20 mg de levonorgestrel (um tipo de progesterona) ao dia.
Como funciona:

DIU Medicado com Levonorgestrel (Mirena®)
  • A progesterona torna o endométrio atrófico e, portanto, pouco receptivo ao embrião
  • A presença do DIU estimula a produção de muco cervical mais espesso, o que dificulta o caminho do espermatozoide.
  • Provoca a redução do movimento das trompas, o que dificulta a união entre óvulo e espermatozoide.
  • Em torno de 20% das pacientes, haverá inibição de ovulação.

Taxa de falha: em torno de 0,1%
Proteção contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST): NÃO!
Vantagens:

  • é um método de longa duração, com troca a cada 5 anos, porém pode ser retirado a qualquer momento, se esse for o desejo da paciente;
  • faz parte da Terapia de Reposição Hormonal, então para pacientes que já se encontram próximas à menopausa, torna-se um método bastante interessante;
  • em 100% das pacientes, haverá redução do fluxo menstrual e das cólicas (atenção! Isso não é uma promessa de que você ficará sem menstruar).

Observações:

  • por ser um método de longa duração, considera-se um período de adaptação de 4 a 6 meses. Nessa fase, é comum ocorrer sangramento e dores do tipo cólica nos primeiros dias.
  • A tendência é de que o sangramento e as cólicas diminuam com o passar dos dias. Se necessário, você pode utilizar analgésicos prescritos pelo seu médico.
  • Sangramento: não se assuste caso tenha sangramento irregular. É comum que o ciclo menstrual fique instável durante um período de 3 a 6 meses.Para cada 10 mulheres que usam este método, 8 ficarão com um sangramento favorável (ou que ela irá ficar satisfeita), o que significa não sangrar, sangrar a cada 2/3 meses (infrequente) ou sangrar uma vez por mês (normal).
    Porém, 2 ficarão insatisfeitas, pois vão sangrar 2 ou mais vezes por mês (frequente) ou por muitos dias (prolongado). Como esse sangramento é mais comum nos primeiros 6 meses, iremos tentar ajustá-lo.
    Se ele te incomodar, procure seu ginecologista.

Desvantagens:

  • a adaptação é longa, devendo ter paciência nos primeiros 4-6 meses de uso;
  • pode haver um leve piora da pele, que se tornará mais acneica e oleosa, mas isso não é uma regra;
  • uma complicação da inserção é a perfuração uterina, no entanto, essa taxa é bem baixa (em torno de 0,01 a 0,03%);
  • a taxa de expulsão está em torno de 5%.

Como utilizar:

  • deve ser inserido por um médico. Pode ser colocado em qualquer dia do ciclo, desde que se tenha uma certeza razoável de que não esteja grávida: ou por meio do exame beta hCG, ou até o sétimo dia do ciclo menstrual, ou ainda se há ausência de relação sexual nos últimas 30 dias.
  • No pós-parto, pode ser inserido imediatamente ao nascimento do bebê (após a saída da placenta) ou após 40 dias.
  • Para conferir se está no lugar certinho, você mesma pode fazer um toque vaginal e sentir se o fio do DIU é palpável (até que se prove o contrário, fio do DIU visível/palpável significa que o mesmo está no lugar certinho) ou então realizar um ultrassom com esse intuito.

6. Implanon ou Implante de Etonogestrel

É um método hormonal que consiste em um bastão plástico recoberto por um polímero (que ajuda a evitar fibrose) e que contém o etonogestrel como princípio ativo.
A título de curiosidade, o etonogestrel é a forma ativa do desogestrel, que é o componente de uma pílula oral de progesterona.
Como funciona:

Implante de Etonogestrel ou Implanon®
  • Inibe a ovulação;
  • a progesterona torna o endométrio atrófico e, portanto, pouco receptivo ao embrião;
  • altera o muco produzido pelo colo uterino, tornando-o hostil ao espermatozoide.

Taxa de falha: em torno de 0,05% (é o método com a menor taxa).
Proteção contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST): NÃO!
Vantagens:

  • é um método de longa duração, com troca a cada 3 anos, mas a qualquer momento pode ser retirado, se esse for o desejo da paciente;
  • possui a maior eficácia dentre os métodos contraceptivos e poucas restrições de uso (gravidez ou história pessoal de câncer de mama);
  • é uma excelente opção para aquela paciente que possui TPM e não pode usar métodos combinados.

Observações:

  • por ser um método de longa duração, considera-se um período de adaptação de 4 a 6 meses. Nessa fase, é comum ocorrer sangramento e dores do tipo cólica nos primeiros dias. A tendência é de que o sangramento e as cólicas diminuam com o passar dos dias. Se necessário, você pode utilizar analgésicos prescritos pelo seu médico.
  • Sangramento: não se assuste caso tenha sangramento irregular. É comum que o ciclo menstrual fique instável durante um período de 3 a 6 meses.Para cada 10 mulheres que usam este método, 8 ficarão com um sangramento favorável (ou que ela irá ficar satisfeita), o que significa não sangrar, sangrar a cada 2/3 meses (infrequente) ou uma vez por mês (normal).
    Porém, 2 ficarão insatisfeitas, pois vão sangrar 2 ou mais vezes por mês (frequente) ou por muitos dias (prolongado). Como esse sangramento é mais comum nos primeiros 6 meses, iremos tentar ajustá-lo.

Desvantagens:

  • a adaptação é longa, devendo ter paciência nos primeiros 4-6 meses de uso;
  • pode haver um leve piora da pele, que se tornará mais acneica e oleosa, mas isso não é uma regra.

Como utilizar:

  • O implante deve ser inserido por um profissional em consultório médico. É colocado logo abaixo da pele, no braço não dominante e com anestesia local (ou seja, não tem dor).
  • A melhor época para inserção é entre o primeiro e quinto dia do ciclo menstrual, o que confere maior eficácia para evitar gravidez. Se colocado fora desse período, é necessário uso adicional de camisinha por pelo menos 7 dias após a inserção.
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Ginecologia

Médica, especializada em Ginecologia e Obstetrícia. Membro do corpo clínico Hospital Vila da Serra, Hospital Mater Dei e Maternidade Neocenter.

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