Cato sento examinado por um médico veterinário homem
0

FELV é o vírus da leucemia felina. Na verdade, ele é um retrovírus da mesma família do HIV humano e do FIV felino (vírus da imunodeficiência felina).

A infecção pelo FELV é uma condição grave que leva o gato a apresentar linfoma, imunodeficiência e anemia graves. Apesar do nome, a leucemia é raramente causada pelo vírus.

O FELV é transmitido pelo contato direto com a saliva, urina, fezes ou leite materno contaminado. A saliva é a secreção corporal mais rica em vírus, tornando a principal forma de contágio o ato de lamber um ao outro.
Pela facilidade de transmissão, a infecção pelo FELV é muito comum entre os gatos que vivem ou circulam nas ruas. Estima-se que, em Belo Horizonte, 48% dos gatos sejam portadores do vírus.

Transmissão do FELV

Um gato infectado elimina o vírus FELV na saliva, secreção nasal, urina, fezes e leite. A transmissão pode ocorrer quando:

  • Os gatos se lambem;
  • Através do leite materno;
  • Por caixas de areia, vasilhas de água e comida contaminadas.

O contágio por meio de utensílios é raro, pois vírus é sensível e não sobrevive muito tempo no ambiente.

A transmissão do FELV através da saliva faz com que a doença seja facilmente propagada, mesmo em um contato casual entre os gatos. Logo, um gato FELV negativo não deve conviver com um gato positivo, mesmo que por pouco tempo.

Os filhotes são mais susceptíveis à infecção e, quando contraem o vírus antes de 8 semanas de vida, têm uma doença mais precoce e mais grave.

Quem tem maior risco de contrair o vírus FELV?

  • Gatos que têm acesso à rua;
  • Filhotes de mães infectadas;
  • Gatos que vivem em ambientes populosos, sujeitos a mais estresse e baixa imunidade.

Estágios da infecção

Durante os primeiros dias após a infecção, o vírus se multiplica na boca e garganta e alertam o sistema imunológico do gato, que recruta células de defesa para combater o vírus. Em um gato saudável, o vírus pode ser completamente eliminado do organismo nesta fase. Isto ocorre em 30% dos casos.
Se o vírus sobreviver à reação inicial do sistema imunológico, ele se espalha pelo organismo e chega até o baço, linfonodos e tecido linfóide do intestino. Nesta fase as células de defesa do organismo ainda são capazes de eliminar o FELV.

Quando o vírus chega até a medula óssea, a infecção se torna permanente. Em alguns animais, ele fica restrito à medula e não se multiplica mais, controlado pelo sistema imune. Estes casos raramente se transformam em uma infecção ativa, mas isto pode ocorrer se o gato apresentar uma deficiência imunológica, por exemplo, pelo uso prolongado de corticóides ou presença de um câncer.

Em outros animais, o vírus progressivamente infecta as células da medula óssea (neutrófilos, linfócitos e plaquetas) e se espalha por todo o corpo através da corrente sanguínea. Ao atingir tecidos como as glândulas salivares, lacrimais e bexiga, ele começa a ser eliminado nas secreções, podendo, então, contaminar outros animais.

O animal com a doença progressiva pode não apresentar sinais de problemas durante algum tempo (em torno de 1 a 3 anos).

Quadro clínico

Quando os sinais de doença começam a aparecer, o animal pode apresentar:

  • Perda de peso;
  • Falta de apetite;
  • Infecções repetidas;
  • Lesões na língua e gengiva;
  • Inflamações nos rins e nos olhos;
  • Queda de pelos;
  • Gânglios aumentados;
  • Febre;
  • Mucosas pálidas;
  • Diarréia;
  • Convulsões;
  • Alterações de comportamento.

Estes e outros sinais indicam o aparecimento das condições associadas ao FELV: câncer, anemia grave e deficiência imunológica.

Doenças ligadas ao FELV

  • Câncer: o tipo mais comum é o linfoma;
  • Anemia grave;
  • Infecções oportunistas: causadas por microrganismos comuns do ambiente que não causam problemas em gatos que têm o sistema imunológico normal, mas comprometem facilmente os animais com baixa imunidade pelo FELV.

Diagnóstico do FELV

O diagnóstico da infecção pelo FELV é feito por meio de exames que detectam a presença do antígeno no sangue:

  • ELISA: pode ser realizado na clínica veterinária no momento da consulta. Caso positivo, o sangue pode ser encaminhado ao laboratório para confirmação;
  • Imunofluorescência indireta: realizado por um laboratório de referência, o IFI é um exame mais específico utilizado para confirmar o diagnóstico.
  • PCR: exame capaz de detectar pequena quantidade de antígenos do vírus, utilizado para confirmar casos duvidosos.

Tratamento

Não existe tratamento para a infecção por FELV. Apenas são tratadas as doenças associadas, quando ocorrem:

  • Linfoma: quimioterapia;
  • Anemia: estimulação da medula óssea ou transfusão de sangue;
  • Infecções recorrentes: antibióticos.

Como evitar complicações em um gato com FELV?

Um gato portador de FELV deve ser examinado por um veterinário e realizar exames de sangue a cada 4 meses. Além disso, ele:

  • Deve ser mantido em ambiente domiciliar para evitar a propagação do vírus e reduzir o risco de infecções oportunistas;
  • Deve ser castrado para impedir que se reproduza;
  • Deve receber a vacina contra outros agentes infecciosos, inativados. No Brasil, utiliza-se a tríplice (contra indicadas as vacinas com vírus vivos atenuados);
  • Vermifugação e controle de ectoparasitas (pulgas);
  • Deve receber alimentação balanceada, de preferência úmida;
  • Deve ter um suporte emocional constante.

Se o bichinho estiver bem alimentado, cuidado, amado e com estresse reduzido, as manifestações das doenças associadas ao vírus podem ser evitadas por algum tempo.

Como evitar a infecção por FELV?

  • Manter o gato domiciliado;
  • Evitar contato com gatos positivos;
  • Evitar ambientes com muitos gatos exceto se todos forem comprovadamente negativos;
  • Nutrição de excelente qualidade;
  • Vacinação.

Vacinação para FELV

Nos Estados Unidos, há 20 anos, 15% dos gatos eram portadores de FELV. Após o início da vacinação, houve uma redução importante da incidência da doença. Em 2006, o número estimado de animais infectados era 2%.

No Brasil, a vacina contra o vírus FELV existe apenas associada a outras doenças, na quíntupla, que protege contra:

  • Panleucopenia;
  • Calicivirose;
  • Rinotraqueíte;
  • Clamidiose;
  • FELV

Existe uma discussão em torno da vacina contra FELV em relação à ocorrência de sarcoma de aplicação. A proteção descrita da vacina, na literatura, é aproximadamente 85%. A chance de ocorrer um sarcoma de aplicação (tumor desenvolvido após vacinas/injeções) é muito pequena, de 1 a cada mil a 10 mil casos.

A recomendação é vacinar todos os gatos. A aplicação deve ser feita em um local visível e o tutor deve acompanhar a evolução do nódulo, que costuma desaparecer em alguns dias. Se ele persistir, ou mostrar sinais de inflamação, o veterinário deve ser procurado.

Prognóstico

A infecção por FELV é grave e a maioria dos animais morre em 2 ou 3 anos.

A única prevenção efetiva da doença é evitar o contágio. Manter os gatos em casa, ao contrário do que alguns pensam, não traz infelicidade, mas sim proteção.

O importante é proporcionar ao bichano, no ambiente onde vive, um enriquecimento ambiental que ele precisa para ser feliz: brinquedos para caçar, prateleiras para subir, esconderijos e muito carinho da família.

Gostou do artigo? Para ler mais conteúdos como esse, basta ficar de olho em nosso Blog, curtir nossa página no Facebook e acompanhar nossas postagens no Instagram!