Anestesia em animais: o que você precisa saber

Cachorro sendo segurado por sua dona enquanto um veterinário se prepara para aplicar anestesia

Passar por uma cirurgia ou intervenção médica é uma situação que gera ansiedade para a maioria das pessoas. Quando é o nosso cão ou gato que se encontra nessa situação, a ansiedade torna-se maior ainda. Afinal, é difícil ver o nosso melhor amigo em condições delicadas e saber que ele irá passar por procedimentos complexos, que exigem a anestesia em animais, assunto que ainda é cercado por mitos.

Felizmente, a anestesiologia veterinária evoluiu muito nos últimos anos. Graças à isso, muitos animais podem passar por cirurgias que dificilmente seriam realizadas no passado e com mais segurança, uma vez que é possível contar cada vez mais com profissionais qualificados e especializados.

No entanto, o processo não é simples. A escolha do tipo de anestesia deve ser feita de forma personalizada e envolve vários fatores, a exemplo do temperamento do animal. Se ele for agressivo, pode colocar em risco a segurança da equipe da clínica veterinária, além de limitar a avaliação pré-anestésica e dificultar a realização dos exames pré operatórios.

Para evitar esses, outros problemas e efeitos adversos como o choque anafilático, redução da pressão arterial, arritmia, hipotermia, parada cardíaca etc, cada animal deve ser avaliado individualmente antes da escolha da anestesia, levando-se também em consideração fatores como:

  • idade;
  • peso;
  • raça;
  • estilo de vida;
  • histórico de doenças;
  • vacinação;
  • prenhez;
  • reações alérgicas do animal;
  • medicações que ingere;
  • condições cardiovascular, pulmonar, hepática e renal.

Situações que demandam anestesia em animais

Várias situações demandam anestesia veterinária, emergenciais ou não, podendo ser mais ou menos invasivas. São elas:

O pré-operatório

Com exceção das situações emergenciais (acidentes, picadas e mordidas), nas quais o animal é encaminhado rapidamente para o centro cirúrgico e passa inevitavelmente pela anestesia, as situações não emergenciais devem ser precedidas por exames. Assim, o veterinário poderá avaliar se o animal tem condições ou não de ser anestesiado, e terá mais informações para escolher o tipo de anestesia.

São os exames exigidos no pré-operatório:

  • hemograma completo;
  • exames cardiovasculares;
  • dosagem de eletrólitos;
  • exames bioquímicos renais, pancreáticos e hepáticos.

Nessa fase, o tutor e o veterinário devem conversar bastante sobre o histórico do animal e sua atual situação. Além disso, o veterinário pode identificar doenças como anemia grave ou desidratação, por exemplo, que impedem o processo anestésico. Essas e outras doenças devem ser tratadas antes do agendamento de uma intervenção.

É neste momento que o anestesiologista irá, junto a todas as informações passadas pelo tutor, sua avaliação clínica e exames complementares, classificar o risco anestésico baseado no estado geral do paciente – classificação ASA. Isso trará benefícios pois é possível iniciar ou otimizar eventuais tratamentos, diminuir a taxa de suspensão de procedimentos anestésicos e aumentar a consciência quanto a condição clínica do paciente.

Tipos de anestesia

Com os resultados dos exames pré-operatórios em mãos, o veterinário pode avaliar a glicemia e a situação das funções renais, cardiovasculares, pancreáticas e hepáticas, dentre outros fatores e, assim, decidir qual será o melhor tipo de anestesia para o animal em questão.

O tipo de anestesia aplicada em animais pode ser local, geral, inalatória ou injetável.

Anestesia geral: É utilizada em procedimentos mais invasivos como castrações, amputações, remoção de órgãos, retiradas de tumores e outros. Durante esta, o animal permanece inconsciente e, ao longo da intervenção cirúrgica, não sente dor alguma.

Anestesia local: é utilizada em procedimentos menos invasivos a exemplo de suturas na pele, ou pode ser utilizada como complementar a um outro tipo de anestesia, no intuito de ajudar na analgesia do local a ser operado. Este é um ótimo método para controle da dor no transoperatório, e também no pós, trazendo maior conforto ao paciente.

Esse tipo de anestesia pode ser administrado como spray ou pomada, assim como via espinhal, via intra- articular ou intravenosa. Ele consiste em bloquear os impulsos nervosos do local do corpo a ser operado. O animal permanece consciente durante todo o processo.

Anestesia inalatória: é um método que se difundiu rapidamente pela medicina veterinária, sendo utilizado para procedimentos que necessitam que o paciente permaneça sob anestesia geral.

A eliminação do agente anestésico é dada, em grande parte, pela via respiratória, por isso é considerada uma ótima opção para animais que sofrem com problemas cardíacos, renais e/ou hepáticos e idosos. No entanto, é uma opção cara por demandar aparelhagem específica.

A anestesia inalatória é obtida por meio da absorção de um agente anestésico pela via respiratória, através de um tubo inserido na traquéia. Esse anestésico passará para a corrente sanguínea e atingirá o sistema nervoso central. Com isso, o paciente estará sob efeito de anestesia geral.

Ela é considerada a melhor opção, sendo indicada para animais que sofrem com problemas cardíacos, renais e/ou hepáticos, acima do peso e/ou idosos. No entanto, é uma opção cara e demanda a presença de um veterinário anestesista que acompanhe os seguintes parâmetros durante o procedimento inalatório:

  • frequência cardíaca;
  • frequência respiratória;
  • pressão arterial;
  • temperatura;
  • oximetria.

A anestesia inalatória é aplicada por meio da inserção de um aparelho no focinho do animal que, entubado, inala o medicamento.

Anestesia injetável: Não demanda aparelhos e, por isso, apresenta um bom preço, sendo um tipo de anestesia muito adotado em clínicas veterinárias.

Há vários tipos de anestésicos injetáveis no mercado. Contudo, é contraindicada para animais com a saúde frágil, uma vez que pode comprometer o sistema cardiovascular e outros órgãos.

Funciona assim: o veterinário aplica a anestesia injetável por via intravenosa ou intramuscular e, com o fim do procedimento, ela é suspensa.

Vale lembrar que todo procedimento anestésico deve ser realizado por um médico veterinário especialista e, para que seja um procedimento seguro, os parâmetros como frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, temperatura, oximetria e capnografia devem ser avaliados durante todo o procedimento.

O que fazer na véspera da cirurgia?

Cabe ao tutor do animal respeitar todas as restrições impostas pelo veterinário. Alguns exemplos são o jejum alimentar (12 horas antes do procedimento) e hídrico (de 4 a 6 horas) para evitar a regurgitação do conteúdo presente no estômago e, dessa forma, prevenir os casos de pneumonia aspirativa. Este imprevisto poderia ocasionar a aspiração deste conteúdo para o pulmão, provocando pneumonia inalatória que, em alguns casos, pode ser fatal.

Anestesia em animais e o pós-operatório

Após a operação, o animal pode sentir dores em maior ou menor grau, sendo necessário ingerir analgésicos com prescrição do veterinário. Aliás, o acompanhamento desse profissional no pós-operatório é indispensável.

A forma de se comportar do animal no pós-operatório pode ser estranha e bem diferente da habitual. Muitas vezes, ele se apresenta letárgico, ou não reconhece seu lar e tutores após a intervenção. Por isso, crianças não devem ficar sozinhas com animais pós-operados.

Infelizmente, toda intervenção médica é arriscada, mesmo minimamente, o que leva muitas clínicas a exigirem que o proprietário do animal assine um termo de ciência dos riscos.

Por isso, cabe ao proprietário escolher uma clínica com estrutura adequada para lidar com situações emergenciais e profissionais capacitados. Afinal, o animal precisa ser assistido antes, durante e após a intervenção.

 

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Medicina Veterinária

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