Mulher satisfeita amamentando seu filho

Dra. Juliana Campos

O leite materno é um alimento maravilhoso! Não é à toa que é chamado de ouro branco. Ele possui todos os nutrientes que o bebê necessita na quantidade exata para que ele cresça forte e saudável.

Além disso, a oferta balanceada de açúcares, proteínas, gordura e vitaminas que o leite materno oferece ajudam a prevenir doenças futuras como diabetes, hipertensão e obesidade.

Como sua proteína é apropriada para a espécie humana (sim! A composição da proteína é diferente em cada espécie de mamífero), ela é facilmente absorvida e digerida pelo trato gastrointestinal do bebê. Isso evita inflamações que podem causar alergias alimentares e predispor a alergias respiratórias e de pele no futuro como, por exemplo, a asma, a rinite e a dermatite atópica.

Concluindo? Não existe leite materno fraco! O corpo humano é tão sábio que mesmo uma mãe desnutrida é capaz de fornecer leite de qualidade para seu filho.

Como a amamentação funciona?

O leite muda sua composição ao longo da mamada. No início é mais líquido e contém grande quantidade de proteínas (responsáveis pela construção do corpo do bebê e pela imunidade), e no final mais espesso e branco, contendo as gorduras e açúcares (que fornecem energia para o bebê engordar e crescer e o deixam saciado por mais tempo).

É por isso que é importante que o bebê mame todo o seio antes de passar para o outro, e que não limitemos o tempo da mamada. Cada pequeno tem seu ritmo, e alguns chegarão rapidamente ao leite posterior, enquanto outros podem demorar mais tempo.

Logo, ao nascer, o bebê demora mais tempo para esvaziar a mama (afinal, ele ainda está aprendendo a mamar). Porém, com o passar do tempo, a sucção se torna mais efetiva e ele ficará saciado rapidamente e por mais tempo (espaçando naturalmente as mamadas).

Como aproveitar a hora da amamentação ao máximo?

O momento da amamentação é muito importante para o fortalecimento do laço entre mãe e filho. Aproveite ao máximo estes momentos de carinho, um dia você sentirá saudade deles.

Escolha um local confortável e silencioso. Apoie suas costas, seu braço e seus pés para que você fique confortável. Deixe a cabeça do bebê levemente mais elevada que o restante do corpo. Posicione a barriguinha do pequeno voltada para a sua. Este é um ótimo momento para um contato pele a pele, o que irá ajudar o bebê a se sentir seguro e calmo, ajudando inclusive a reduzir as cólicas e regular a temperatura corporal dele.

Importância do aleitamento materno para a mãe

O aleitamento também traz benefícios para a mãe. Ele ajuda a reduzir o útero para seu tamanho anterior à gravidez e prevenir câncer de mama. Além disso, a mãe não precisa se preocupar em comprar fórmula, preparar mamadeiras, lavá-as e esterilizá-las. Afinal, o leite materno já vem pronto.

Tipos de sucção

Toda mamãe deve saber que existe a sucção nutritiva (a que de fato o bebê suga o leite e mata sua fome e sede), e a sucção não nutritiva (o bebê parece estar fazendo o seio de chupeta. Isso não é ruim. Estes momentos ajudam o corpo da mãe a entender que deve produzir mais leite para sua cria.

Além disso, esses momentos relaxam e acalentam o pequeno, ajudando-o a se adaptar ao mundo externo, ainda tão amedrontador para ele. O bebê acha que ele e sua mãe são um ser único, por isso quer ficar o tempo todo no colo e no peito, assim se sente acolhido e seguro como quando ainda estava no útero.

O que toda mamãe deve saber sobre o período da amamentação

A Organização Mundial de Saúde recomenda que a amamentação seja exclusiva até os seis meses de idade e sob livre demanda (o bebê escolhe a hora e o tempo que quer e precisa mamar), e complementada até os dois anos de idade (ou mais) com outros alimentos.

Isso significa que o leite é a principal fonte de nutrientes durante toda esta fase e que, mesmo após os dois anos, a criança continua a se beneficiar do aleitamento materno.

A importância do leite materno

Existe uma enorme pressão da sociedade para o desmame precoce do bebê: “é mais fácil dar mamadeira”, “seu leite não está sustentando”, “é uma vergonha amamentar em público”, “ele vai mamar em pé” etc.

Se as pessoas soubessem a importância que o leite materno tem, pensariam duas vezes antes de desestimularem uma mãe a oferecer o seu seio. Os novos estudos mostram que o apego com o cuidador e a boa alimentação são capazes de mudar, inclusive, a programação genética da criança, transformando-a em um adulto feliz, seguro, com relações afetivas saudáveis, prevenindo câncer, autismo, doenças degenerativas etc.

Como saber se o bebê está mamando corretamente?

Preste atenção na maneira como o bebê suga o seio. Nunca deve ser doloroso, o bebê deve abocanhar toda a aréola com o lábio inferior e superior evertidos (boca de peixinho).
A dor pode indicar que há algo errado. É normal que haja dificuldade no início e existem vários profissionais capazes de ajudar neste momento. Você não precisa passar por isso sozinha.

Para que a mãe apresente uma boa lactação, é necessário que sua alimentação seja saudável, dando preferência a alimentos naturais e variados (comida de verdade, colorida, evitando industrializados). É fundamental, também, ingerir muita água, pois ela é um componente importante do leite. Você pode continuar a usar as vitaminas que utilizou durante a gestação.

Cuidados com o bebê após a amamentação

Após a mamada, deixe o bebê em pé no colo para arrotar antes de colocá-lo novamente no berço. Chupetas e mamadeiras não são indicadas e podem reduzir a lactação, pois o estímulo para a produção de mais leite é exatamente a sucção do bebê.

Não é necessário oferecer água e chás para a criança, o leite materno também mata a sede. Em dias quentes, ele irá demandar menor intervalo entre as mamadas.

Quando estamos esperando nosso bebê, criamos várias expectativas de como será quando ele estiver em nossos braços, e isso é ótimo. Porém, esse processo não deve gerar ansiedade. Nem sempre as coisas saem exatamente como imaginávamos.

Existem alguns casos específicos em que a mulher pode apresentar dificuldade na produção láctea, ou nem mesmo consegui-la. Estas mulheres não devem se sentir culpadas, ou menos mãe que as outras por não conseguir amamentar seu bebê.

Seu pediatra irá ajudá-la a identificar se você se enquadra nestes casos, a tentar estimular a lactação, e caso não seja mesmo possível, a ofertar o melhor possível para seu bebê.

Não tenha vergonha, não tenha medo, sinta-se cansada, às vezes mesmo esgotada, mas saiba que estamos aqui torcendo por vocês e prontos para ajudar no que for possível! Não é fácil, mas é maravilhoso!

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