Mãos dos pais envolvem o pé do bebê fazendo o formato de coração

Primeiro de tudo: o batimento do coração do bebê é realmente acelerado?

Ao colocar a mão no peito do bebê, notamos como o batimento cardíaco é acelerado. A frequência do batimento é maior para que o oxigênio chegue aos tecidos e faça com que tudo funcione perfeitamente em seu organismo.

O coração do recém-nascido chega de 120 a 160 batimentos por minuto (bpm), enquanto o de uma pessoa adulta vai de 60 a 80 bpm. Na medida em que o bebê cresce, os batimentos vão reduzindo:

  • No primeiro mês de vida: 100 a 150 bpm;
  • A partir dos dois anos: 85 e 125 bpm;
  • Dos quatro aos seis anos: de 75 a 115 bpm;
  • Maiores de 6 anos: entre 60 e 100 bpm.

O coração inicia o seu desenvolvimento no período fetal e se forma do 180 ao 560 dia de gestação. Ele inicia sua formação como um tubo cardíaco, onde se encontra o bulbo aórtico, o bulbo cardíaco, o ventrículo primitivo, o átrio primitivo e o seio venoso.

No nascimento, o coração já está com a configuração anatômica de um coração adulto, com dimensões menores e, a partir desse momento, inicia sua adaptação normal às várias etapas do crescimento humano.

Como surgem as doenças do coração?

Os erros na formação ou desenvolvimento cardíaco levam ao aparecimento das cardiopatias congênitas. Esses erros podem ser:

  • Simetria;
  • Defeitos da migração da ponta do coração;
  • Formação da parede atrial;
  • Formação da parede ventricular;
  • Anomalias da divisão entre o átrio e o ventrículo;
  • Anomalias do tronco e do cone;
  • Defeitos da valva aórtica e pulmonar;
  • Anomalias da evolução dos arcos aórticos;
  • Anomalias na drenagem das veias pulmonares;
  • Anomalias dos grandes troncos venosos.

As cardiopatias congênitas ocorrem em aproximadamente oito crianças para cada mil nascimentos. Estas são divididas em cardiopatia congênitas cianóticas e acianóticas.

Entre as cardiopatias cianóticas mais frequentes, temos a tetralogia de Fallot. Ela se constitui de:

  • Estreitamento da valva pulmonar;
  • Aumento da espessura do ventrículo direito;
  • Aorta fica mais para a direita;
  • Comunicação entre o ventrículo esquerdo e direito.

Outra cardiopatia cianótica frequente é a transposição das grandes artérias. Nesta, a artéria pulmonar está conectada ao ventrículo esquerdo e a artéria aorta está conectada ao ventrículo direito. Ambas as cardiopatias são tratadas cirurgicamente e têm boa expectativa de vida.

Entre as cardiopatias congênitas acianóticas mais frequentes estão:

  • A comunicação interventricular (comunicação entre o ventrículo esquerdo com o direito),
  • A comunicação interatrial (comunicação entre o átrio esquerdo com o direito),
  • A persistência do canal arterial (ocorre falha no fechamento do canal arterial ao nascimento),
  • Estenoses valvares (pulmonar e aórtica).

Algumas destas cardiopatias têm resolução espontânea, outras necessitam tratamento cirúrgico para sua resolução. Existem cardiopatias complexas, mais raras, cujo tratamento vem sendo estudado.

Como são identificadas as cardiopatias

Nos recém-nascidos, as doenças do coração podem ser identificadas a partir de suspeita clínica, durante a gestação ou nas primeiras consultas com o pediatra.

Dentre os principais achados estão:

  • Sopro cardíaco;
  • Cianose (coloração azul-arroxeada da pele, principalmente na ponta dos dedos e lábios;
  • Arritmia cardíaca.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, as doenças graves no coração do recém-nascido são as que mais podem ameaçar a vida do bebê, se não abordadas precocemente.

A maioria pode ser identificada pela ecocardiografia fetal e, quando o diagnóstico não pode ser feito por meio desse exame, o Teste do Coraçãozinho irá revelar se há algum problema.

O Teste do Coraçãozinho faz parte da relação de exames que devem ser realizados no recém-nascido ainda na maternidade, após as primeiras 24 horas de vida e antes da alta hospitalar, para rastreio de cardiopatias congênitas críticas. Ele consiste na medição da saturação (níveis de oxigênio no sangue) do bebê, através da utilização de um aparelho denominado oxímetro.

A monitorização da oximetria de pulso utiliza uma fonte de luz e um sensor para medir o oxigênio no sangue. O sensor é enrolado à volta da mão direita (pré ductal) e posteriormente à volta do pé do bebê (pós ductal). A luz que passa através da pele mede a quantidade de oxigênio no sangue. O teste é rápido, dura de três a cinco minutos e é indolor.

Por que as doenças do coração preocupam?

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde demonstram que essas anormalidades congênitas representam uma importante causa de mortalidade no primeiro ano de vida, correspondendo de 2 a 3% entre as mortes neonatais.

De acordo com o estudo, no Brasil, as doenças cardíacas possuem uma prevalência de 6/1000 crianças nascidas vivas. Nos últimos 15 anos, esses dados vêm aumentando para 9/1000 crianças. “Cerca de 70% dos pacientes com cardiopatias graves não chegarão aos 18 anos de idade. Essas doenças que afetam o sistema cardiovascular estão entre as principais causas de óbitos no mundo, chegando a 30%”, publicou o MS.

Sopro

Inicialmente sobre os achados, é preciso ressaltar que um bebê que tenha sopro, não sofre, necessariamente, de uma doença cardíaca. Por isso o acompanhamento com o pediatra se faz necessário.

Seguindo a literatura científica, o sopro funcional é um achado extremamente comum em crianças normais e seu diagnóstico é clínico, podendo desaparecer com o tempo.

Existem muitas crianças que, nas primeiras horas de vida, são diagnosticadas com sopro e podem ter uma vida normal.

Arritmia

No caso da arritmia cardíaca, que é uma alteração no ritmo do batimento do coração, é importante avaliar se há um defeito estrutural congênito associado.

O diagnóstico pelo cardiologista e exames específicos são importantes. Vale lembrar que alguns exames podem ser realizados ainda durante a gestação.

As formas mais comuns de arritmia encontradas no neonato são as consideradas benignas e que podem ocorrer em até 20% dos prematuros, nos primeiros dias de vida, sem necessitar de terapia.

Qual tratamento?

Em muitos casos, no entanto, pode ser necessário o uso de medicamentos ou cirurgia, sem prejuízo às atividades rotineiras futuras.

O que observar?

Mantenha a consulta regular ao pediatra e observe se o bebê apresenta:

  • Cianose, ponta dos dedos e lábios roxos;
  • Cansaço ao mamar no peito;
  • Suor excessivo;
  • Ausência de apetite;
  • Respiração rápida e curta;
  • Dificuldade de ganho de peso;
  • Agitação.

Com os avanços da medicina, as expectativas em relação às cardiopatias em crianças são cada vez mais positivas. O principal é o controle médico e a atenção dos pais diante dos sinais apresentados para um diagnóstico imediato e precoce.

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