Médica e paciente em um consultório discutindo sobre os tratamentos da endometriose enquanto interagem com um tablet

Dr. Valbert Sales

A endometriose é uma condição em que um tecido semelhante ao endométrio (revestimento interno do útero) é encontrado em locais anormais, como: ovários, tubas uterinas, peritônio, bexiga e intestino.

As causas da endometriose são desconhecidas e ela pode provocar sintomas que variam de acordo com a sua localização. Dor pélvica, cólicas menstruais e sangramento intenso são alguns sintomas comuns.

Uma consequência comum (e temida) da endometriose é a infertilidade, que ocorre em 30 a 40% dos casos.

Infelizmente, ainda não há uma cura para a endometriose. Porém, o tratamento com medicamentos e cirurgia pode controlar a doença. Hoje, vamos conversar um pouco sobre todas as opções disponíveis para essa condição.

Vamos lá?

Primeiramente: para o quê serve, então, o tratamento para endometriose se ela não pode ser curada? (H₂)

A maioria das alternativas que tratam a endometriose visam:

  • aliviar os sintomas da paciente;
  • retardar o crescimento do tecido (endométrio) para outras partes do corpo como, por exemplo, o intestino;
  • melhorar a fertilidade.

Como escolher o melhor tratamento?

A escolha do melhor tratamento para cada mulher depende de uma série de fatores. São eles:

  • idade;
  • sintomas;
  • desejo de engravidar;
  • receios com relação a procedimentos cirúrgicos;
  • se a paciente já se submeteu a um dos tratamentos para endometriose antes.

Vale ressaltar que, caso os sintomas da endometriose sejam leves e a condição não comprometa a fertilidade da mulher, o tratamento pode nem sequer ser necessário. Porém, é preciso acompanhamento regular para monitorar se o tecido não está crescendo em direção a outros órgãos.

Antiinflamatórios

A endometriose frequentemente causa dor, principalmente nas regiões pélvica e lombar, e cólicas intensas durante a menstruação.

Uma das melhores formas de se amenizar os sintomas é recorrer a analgésicos e anti-inflamatórios. Porém, lembre-se de pedir conselhos à ginecologista antes de decidir qual remédio tomar.

Tratamento hormonal

O tratamento hormonal tem como objetivo limitar a produção de estrogênio no corpo, já que esse hormônio estimula o crescimento e a eliminação do tecido semelhante ao endométrio.

Algumas das principais opções à base de hormônios para endometriose incluem:

  • pílula anticoncepcional oral combinada (contém os hormônios estrogênio e progesterona. Além de impedir a liberação dos óvulos, torna a menstruação mais leve e controla bem os sintomas da endometriose);
  • progestagênios (DIU hormonal, implantes, injeção/adesivos anticoncepcionais etc. Todos eles, além de serem excelentes métodos contraceptivos, evitam que o revestimento do útero e qualquer tecido de endometriose cresçam rapidamente para outros órgãos).

Vale ressaltar que qualquer uma dessas opções deve ser discutida e ponderada por você e sua ginecologista. Afinal, cada uma possui seus prós e contras.

Cirurgia

A cirurgia é uma das principais alternativas para quem deseja melhorar os sintomas da endometriose e, claro, aumentar a fertilidade. O tipo de procedimento, no entanto, depende da localização do tecido. As principais opções são:

Videolaparoscopia

Durante a laparoscopia, são feitas pequenas incisões no abdome/pelve para que o tecido da endometriose seja destruído. Para isso, o profissional conta com um laparoscópio, instrumento em forma de tubo com uma forte luz e câmera em sua extremidade.

Para a destruição/retirada do tecido, por sua vez, podem ser usados recursos que aplicam calor, laser, correntes elétricas ou feixes de gás. Tudo depende da técnica escolhida pela equipe médica.

O procedimento é realizado sob anestesia geral e, portanto, exige internação. O tempo de recuperação varia de acordo com o nível da endometriose.

Por fim, vale ressaltar que a laparoscopia pode aliviar os sintomas da endometriose e até mesmo eliminar todo o tecido excessivo. Porém, os problemas podem reaparecer com o tempo, fazendo com que seja necessário um tratamento hormonal antes e depois da cirurgia para evitar essa situação.

Histerectomia

Se a laparoscopia ou a terapia hormonal não tiveram resultados satisfatórios e a paciente decidiu não ter mais filhos, a remoção do útero (histerectomia) pode ser uma opção.

É importante lembrar que a histerectomia não podem ser revertida e os sintomas da endometriose podem persistir após a operação, especialmente se os ovários forem poupados.

Caso a paciente decida por remover os ovários, ela provavelmente precisará recorrer a uma terapia de reposição hormonal posteriormente.

Enfim… resumindo:

Os prós e contras de cada tratamento para endometriose
TratamentoPrósContras
fazer apenas o monitoramento da endometriose
  • não sofrer os efeitos colaterais dos medicamentos comumente utilizados para essa condição;
  • não se expor a uma cirurgia.
  • a maioria dos sintomas continuará presente e, dependendo da situação, podem piorar.
recorrer a analgésicos e anti-inflamatórios não esteróides (AINES)
  • são de fácil acesso;
  • não costumam provocar efeitos colaterais.
  • podem não ser eficazes;
  • o uso de AINES, a longo prazo, pode ser prejudicial à saúde.
tratamentos hormonais
  • reduzem a maioria dos sintomas não só da endometriose, mas da menstruação também;
  • alguns deles são contraceptivos;
  • retardam a evolução da endometriose.
  • costumam provocar efeitos colaterais como sensibilidade nos seios, ganho de peso, dores de cabeça, mau humor etc;
  • não contribuem para o aumento da fertilidade da mulher.
laparoscopia
  • oferece uma “cura a longo prazo”;
  • é também uma ferramenta diaósticao;
  • não exige o uso de medicamentos a longo prazo.
  • nem todos os casos podem ser tratados desta forma;
  • existem riscos associados à cirurgia;
  • pode não ser efetiva contra a dor;
  • a endometriose pode voltar.
histerectomia
  • oferece uma “cura a longo prazo”;
  • não exige o uso de medicamentos a longo prazo;
  • a mulher deixa de menstruar.
  • os riscos são maiores do que uma laparoscopia;
  • torna a mulher infértil;
  • em alguns casos, pode exigir terapias de reposição hormonal.

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