Menina autista sendo tratada por uma psicóloga em um clínica. Elas estão fazendo exercícios usando as mãos e a boca.

Dra. Luciana Rocha

Cada criança ou adulto com transtorno do espectro autista (TEA) tem características e desafios únicos. Por isso, não existe um protocolo de tratamento que atenda a todos os casos.

O plano de intervenção deve ser elaborado individualmente para abordar as necessidades específicas de cada indivíduo. Os objetivos principais das terapias são: minimizar os sintomas e comportamentos inadequados, estimular o desenvolvimento cognitivo e cultivar habilidades. A abordagem deve cultivar a independência da criança e sua participação na sociedade.

Os maiores benefícios do tratamento são alcançados quando ele é iniciado precocemente, antes dos três anos de idade. Por isso, ficar atento aos sinais e fazer o diagnóstico rapidamente é extremamente importante.

Entretanto, não devemos negligenciar a intervenção em crianças mais velhas e adultos, que também podem obter bons resultados com terapias bem indicadas e aplicadas.

Objetivos das intervenções no autismo

  • Minimizar as deficiências nas áreas da comunicação e interação social, para uma melhor integração da criança à sociedade.
  • Melhorar comportamentos relacionados a interesses restritos e ações repetitivas.
  • Estimular a independência funcional por meio da aquisição de habilidades adaptativas.
  • Eliminar, minimizar ou prevenir questões comportamentais que podem interferir nas habilidades funcionais.

Equipe multidisciplinar

O plano de tratamento é elaborado de acordo com as necessidades de cada paciente e sua faixa etária. A intervenção envolve uma equipe multidisciplinar:

  • neuropediatra;
  • pediatra;
  • fonoaudióloga;
  • terapeuta ocupacional;
  • psicóloga.

O neuropediatra é responsável pelo diagnóstico, que se baseia no DSM-5 (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais). Junto a equipe, ele estabelece o programa de tratamento e acompanha o desenvolvimento da criança ao longo dos meses que se seguem.

O neuropediatra também detecta e trata condições associadas como a epilepsia e distúrbios do sono, frequentes em pacientes com TEA.

O pediatra da equipe, por sua vez, acompanha o crescimento das crianças e avalia condições médicas associadas como obesidade, constipação intestinal, dor abdominal e refluxo gastro-esofágico. Ele também avalia a saúde dental dos pacientes.

Além da equipe principal, outros profissionais acompanham a criança com TEA de acordo com a necessidade, como o otorrinolaringologista, o oftalmologista e o nutricionista ou nutrólogo.

Estratégias de tratamento comprovadas

A maioria dos modelos de tratamento e intervenção baseados em evidências científicas seguem os princípios do ABA (Applied Behavior Analysis), uma ciência voltada para a compreensão e aprimoramento do comportamento humano.

As intervenções ABA são realizadas de forma individualizada e intensiva, focando nos comportamentos alvo por meio do reforço das habilidades não alcançadas, geralmente associadas à linguagem e comportamentos inadequados.

Terapia fonoaudiológica

As crianças com TEA apresentam atraso de linguagem e dificuldades de comunicação não verbal (como o uso de gestos e contato visual). Além disso, têm dificuldade na compreensão da linguagem dentro do contexto de uma conversa, por exemplo, o que dificulta as interações sociais.

A terapia fonoaudiológica promove o desenvolvimento dessas habilidades, melhorando a comunicação e a socialização da criança.

Outro aspecto tratado nessas sessões, quando necessário, são as dificuldades alimentares características do TEA, associadas à aceitação de diferentes texturas de alimentos.

Terapia ocupacional

Crianças com TEA muitas vezes apresentam dificuldades motoras que comprometem o auto-cuidado, o desenvolvimento da escrita e até as brincadeiras. A terapia ocupacional (TO) aborda e trata esses desafios, ajuda na criação das rotinas e orienta modificações no ambiente.

Outro problema frequente abordado nas sessões de TO são as alterações sensitivas, caracterizadas por reações diminuídas ou aumentadas a estímulos externos (ex: tato, audição).

Psicologia

O TEA está frequentemente associado a alterações psiquiátricas como:

  • transtorno da ansiedade;
  • transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);
  • transtorno disruptivo (agressividade, auto-agressão);
  • transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

A abordagem desses problemas é feita por meio da terapia cognitivo-comportamental.

A psicóloga também é responsável pelo apoio à família e pelo treinamento dos pais e cuidadores.

Intervenções educacionais

Programas educacionais para crianças com TEA devem ser individualizados e promover o desenvolvimento de habilidades sociais, acadêmicas, adaptativas e de linguagem. O objetivo é aumentar as chances de um acesso futuro à educação superior e ao mercado de trabalho.

Existem alguns modelos de intervenção, utilizados conforme a idade e a necessidade da criança:

  • LEAP (Learning alternative programs for preschoolers and their parents);
  • TEACCH (Structured teaching).

Paralelamente, os educadores devem ser preparados para lidar com uma criança com TEA.

E, por fim: treinamento de pais

A participação dos pais e cuidadores no tratamento do TEA são fundamentais. Porém, muitas famílias têm dificuldade em aceitar o diagnóstico e a negação atrasa a busca por ajuda e o início do tratamento, piorando o prognóstico.

O apoio às famílias e o treinamento dos pais são parte importante do processo. As intervenções mediadas pelos pais, baseadas nas abordagens do ABA, trazem benefícios enormes para as crianças.

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