Tratamento do câncer: o que há de novo?

Otorrinolaringologista examinando a garganta de uma jovem

Dra. Carolina Rutkowski

Nunca houve tantos avanços na terapia contra o câncer quanto na última década. Os tratamentos convencionais, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia, tornaram-se mais eficazes e disponíveis para muitos tipos de tumores.

A imunoterapia, considerada o maior avanço no tratamento do câncer nos últimos anos, atua no sistema imunológico potencializando a sua capacidade de combater a doença.

Além disso, as estratégias do tratamento passaram a ser individualizadas.

Sendo assim, que tal entendermos um pouco mais sobre os tratamentos disponíveis e como eles conseguem combater o câncer?

Cirurgia

A cirurgia pode ser utilizada no tratamento do câncer com os seguintes objetivos:

  • Prevenção: a cirurgia preventiva, ou profilática, é realizada para remover um tecido, ou órgão que tem risco aumentado de desenvolver câncer, mas que ainda está sadio no momento da operação. Um exemplo disso é a remoção da mama em mulheres que apresentam uma mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, pois isso aumenta muito a chance de câncer de mama e ovário ao longo da vida.
  • Diagnóstico: cirurgias podem ser necessárias para retirar uma amostra de tecido suspeito para análise microscópica (biópsia).
  • Estadiamento: é a pesquisa para determinar quais órgãos e tecidos foram alcançados pelas células cancerígenas. A cirurgia para estadiamento examina os tecidos em torno do tumor, incluindo linfonodos e órgãos adjacentes, para determinar o quanto o câncer se espalhou.
  • Redução do tumor: alguns tumores são muito grandes e não é possível removê-los totalmente. Os médicos podem retirar cirurgicamente o máximo possível e tratar o restante com radiação ou quimioterapia, por exemplo.
  • Cirurgia paliativa para tratamento das complicações: utilizada para tratar alterações causadas por um câncer avançado, como obstruções, compressão de outros órgãos ou dor.
  • Cirurgia curativa: tem como objetivo remover completamente o tumor, com margens livres. Pode ser associada a outros tratamentos anteriores ou posteriores à operação.

Quimioterapia

A quimioterapia utiliza medicamentos para tratar o câncer. Eles são citotóxicos, ou seja, destroem as células tumorais.

O problema é que as drogas não conseguem diferenciar entre as células do câncer e as normais, e muitas células não tumorais sofrem os efeitos do tratamento. Isso resulta em uma série de reações colaterais desagradáveis.

A boa notícia é que as células normais se recuperam com o tempo, enquanto as células tumorais não.

Indicações de quimioterapia

A quimioterapia pode ser usada em diversos cenários:

  • Curativa: o tratamento tem o objetivo de eliminar o câncer.
  • Neoadjuvante: a quimioterapia é utilizada antes do tratamento local do tumor (uma cirurgia, por exemplo). O objetivo é reduzir o tamanho da lesão e melhorar a eficácia do procedimento, além de reduzir o impacto para o paciente.
  • Adjuvante: a quimioterapia é utilizada após cirurgia ou radioterapia. Neste caso, ela tem o objetivo de complementar o tratamento local, erradicando possíveis células tumorais remanescentes.
  • Paliativa: tem o objetivo de lentificar a progressão da doença e proporcionar mais tempo e qualidade de vida ao paciente, que neste contexto, é portador de doença avançada e incurável.

Medicamentos quimioterápicos

O tipo de medicamento, frequência e duração da quimioterapia dependem de vários fatores:

  • tipo e subtipo de câncer;
  • estadiamento;
  • resultado de testes nas células tumorais (biomarcadores);
  • idade e estado de saúde do paciente;
  • histórico de tratamentos anteriores.

Cada medicamento quimioterápico age de forma diferente e é utilizado isolado ou combinado com outras drogas para tratar os vários tipos de câncer.

Radioterapia

A radioterapia utiliza raios X, raios gama, feixes de elétrons ou prótons para destruir as células tumorais. Ela é aplicada de forma localizada, afetando apenas a parte do corpo a ser tratada.

Mais da metade dos pacientes com câncer recebem radioterapia como único tratamento ou em combinação com outras terapias.

Indicações de radioterapia

  • Curativa: tem o objetivo de curar o câncer;
  • Neoadjuvante: realizada antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor e facilitar a sua retirada;
  • Adjuvante: após a remoção do tumor, é utilizada para reduzir as chances de recidiva;
  • Profilática: é usada em outras áreas do corpo com altas chances de metástase, para impedir que o tumor se desenvolva;
  • Paliativa: utilizada para reduzir o tumor e melhorar sintomas como dor, sangramento, úlcera etc.

Terapia alvo

A terapia alvo é dirigida a receptores específicos encontrados nas células tumorais. Elas podem bloquear os estímulos que fazem a célula crescer ou fazer com ela destrua a si mesma.

A terapia alvo pode ser usada isoladamente ou associada a outras modalidades de tratamento como quimioterapia, radioterapia e cirurgia.

Muitos tipos de terapias alvo estão sendo desenvolvidos a cada ano, com resultados excelentes.

Terapia hormonal

Essa terapia atua em hormônios que estimulam o crescimento de alguns tipos de câncer como mama, próstata e endométrio. Nesses tumores, as células possuem receptores para os hormônios sexuais (estrógeno, progesterona ou testosterona), que são responsáveis pelo seu crescimento.

Os medicamentos utilizados na terapia hormonal do câncer interrompem a produção desses hormônios ou bloqueiam os receptores, impedindo que a célula tumoral os utilize.

Anticorpos monoclonais

Anticorpos são proteínas que defendem o organismo de invasores. Em laboratório, são desenvolvidos anticorpos que reconhecem determinadas células tumorais. Eles se ligam a receptores específicos nestas células, impedindo sua replicação.

Vacinas anticâncer

Nas últimas décadas foram desenvolvidas vacinas para prevenir ou tratar certos tipos de câncer.

Vacinas para prevenir o câncer

Alguns vírus são causadores de câncer, de forma que prevenir a infecção por esses agentes auxilia na prevenção daquele câncer específico.

Alguns exemplos são:

  • Vacina contra o HPV: alguns tipos de HPV (Papiloma vírus humano)estão associados ao câncer de colo do útero.
  • Vacina contra a hepatite B: portadores de hepatite B têm maior chance de desenvolver câncer de fígado.

Vacinas para tratar o câncer

As vacinas desenvolvidas contra o câncer fazem com que o sistema imunológico ataque as células tumorais.

Um exemplo é a vacina Provenge (Sipuleucel-T) utilizada para tratar o câncer de próstata avançado. Ela não cura o câncer, porém aumenta a sobrevida dos pacientes.

Imunoterapia

As células tumorais têm a capacidade de “cegar” o sistema imunológico, impedindo que ele as enxergue como “inimigas” e as ataque.

O objetivo da imunoterapia é estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer as células cancerígenas como anormais e a produzir uma resposta eficiente que destrua o câncer.

Existem muitos tipos de imunoterapia e vários novos medicamentos são desenvolvidos a cada ano. Alguns exemplos são:

  • Inibidores dos checkpoints imunológicos: essas drogas retiram os “freios” do sistema imunológico, ajudando-o a reconhecer e atacar as células tumorais.
  • Citocinas: citocinas são proteínas que transmitem mensagens entre as células do corpo. Nesse caso, elas estimulam o sistema imune a atacar as células tumorais.
  • Imunomoduladores: drogas que estimulam as respostas imunológicas do paciente contra alguns tipos de câncer.
  • Vírus oncolíticos: vírus modificados em laboratório, utilizados para infectar e matar alguns tipos de células cancerígenas.
  • Terapia do receptor de antígeno quimérico de células T (CAR-T cells): nessa terapia, células de defesa do organismo, conhecidas como linfócitos T, são retiradas do paciente. Em laboratório, elas são expostas a um vírus que as “ensina” a atacar as células do tumor que aquele paciente apresenta. Os linfócitos são reaplicados no paciente para “matar” o câncer. É um tratamento altamente individualizado.

Transplante de células-tronco

Em alguns tipos de câncer, como o mieloma múltiplo, linfoma e alguns tipos de leucemia, por exemplo, o tratamento com radioterapia e quimioterapia compromete a capacidade do organismo de produzir células sanguíneas (leucócitos, hemácias e plaquetas).

As células-tronco, quando aplicadas no paciente, dirigem-se à medula óssea, onde passam a produzir essas células. Elas podem ser provenientes do próprio paciente, de um irmão gêmeo ou outro doador compatível.

Medicina personalizada no tratamento do câncer

Até pouco tempo atrás, o tratamento do câncer seguia protocolos baseados exclusivamente no estadiamento do tumor. Os pacientes respondiam de forma diferente às terapias e os médicos não sabiam exatamente o porquê.

Após décadas de pesquisa, os cientistas entenderam que, dentro de uma mesma doença, existem tumores diferentes, com características genéticas próprias.

Hoje se sabe que é possível realizar o mapeamento genético e de biomarcadores do tumor e, baseado nesse resultado, prever como será a resposta a determinados medicamentos e quais as melhores opções terapêuticas.

Além disso, várias drogas estão sendo desenvolvidas contra receptores específicos presentes na superfície das células cancerígenas, criando novas possibilidades de terapias alvo cada vez mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

Pessoas com melanoma, alguns tipos de leucemia, câncer de mama, pulmão, cólon e reto, podem ter seus tumores testados antes do início do tratamento.

Apesar desse tipo de terapia não estar ainda disponível para todos os tipos de câncer, os avanços são rápidos e muitos medicamentos estão em fase de testes, apresentando resultados promissores.

Banner de divulgação do ebook sobre câncer

Gostou do texto? Mantenha-se sempre atualizado sobre as melhores escolhas para a sua vida com o nosso Blog e redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter)! Estamos te esperando.

Deixar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *