Close de menina segurando um prato que contém apenas um pepino para representar um transtorno alimentar

Dra. Denise Brasileiro

Não é novidade para ninguém que, muitas vezes, os transtornos alimentares se iniciam da puberdade para frente. Contudo, poucas pessoas sabem que estes problemas podem começar ainda na infância e que isso, nos últimos anos, têm se tornado cada vez mais comum.

Por isso, é de extrema importantância que os pais, ou qualquer pessoa que trabalhe com crianças pequenas, saibam quais são estes distúrbios, seus primeiros sinais e sintomas e, claro, como lidar com eles da forma correta. Afinal, a má nutrição podem causar danos significativos ao corpo/organismo de uma criança.

A boa notícia é: estamos aqui para isso! Hoje, nosso objetivo é bater um papo com você, leitor(ra), sobre os principais transtornos alimentares na infância. E aí, pronto(a) para saber tudo o que precisa sobre esse assunto? É só continuar conosco!

Transtornos alimentares na infância: visão geral

Os distúrbios alimentares em crianças causam sérias mudanças nos hábitos alimentares destas. Isso pode levar a problemas de saúde graves, e até mesmo fatais.

Atualmente, existem três tipos principais de transtornos alimentares na infância. É claro que vamos falar mais sobre eles ao longo do texto mas, por enquanto, descubra já quais são eles:

  • Anorexia nervosa;
  • Bulimia nervosa;
  • Transtorno de compulsão alimentar.

Além destes, existem mais 3 tipos que, apesar de raros, também ocorrem entre os pequenos e por isso, também receberão nossa atenção:

  • PICA;
  • Transtorno de ruminação;
  • Transtorno alimentar restritivo/evitativo.

Os perigos dos distúrbios alimentares

Os distúrbios alimentares em crianças e adolescentes podem levar a uma série de graves problemas. Afinal, a desnutrição não afeta somente o corpo, mas sim a mente, podendo causar atrasos no desenvolvimento cognitivo e de aprendizado da criança, por exemplo.

Além disso, os transtornos alimentares na infância não são superados por simples força de vontade. Logo, o pequeno precisará de tratamento, atenção e cuidados sérios para se recuperar.

Por fim, lembre-se: os melhores resultados ocorrem quando os distúrbios alimentares são tratados nos estágios iniciais.

O que causa os transtornos alimentares na infância?

Os médicos não sabem ao certo A REAL causa dos distúrbios alimentares. Contudo, há uma suspeita de que ela seja, na verdade, uma combinação de fatores biológicos, comportamentais e sociais.

Por exemplo: os jovens podem ser influenciados pelas mídias, que favorecem os padrões de beleza de que corpos muito abaixo do peso são os mais belos e saudáveis, ou ainda têm pais que nutrem essa cultura de um jeito não saudável e por aí vai. Além disso, muitas crianças e adolescentes com distúrbios alimentares enfrentam um ou mais dos seguintes problemas:

  • angústia;
  • medo de ficarem acima do peso;
  • sentimentos de desamparo;
  • baixa autoestima.

Para lidarem com esses problemas, crianças e adolescentes podem adotar hábitos alimentares prejudiciais. De fato, os distúrbios alimentares geralmente andam de mãos dadas com outros problemas psiquiátricos, como os seguintes:

  • transtornos de ansiedade;
  • depressão;
  • abuso de substâncias.

Como saber se a criança está com algum transtorno alimentar?

A detecção e prevenção precoces são essenciais para o tratamento dos transtornos alimentares na infância.

Os sinais, geralmente, são sutis. Afinal, apesar das causas que citamos acima, a criança não precisa, necessariamente, concentrar-se na imagem corporal, ou no peso em si, para ter um distúrbio alimentar. Porém, eles costumam incluir:

  • aversão a gostos ou texturas;
  • birras;
  • movimentos intestinais excessivos;
  • preocupar-se em excesso com a imagem corporal.

Além disso, os sintomas de um distúrbio alimentar mais desenvolvido costumam ser:

  • abster-se de comer;
  • reduzir as porções dos alimentos;
  • perda de peso;
  • falta de crescimento;
  • queda de cabelo;
  • atraso da puberdade;
  • problemas de constipação ou digestão;
  • ocultar ou acumular alimentos;
  • mudanças de humor;
  • crescimento de pêlos finos no corpo.

Agora sim: quais são os tipos mais comuns de transtornos alimentares na infância? (h2)

1. Anorexia nervosa

Crianças com anorexia acham que estão acima do peso quando, na verdade, parecem estar muito abaixo para outras pessoas.

Os pequenos podem ficar obcecados com a ingestão de alimentos e, claro, com o controle do peso. Por isso, costumam, ainda, exercitarem-se intensamente ou em excesso, e vomitar logo após cada refeição.

A anorexia pode causar danos significativos à saúde física e ao crescimento. Por isso, é importante procurar tratamento o mais rápido possível para a criança.

2. Bulimia nervosa

Na maioria das vezes, é caracterizada por um ciclo crônico de compulsão alimentar (excesso) e purga (usando vários métodos para eliminar o excesso de calorias do corpo, como vômito, laxante etc).

A criança que vive com bulimia nervosa passa muito tempo comendo quantidades excessivas de alimentos e, depois, tenta se livrar das calorias ingeridas de qualquer jeito. Ela pode, ainda, comer escondido e MUITO, a ponto de estender demais o estômago até sentir dor, e depois tentar eliminar toda a refeição.

3. Transtorno da compulsão alimentar periódica?

O transtorno da compulsão alimentar periódica (ou TCAP) é caracterizado por ingestão regular e compulsiva de grandes quantidades de alimentos, geralmente de forma rápida, e ao ponto de gerar desconforto ou dor de estômago.

Um fator que distingue o TCAP dos excessos normais e ocasionais é a sensação de que o pequeno não tem controle sobre seus hábitos alimentares. Ele pode comer demais, muito rapidamente, e permanecer comendo mesmo quando está satisfeito, ou até mesmo preferir comer sozinho por vergonha, ou culpa, da quantidade que ingere em cada refeição.

4. Síndrome de PICA (alotriofagia)

A pica é um tipo de condição em que uma criança costuma comer substâncias não alimentares ou não nutricionais de forma persistente. E sim: estamos falando de giz de cêra, batom, borracha, terra, sabão, sujeira etc).

Para ser diagnosticado com pica, o comportamento deve ficar fora do nível de desenvolvimento esperado da criança (ou seja, uma criança que somente mastiga os objetos, ou os coloca na boca, não se qualifica).

5. O distúrbio da ruminação

É um distúrbio alimentar em que uma pessoa, geralmente um bebê ou criança pequena, recupera (regurgita) e mastiga novamente alimentos parcialmente digeridos. Na maioria dos casos, os alimentos re-mastigados são novamente engolidos. Porém, ocasionalmente, o pequeno o cuspirá de novo.

Para ser considerado como um dos transtornos alimentares na infância, esse comportamento deve ocorrer em crianças que já comiam normalmente, e deve acontecer regularmente por, pelo menos, um mês.

6. Transtorno alimentar restritivo/evitativo

Crianças com esse distúrbio costumam sentir falta de interesse por alimentos, ou até mesmo aversão sensorial a alguns deles. Elas também podem ter medo de passarem mal por causa de alguma coisa que comeram.

Por fim, essas aversões e restrições podem levar à perda de peso e deficiência nutricional.

Tratamentos

Existem muitos componentes no tratamento de distúrbios alimentares entre crianças pequenas. A recuperação do peso é um componente essencial para que a saúde física e nutricional do pequeno seja restaurada.

Como os pais e responsáveis ​​desempenham um papel tão significativo na vida da criança, a intervenção e o tratamento com base na família são altamente recomendados.

Além disso, é importante entrar em contato com o pediatra, nutricionista ou outros profissionais de saúde mental do seu filho para ajudá-lo a sentir-se apoiado e obter os melhores cuidados para seu filho.

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