Pai e filho sorrindo e se divertindo em frente à uma mesa

Dra. Valéria Rocha

A criança já acorda a mil. Corre de um lado para o outro, espalha os brinquedos, sobe nas coisas etc. A casa está sempre uma bagunça! Na escola, sua agitação atrapalha os colegas e ela não consegue se concentrar para aprender. Levanta da cadeira a cada minuto, não faz anotações e nem termina as provas. Suas notas são ruins, apesar de ser considerada uma criança inteligente.

Esse quadro é muito comum nos dias de hoje e caracteriza o Transtorno de Déficit Atenção e Hiperatividade (TDAH). Essa doença acomete cerca de 7% das crianças em todo o mundo.

Seus principais sintomas são:

  • falta de atenção;
  • dificuldade de concentração;
  • comportamento hiperativo e impulsivo.

Na verdade, a criança com TDAH tem um excesso de atividade cerebral e sua atenção pula de um objeto ao outro rapidamente. Ela não consegue escolher no que se concentrar e está atenta a várias coisas ao mesmo tempo.

Os especialistas costumam dizer que é como ter “um cérebro com motor de Ferrari e freios de bicicleta”. A concentração em uma tarefa específica exige um grau de autocontrole que a criança com TDAH não possui. As principais consequências da doença são um desempenho escolar ruim, problemas sociais e de disciplina.

Diagnóstico do TDAH

O TDAH é o transtorno de comportamento mais comum nas crianças. Não existe um teste específico capaz de diagnosticar a doença e alguns distúrbios do sono, ansiedade e depressão têm sintomas semelhantes.

Para ser diagnosticada com TDAH, a criança deve apresentar em mais de um ambiente (ex: casa e escola) um conjunto de sintomas característicos de déficit de atenção e/ou hiperatividade/impulsividade.

É necessário, também, que estes sintomas tenham aparecido antes dos 12 anos de idade e o quadro precisa ser persistente, com pelo menos seis meses de duração, e interferir nas atividades diárias da criança.

Sinais de falta de atenção

A criança costuma:

  • ter dificuldade de se concentrar;
  • distrair-se com qualquer coisa;
  • não escutar quando chamada;
  • cometer muitos erros nas tarefas e provas;
  • viver esquecendo as coisas;
  • mudar de atividade constantemente;
  • não conseguir seguir instruções ou obedecer ordens;
  • não completar tarefas tediosas ou longas;
  • ser desorganizada.

Sinais de hiperatividade e impulsividade

A criança:

  • não consegue se sentar quieta e está sempre em movimento;
  • tem dificuldade para se concentrar nas tarefas;
  • fala demais e interrompe as conversas dos outros;
  • não consegue esperar a sua vez;
  • age sem pensar;
  • tem pouca noção de perigo.

Como lidar com uma criança com TDAH?

Os pais de uma criança com TDAH sabem muito bem que conversar com ela pode não trazer bons resultados.

Ela deixou o copo cair porque estava desatenta e apressada? Pedir para que ela “preste atenção, segure o copo com as duas mãos e ande devagar” pode parecer uma conversa perfeitamente adequada. Porém, ela irá esquecer rapidamente o que lhe foi dito e é provável que outro copo se quebre no dia seguinte.

A linguagem não é a melhor forma de modular o comportamento de uma criança com TDAH. Por isso, a psicoterapia ou sessões de aconselhamento não são eficazes. É preciso aprender a modificar o contexto e as circunstâncias das situações para melhorar o comportamento da criança.
Por exemplo: se ela tiver dificuldade para estudar, um grupo de estudos pode ajudar. Se tiver dificuldade em se concentrar na leitura, outra pessoa pode ler para ela.

O segredo para lidar com uma criança com TDAH é fazer as coisas de forma diferente, modificando o ambiente ou fatores externos para ajudá-la a executar as tarefas do seu jeito.

Sobre a terapia comportamental

A primeira intervenção do tratamento de uma criança com TDAH é sempre a terapia comportamental, associada ou não à medicação.

A terapia aborda problemas específicos de comportamento por meio de rotinas e sistemas de recompensa. Podem ser usadas listas de tarefas escritas ou com desenhos para lembrá-la do que fazer. Sempre que a criança conseguir cumprir os combinados, uma pequena recompensa deve ser oferecida.

Quando indicados, os medicamentos têm o objetivo de melhorar a concentração, reduzir a impulsividade e ajudar a criança a direcionar a atenção para a tarefa a ser executada.

Os principais efeitos adversos do tratamento são redução do apetite, dificuldade para dormir e irritabilidade. Especialmente no fim do dia, quando o efeito da medicação está acabando, a criança pode ficar irritada e agressiva.

Existe cura para o TDAH?

O diagnóstico e intervenção precoces podem controlar os sintomas do TDAH e prevenir o desenvolvimento de outros problemas associados à doença.

Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maiores as chances de evitar dificuldades escolares, baixa autoestima, problemas de comportamento e abuso de drogas.

O apoio de profissionais qualificados, e dos professores e responsáveis na escola, é essencial para o sucesso da intervenção. Os pais e outros adultos envolvidos na vida da criança devem aprender algumas táticas para melhorar seu comportamento e facilitar seu relacionamento com a família e amigos.

Uma criança com TDAH irá se tornar um adulto com os mesmos sintomas?

Nem sempre. Estima-se que a metade dos pacientes irá apresentar sinais da doença também na idade adulta. Por outro lado, muitos irão compreender como seu cérebro funciona e colocar em prática estratégias para controlar o problema, tornando-se adultos inteligentes e produtivos.

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