Alimentação natural canina: quais tipos de carne posso dar ao meu pet?

Cachorro, ao ar livre, comendo sardinha, um dos tipos de carnes na alimentação natural canina

Cada vez mais tutores e seus peludos estão aderindo à alimentação natural. Para os cães, consumir alimentos apropriados para a sua espécie significa viver com mais saúde e por mais tempo! Porém, toda mudança é desafiadora e instituir uma dieta equilibrada e de qualidade pode parecer, no início, um processo complicado.

As dúvidas mais frequentes dos tutores que decidem fazer a transição para a alimentação natural canina são:

  • Quais alimentos podem ser usados?
  • Qual a proporção entre eles?
  • E os tipos de carne? Quais são apropriados para o meu pet?
  • Como conseguir variedade nessa dieta?

A verdade é que para garantir que a dieta seja ideal para o seu pet, um veterinário especializado em nutrição pode ser o seu maior aliado. Cada animal tem necessidades diferentes e, algumas vezes, apresenta doenças ou condições especiais que exigem uma adequação dos alimentos.

Além disso, geralmente é necessário suplementar a alimentação natural com algumas vitaminas e minerais que não são encontrados facilmente nos ingredientes que temos à disposição ou complementar com alguns alimentos que precisam dosagens mais específicas.

Porém, o ideal é que isso seja feito por meio de orientação profissional. A deficiência ou o excesso desses micronutrientes podem ser prejudiciais à saúde dos nossos peludos.

Mesmo assim, é possível responder, em linhas gerais, as dúvidas mais frequentes dos tutores para tornar a transição para a alimentação natural mais fácil e segura.

É claro que preparar os alimentos é mais trabalhoso do que comprar um saco de ração, mas todos que investem nesse tipo de dieta se surpreendem com os resultados e, sem dúvida, não se arrependem!

O que é permitido na alimentação natural para cães?

Os cães devem receber, na alimentação natural, os mesmos tipos de alimentos que consomem na natureza:

  • proteína de origem animal;
  • gordura de boa qualidade;
  • pequena quantidade de frutas e vegetais ricos em antioxidantes e fibras;
  • fontes naturais de minerais, vitaminas e ácidos graxos.

Além disso, os alimentos devem ser frescos, úmidos e não processados. As carnes são a base da dieta dos cães e devem, preferencialmente, ser oferecidas cruas.

Os cães NÃO PRECISAM de grãos, tubérculos, corantes, preservativos artificiais, aditivos, produtos químicos ou comidas processadas.

Proporção entre os alimentos na dieta

A dieta ideal do cão é rica em proteínas de origem animal, moderada em gorduras e pobre em carboidratos, o que corresponde à composição de uma presa na natureza.

Geralmente, a proporção indicada entre os alimentos é:

  • 40% de carnes desossadas;
  • 20% de ossos carnudos;
  • 20% de vísceras musculares;
  • 10% de vísceras secretoras;
  • 5% de frutas e vegetais;
  • 5% de outros alimentos.

Carnes boas para cachorro: quais são elas?

As carnes são o principal componente da dieta dos cães. Elas fornecem proteínas, gordura, vitaminas, minerais e água.

Especialmente nas vísceras musculares e secretoras, há uma quantidade grande de nutrientes como as vitaminas A, D, C, E, K e do complexo B, ácido fólico, cobre, zinco, magnésio, manganês, sódio, fósforo, ferro, selênio e potássio.

É importante variar os tipos de carne oferecidos para garantir uma boa quantidade de cada um dos micronutrientes essenciais.

Tipos de carne sem ossos:

  • Bovinos: cortes magros de acém, músculo, coxão duro, lagarto;
  • Aves (frango, peru, pato): peito, coxa e sobrecoxa desossadas (retirar pele e gorduras visíveis);
  • Peixes: sardinha cavalinha, peixes brancos;
  • Suínos: filezinho e lombo.

Além disso, podem ser utilizados outros tipos de carnes como avestruz, cordeiro e cabra. Porém, são mais difíceis de encontrar e têm custo mais elevado.

Sardinhas valem ouro!

As sardinhas, especialmente inteiras e não evisceradas, são um alimento extremamente rico e interessante na dieta dos cães. Recomenda-se que elas ocupem em torno de 5 a 10% da dieta.

Sardinhas em lata também são interessantes, lavando os pedaços em água corrente antes de oferecê-los.

Tipos de vísceras musculares:

  • bovinos, ovinos e caprinos: língua, coração, pênis, estômago;
  • aves (frango, peru e pato): coração e moela;
  • suínos: coração;
  • avestruz: moela (encontrada desidratada).

Tipos de vísceras secretoras:

  • bovinos: fígado, baço, rim, pulmão, testículo, pâncreas, linfonodos, olhos, timo, cérebro, intestinos, próstata, útero, ovários, placenta e bexiga;
  • ovinos, caprinos e suínos: fígado, baço, rim, pulmão, testículo;
  • aves: fígado;
  • peixes: vísceras frescas (fígado, cérebro e olhos).

Algumas vísceras não possuem venda regulamentada no país, mas podem ser encontradas diretamente com produtores e em açougues que fazem descarna. Recomenda-se cuidado com a escolha, manipulação e conservação, porque se estragam facilmente e podem conter cargas de contaminação mais altas.

Ossos carnudos

Os ossos e cartilagens são essenciais na dieta do cão, pois contém cálcio, fósforo e glicosaminoglicanos e vários aminoácidos essenciais.

Além disso, a mastigação dos ossos é um estímulo mental importante para os cães e promove a limpeza dos dentes. Porém, NUNCA ofereça ossos cozidos ao seu cão, pois eles podem lascar e formar pontas afiadas e perigosas.

Escolha os ossos de acordo com o porte do pet para diminuir a chance de acidentes.

Tipos de carne para cães de grande porte

  • Cortes maiores de frango: coxas, sobrecoxas, dorso, metades;
  • pescoço de peru e pato;
  • costela em ripas, peito e pescoço bovinos serrados;
  • costela em ripas, paleta e pescoço de ovino, caprino e suíno;
  • codornas inteiras;
  • coelhos inteiros ou cortados pela metade;
  • pés de frango, peru e pato.

Tipos de carne para cães de médio porte

  • Sobrecoxas, dorso e asas de frango;
  • pescoço de peru e pato;
  • peito bovino serrado;
  • costela em ripas de ovino, caprino e suíno;
  • codornas inteiras ou cortadas pela metade;
  • coelhos cortados pedaços grandes;
  • pés de frango, peru e pato.

Cães de pequeno porte

  • Pescoço, cabeça e drumet de frango, Rã, Codorna em pedaços;
  • pescoço de peru e pato moídos;
  • osso do peito de ovino picado ou moído;
  • pés de frango, peru e pato picados ou moídos;
  • coelho inteiro moído.

Cães esfomeados tendem a mastigar pouco os ossos e engoli-los inteiros. Nesse caso, os ossos, especialmente o pescoço e os pés, devem ser picados em pedaços menores ou moídos.

Vegetais apropriados para a alimentação natural canina

Para a dieta dos cães, os vegetais não são essenciais. Eles fornecem fibras e fitoquímicos com propriedades antioxidantes e vermífugas, mas não devem ultrapassar 20% da dieta.

Os legumes podem ser cozidos no vapor ou em água para melhorar seu aproveitamento. As frutas podem ser oferecidas cruas, mas não devem ultrapassar 5% da dieta.

Sementes e algas devem ser sempre processados antes da oferta através de moagem, cozimento, demolhagem, fermentação ou germinação.

Verduras

  • Folhas verdes: acelga, rúcula, agrião, espinafre, alface-romana, azedinha, chicória;
  • crucíferas: couve, brócolis, couve-flor, repolho;
  • abobrinha, chuchu, salsão, pepino, aspargo;
  • solanáceas: jiló, berinjela, tomate, pimentão (evitar para animais com alterações intestinais e inflamatórias);
  • abóbora e tubérculos: cenoura vermelha, inhame, batata baroa, yacon (incluir com moderação).

Ervas, brotos e raízes

  • Frescas ou secas: hortelã, manjericão, alecrim, orégano, tomilho, salsinha, coentro, funcho, moringa (utilizar em pequena quantidade);
  • brotos: linhaça, brócolis, girassol e alfafa;
  • raízes frescas ou desidratadas em pó: cúrcuma, gengibre (utilizar em pequena quantidade).

Frutas

  • Frutas vermelhas: amora, mirtilo, framboesa, casca de jabuticaba, acerola sem semente, pitanga sem semente;
  • abacate e coco fresco (moído);
  • bananas frescas verdes ou biomassa;
  • frutas ricas em água: melão, melancia, kiwi, pera sem sementes (incluir com moderação).

Sementes

  • Oleaginosas: linhaça, chia, cânhamo, abóbora, girassol, gergelim;
  • nozes: noz mariposa, pecan, avelã, amêndoa, castanha-do-pará, castanha-de-caju.

Algas

  • Secas: Wakame, Nori e Kombu (incluir com moderação);
  • unicelulares, em pó: Chlorella, Spirulina (incluir com moderação).

Outros alimentos essenciais para a alimentação natural canina

O fator mais importante para uma dieta equilibrada é VARIEDADE AO LONGO DO TEMPO, simulando a oferta de alimentos na natureza.

Os erros mais comuns na alimentação natural caseira são:

  • incluir apenas animais convencionais (boi e frango);
  • utilizar poucas vísceras;
  • não incluir peixes e sementes;
  • oferecer os mesmos alimentos todos os dias.

Dessa forma, incluir outros alimentos torna a dieta mais variada e reduz a chance de deficiência de nutrientes essenciais para a saúde. Seu uso deve ser rotativo, para torná-los ainda mais interessantes:

  • óleo de coco;
  • azeite;
  • óleo de girassol;
  • óleo de linhaça;
  • óleo de peixe;
  • manteiga;
  • sal marinho iodado;
  • ovos;
  • mexilhão e ostras;
  • lácteos fermentados: iogurte, kefir, coalhada, queijos maturados.

Suplementos

O uso de suplementos manipulados é importante para suprir alguma deficiência em determinados perfis de dieta, especialmente em situações de pouca variedade.

Cálcio

Nas dietas caseiras sem ossos, o principal mineral em falta é o cálcio. Ele é essencial para os ossos e para vários processos metabólicos. As três opções para suplementar esse mineral são:

  • pó de cascas de ovos tostadas e moídas;
  • carbonato de cálcio (manipulação);
  • suplemento comercial, como o Food Dog.

Fósforo

Os ossos também são ricos em fósforo, que deve ser oferecido em equilíbrio com o cálcio. Nas carnes e vísceras existem quantidades suficientes de fósforo para os cães adultos. Para filhotes, deve ser procurada ajuda profissional para nos certificarmos do correto aporte desse e outros minerais mineral.

Glicina

Uma alimentação natural sem ossos necessita da adição de uma fonte de glicina: colágeno hidrolisado ou gelatina em pó sem sabor. Caldo de ossos caseiro é também uma ótima opção.

Outros micronutrientes

Mesmo dietas variadas podem apresentar deficiência de Vitamina D, E e K2, assim como os minerais zinco, selênio, magnésio e manganês. Eles podem ser manipulados de forma conveniente e barata pelo veterinário.

Alimentos tóxicos

É preciso conhecer quais são os alimentos tóxicos e perigosos para os cães, que NUNCA devem ser incluídos na dieta, exceto sob orientação profissional:

  • sementes de frutas;
  • uvas e passas;
  • chá (verde ou tostado);
  • chá mate;
  • café;
  • gorduras oxidadas (aquecidas);
  • bebidas alcoólicas;
  • açúcar e adoçantes;
  • aloe vera;
  • batata inglesa;
  • pães, biscoitos e farináceos;
  • maconha;
  • chocolate;
  • macadâmia;
  • carambola;
  • aliáceas (cebola, alho etc);
  • ossos cozidos;
  • casca, folha e sementes de abacate;
  • pequi;
  • neem.

Onde encontrar os ingredientes?

A maior parte dos alimentos que fazem parte da dieta caseira para os cães pode ser encontrada em supermercados, sacolão, feiras e nos açougues. Alguns, no entanto, como as vísceras, podem ser difíceis de encontrar.

A opção é procurar fontes alternativas: açougues que aceitam encomendas, pequenos produtores ou mesmo grupos de tutores em sua cidade, que compram volumes maiores e dividem entre si.

Considerações sobre higiene e contaminação

A qualidades dos ingredientes é importante. Procure açougues inspecionados e organizados. Após a compra, prepare as refeições e congele o mais rápido possível.

O congelamento deve ser feito em freezer, pelo tempo mínimo necessário para eliminar os parasitas que podem ser transmitidos pela carne crua:

  • carne bovina, caprina ou ovina, rã, coelho: 3 dias
  • carne suína: 21 dias;
  • salmão e truta: 7 dias;
  • outros peixes: 2 dias;
  • aves: não é obrigatório.

Como vimos, o tutor dedicado consegue montar uma dieta bioapropriada, rica e variada para o seu peludo, sem muita complicação. Basta ter criatividade, um pouco de organização e muito, muito amor!

 

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Medicina Veterinária

Médico veterinário, especialista em clínica de pequenos animais, oncologia e nutrição veterinária. Consultor e palestrante em alimentação bio-apropriada.

8 Comments

  • Queto saber como fazer uma dieta balanceada para meu pet de 12 anos. Raça: mestiço com pitbull,

    • Olá Rosângela, uma dieta balanceada depende de vários fatores como porte físico do cachorro, idade, raça entre outros.
      Sugerimos que você procure um veterinário especializado em nutrição para que ele possa te ajudar.

      • Bom dia. Achei muito legal a sua página. Agora, gostaria ter uma noção de peso de alimenta por peso de animal. Tenho 2 pastores alemão e 1 Pincher. Eu tava dando ossos bovino com arroz e ração. Percebi que tem que tirar o arroz! O meu gato não suporta nenhum alimenta industrial. Ele só come fígado de frango cozido. Vc acha é melhor dar cru então? Obrigada pela resposta.

  • Link muito bom para se fazer uma dieta balanceada para nossos pets gostaria muito que minha poodel adotada comece alguma variedade o qual foi mencionado mais não sei o porque que o antigo dono dela não dava frutas verduras legumes e outros condimentos para ela hoje ela não come nada disso nem ração já levei ao veterinário e ela me falou para dar petiscos era o que gostava mais por alguns dias mais nem isso quer comer agora só come se tiver osso vegetal o que não larga de jeito nenhum afff o que fazer amo demais ela é fico preocupada com a vitamina que ela não consome já tentei até colocar na boca dela mais elá e inperativa

    • Olá Iracema, tudo bem? Gostaríamos de dizer que sentimos muito pelo que você está passando com sua cachorrinha. Mas aconselhamos que procure um veterinário especialista em nutrição canina. Nossa recomendação, então, é: assim que possível, marque uma conversa com o vet e tire todas as suas dúvidas com ele. Juntos, pode apostar que vocês chegarão nas melhores decisões com relação à sua poddle, ok? Abraços!

  • Comprei pescoço de frango mas estou com dificuldades de como fazer para meu cachorro, devo ferver? Tenho muito medo de dar cru. Se eu retirar os ossos posso passar na panela? Obrigada

    • Olá Rachel, NUNCA ferva o osso para dar ao seu cachorro. Ao ferver, ele se torna mais quebradiço. Portanto, sempre ofereça cru. Você pode tirar a carne do osso e passar na panela sim. Isso não tem problema. Agora se for dar o pescoço com osso e tudo mais, certifique-se de é maior do que a cabeça do seu cachorro para não ser possível que ele o engula. Além disso, supervisione o seu cachorro enquanto ele está com o osso. Um Abraço e até a próxima.

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