Cachorro com câncer deitado dormindo no tapete

Santo Agostinho Assinatura

O câncer nos cães é a doença mais temida dos nossos tempos. Os tutores enfrentam, além do medo de ele não ter cura, a ansiedade por desconhecer suas causas e como agir com os seus pets acometidos por esse mal. Porém, você sabia que é possível adotar medidas que reduzem as chances do aparecimento da doença? Por isso, hoje trouxemos aqui uma série de informações importantes sobre os principais tipos de câncer em cães, e o que você pode fazer para evitá-los. Vamos lá?

O que é o câncer em cães?

Entre os cães, os principais tipos de câncer são tumores de mama, mastocitoma e linfoma.

O câncer é caracterizado pelo crescimento descontrolado de algumas células no corpo. A partir da multiplicação destas células, forma-se uma massa de tecido que cresce progressivamente e pode se espalhar pelo organismo – processo conhecido como metástase.

Tumor de mama, o mais comum

No Brasil, o tumor de mama é o tipo de câncer mais comum entre cadelas. Representa cerca de 52% das neoplasias e tem alto grau de metástase.

Na grande maioria dos casos, o câncer de mama está ligado ao desenvolvimento hormonal, por isso a castração é recomendada por muito veterinários. Porém, é preciso se informar da real necessidade do procedimento e do melhor momento para fazê-lo.

Castrar ou não, eis a questão

Está bem estabelecido que a castração é o principal meio de prevenção contra o surgimento de tumor mamário. No entanto, antes de decidir pela remoção de ovários e do útero da sua cachorrinha, é importante considerar alguns fatores.

Quando castrar?

O procedimento deve ser realizado no momento certo. Em relação à redução do risco do câncer de mama, quanto mais precoce a castração, melhor. Porém, isto pode trazer sérias consequências para a saúde do animal.

A ovário-histerectomia em animais muito jovens pode ter efeitos negativos na formação do quadril e no crescimento dos ossos, ainda em desenvolvimento. A displasia de quadril em cães não castrados ocorre em aproximadamente 5% dos casos. Nos animais submetidos ao procedimento antes de um ano de idade, alguns trabalhos mostram que a incidência do problema aumenta para 15% a 30%.

Em algumas raças, castrar precocemente as fêmeas, apesar de proteger contra os cânceres de mama e ovário, aumenta a ocorrência de outros tipos de câncer.

É o caso da raça Golden Retriever, por exemplo. A incidência de câncer de qualquer tipo nesta raça é de 3% a 5%. A castração antes de um ano de idade aumenta este risco 3 a 4 vezes, sugerindo que hormônios femininos exercem um fator protetor contra outros tipos de câncer na fêmea de Golden como o linfosarcoma, mastocitoma e hemangiosarcoma.

Atualmente, o consenso no Brasil é que a remoção de ovários e útero deve ser realizada entre o primeiro e segundo cio da cadelinha. A castração até o terceiro cio ainda tem resultados positivos sobre as chances de desenvolvimento do câncer de mama. Após o terceiro cio, a cirurgia não tem mais nenhuma influência na prevenção da doença, sendo indicada para controle reprodutivo e prevenção de doenças como a piometra, uma infecção uterina que pode levar a cadela ao óbito.

Diagnóstico precoce

A ferramenta mais importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama, como nos humanos, é a palpação. O primeiro sinal da doença é o surgimento de nódulos. Que o check-up veterinário periódico no seu pet é essencial para controle de qualquer doença, você já sabe. Porém, no caso do câncer de mama e do mastocitoma, a observação doméstica também ajuda, e muito. Muitas vezes o animal não demonstra as dores e os incômodos que o acometem. Então, palpar o corpo do(a) seu(sua) cachorro(a) periodicamente, procurando por nódulos ou outras alterações, pode ser o primeiro passo para o diagnóstico precoce, tão importante para a sobrevivência do animal. O cão pode desenvolver câncer em qualquer idade, por isso, a observação constante é essencial.

O tamanho do tumor é o principal fator de malignidade.

Quanto maior o tumor, pior o prognóstico. Nódulos ainda pequenos podem ser retirados com certa facilidade através de cirurgia e, se acompanhados de tratamento, podem desaparecer totalmente. Por isso, o aumento da quantidade e do tamanho dos nódulos deve ser evitado.

Portanto, se em uma dessas apalpações você detectar um nódulo estranho perto das mamas da sua cadelinha, é hora de correr para o hospital!

Outros tipos de câncer nos cães

Mastocitoma

O mastocitoma é o tumor de pele mais comum nos cães. Ele pode aparecer em qualquer parte corpo, principalmente abdomem, tórax, púbis e membros anteriores. É muito agressivo e tende a se espalhar para diversos órgãos.

Geralmente, o primeiro sinal é o surgimento de nódulos na pele e a palpação periódica do corpo do animal ajuda a detectar precocemente a doença. Os nódulos são estudados através de biópsia aspirativa para diagnóstico definitivo. Em alguns casos de tumores muito agressivos o crescimento é rápido e o diagnóstico mais difícil.

O tratamento do mastocitoma envolve cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou a combinação dos três métodos.

Linfoma

O Linfoma é um tumor maligno e muito agressivo, podendo matar em pouco tempo. Ele tem início nos gânglios linfáticos e se espalha rapidamente para outros órgãos como fígado, baço e medula óssea. Os principais sinais são inchaço dos gânglios, perda de peso e de apetite. Não existe cura para a doença e o tratamento através de quimioterapia visa prolongar com qualidade a vida do animal.

Idade: desmistificando o câncer nos cães

Não desista do seu cão! O tratamento pode render ainda bons anos com qualidade de vida para o seu companheiro.

Adotei um filhotinho. O que posso fazer para preveni-lo do câncer?

Existem muitos cuidados a serem tomados com os animais para prevenir o desenvolvimento de vários tipos de câncer nos cães:

Fatores ambientais

Em animais domésticos, assim como em humanos, os fatores ambientais representam 80% a 90% das causas do câncer. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), entende-se por ambiente o meio em geral (água, terra e ar), o ambiente ocupacional (indústrias químicas e afins) o ambiente de consumo (alimentos, medicamentos) o ambiente social e cultural (estilo e hábitos de vida). Por isso, desde o estado emocional do seu cachorro até o material e produtos presentes em casa, tudo ao redor é importante para uma vida saudável:

  • em primeiro lugar, adote cães de porte compatível com o tamanho da sua casa. O confinamento em espaços inadequados pode levar a depressão profunda e estresse;
  • uma vez escolhido o animalzinho, equipe sua casa para acolhê-lo. Para isso, evite principalmente objetos em que ele possa se colidir e machucar; ofereça brinquedos e espaços adequados para alimentação, sono, urina, fezes; proporcione momentos de lazer, faça passeios regularmente – o que contribui com o controle de peso. Torne o dia-a-dia divertido. Um cão feliz é um cão saudável;
  • alimentação ideal: fundamental! Proíba o nocivo hábito, comum em muitas famílias, de oferecer restos do almoço dos tutores ao cão. Assim que adotar o pet, procure um veterinário nutricionista para se informar sobre a alimentação adequada para aquela raça, porte, idade e estado de saúde. Não é preciso exagerar ou transformar a dieta em um problema. Seja ração, seja comida natural, a alimentação certa é aquela que seu cãozinho precisa;
  • o seu ambiente também é o ambiente dele. Que produtos de limpeza você usa? Você sabia que eles podem ser extremamente tóxicos para seu pet (e para você também)? Evite produtos químicos. Se precisar usá-los, espere um tempo após a aplicação antes de deixar que o peludo entre no local;
  • a fumaça de cigarro também é um problema. Especialistas alertam que, recentemente, tem crescido o número de ocorrências de câncer pulmonar em cães fumantes passivos;
  • é importante que seu animal tome um pouco de sol diariamente. No entanto, sem exageros!
  • por fim, higiene: além de manter limpos os materiais e objetos que ele usa (vasilhas, cama, casinha, etc.), é importante também, por exemplo, consultar o veterinário sobre o shampoo indicado para o tipo de pelo do seu cachorro.

Concluindo, o cão compartilha mais da nossa vida do que muitas vezes pensamos. Por isso, é importante ficar atento ao ambiente que proporcionamos a ele. Cada animal, com suas características comuns à raça, heranças genéticas, personalidade e ambiente, merece um cuidado especial. Só assim ele irá crescer saudável, com menos riscos de desenvolver doenças como o temido câncer, por exemplo.

Gostou do texto? Visite a editoria Saúde do Animal e saiba como manter a saúde do seu melhor amigo. Nossos veterinários e especialistas têm muito para contribuir. Acesse, também, nosso Facebook, Instagram e Twitter para ficar por dentro de tudo sobre o universo pet.