Cachorro que vai ser tratado com terapias-alvo no veterinário sendo segurado pela sua dona. Veterinária com prancheta na mão sorri e olha para a dona e seu cachorro

Hospital Veterinário São Francisco

O câncer é uma das principais causas de óbito em animais de companhia. É, também, a maior causa de preocupação dos tutores com relação à saúde e qualidade de vida de seus animais.

Muitos donos de pets têm uma experiência pessoal, ou de alguém próximo, com o câncer. Isso cria expectativas com relação à abordagem veterinária da doença, o seu tratamento e uma idéia pré-concebida de que este envolve muito sofrimento.

Um pouco sobre a doença

O câncer é uma doença multifatorial, mas que sempre envolve a ocorrência de mutações em uma célula previamente saudável. Esta se replica em velocidade acelerada e ganha capacidades como a de se espalhar pelo corpo, por exemplo, causando metástases, e de se defender do sistema imune do hospedeiro. É através dessas características que essa célula se transforma em uma doença.

Os estigmas do tratamento

Os tratamentos quimioterápicos convencionais atuam nas células que estão se dividindo em diversas fases do ciclo celular, o que afeta fortemente as células do câncer, que estão se dividindo em altas taxas.

Porém, existem muitas células normais do organismo que se encontram em constante divisão e que também são afetadas, levando assim ao surgimento dos efeitos colaterais.

Terapias-alvo: uma possível solução

Recentemente, foram desenvolvidas opções de tratamento que atuam em proteínas específicas da célula doente, bloqueando seu funcionamento e comprometendo sua capacidade de expansão. São as chamadas terapias-alvo, pois agem numa molécula alvo específica.

Essa seletividade promove menos efeitos colaterais do tipo que se observa na quimioterapia, como vômitos, náusea e queda de cabelo.

No entanto, cada medicamento tem seus efeitos colaterais específicos

Existem tipos diferentes de drogas alvo, sendo que algumas são de uso intravenoso e outras de uso oral, e podem ser indicadas como terapia única, ou em associação com cirurgia, quimio e radioterapia para melhores resultados.

Na veterinária, são poucas as drogas já testadas e em uso. Uma classe usada com mais frequência são os Inibidores de Tirosina Quinase, utilizados no tratamento de mastocitomas e GIST (tumor estromal gastrointestinal).

Nem todo paciente com câncer é candidato a tratamento com terapias-alvo

Primeiramente, porque até hoje foi desenvolvida uma quantidade relativamente pequena de drogas que agem em alguns alvos, o que não contempla todos os tipos de câncer.

O segundo motivo é que dentro do mesmo tipo de câncer, existem variações no perfil genético e molecular das células. Algumas podem apresentar o alvo e outras não, sendo necessária a realização de exames moleculares para detecção e identificação dos pacientes candidatos a receber a medicação.

São drogas ainda caras e frequentemente importadas mas, quando a indicação é adequada, têm potencial para promoverem excelentes resultados.

Como saber se a terapia-alvo é adequada para o seu pet?

Para indicar esse tratamento, o veterinário oncologista irá levar em consideração características do tipo de tumor, estadiamento e exames do paciente, e desenvolver um protocolo de tratamento mais adequado ao quadro daquele indivíduo específico.

Esperamos que os avanços realizados na oncologia humana cheguem cada vez mais aos pacientes veterinários, e que os tratamentos se tornem cada vez mais acessíveis para que todos os cães e gatos tenham uma chance de receberem o melhor tratamento possível.

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