retrato de uma mulher relaxando em casa com uma xícara de chá

Dra. Daniela Lizia

Gosto de conversar, acho bonito os laços se fazendo ao redor das palavras e envolvendo os interlocutores.
Então, como costume, entrei no taxi e durante o trajeto, sob um céu azulzinho, inicio a conversa com o motorista. Seu nome é Lúcio e ele conta orgulhoso que a esposa também trabalha como motorista: “Ela deu uma virada na vida, sabe, tava muito desiludida, aí foi num psicólogo, ficou lá um tempo e foi mudando, mudando…É danada essa psicologia, viu?”

Respondi somente: Imagino daqui, quão “danada” foi sua esposa ao topar essa “Jornada do Eu”!

E mergulhei em reflexões: Pensar que essa danada ciência não estaria lá para ajudar essa mesma esposa do Lúcio se ela estivesse, por exemplo, em 1882. Um pouco mais de um século e não seria possível ajudar quem, por ventura, estivesse passando por conflitos em quaisquer relacionamentos, ou em estado de sofrimento, ou num momento de transição, passando por um processo de transtorno alimentar, compulsões, obsessões, manias…Quem não estivesse percebendo sentido para sua vida, não estivesse conseguindo conviver com as próprias emoções. Ou mesmo quisesse buscar desenvolvimento pessoal, estivesse angustiado, ansioso.

Talvez esse sujeito encontrasse num médico, uma medicação. Num sacerdote um conselho. Um ombro de um amigo. Um ‘pitaco’ do vizinho que conhece desde a infância.

Mas a psicologia ainda não estava lá. Não nos consultórios, nem nos diversos espaços onde ela atua hoje. Foi em 1895, em ‘Estudos sobre Histeria”, que Dr. Freud nos brindava com um capítulo sobre psicoterapia. E de lá pra cá, muitas mentes brilhantes surgiram e deram corpo à psicologia.

Afinal, ela é a ciência que serve a vários propósitos quando se trata de fazer a ponte para o sujeito sentir-se bem consigo, com o outro e com a vida!

E essa lembrança toda me ocorreu, porque hoje é comemorado o Dia do Psicólogo.

Pra mim, é um dia de brindar “o encontro humano básico no processo de mudança”, como diz Yalon.

E quando me perguntam por que se deve investir em consultar um psicólogo, respondo com o que acredito sobre a psicoterapia: Ela é o bálsamo que nos encoraja a entender a marcha inevitável do tempo e a fugacidade da vida. É o espaço terapêutico que proporciona um porto seguro para os pacientes revelarem a si próprios o mais inteiramente possível. E o melhor, com técnicas bem conduzidas e uma escuta empática e precisa, é o auxílio definitivo para que o sujeito consiga transferir sua mudança no âmbito clínico, para seu ambiente de vida.

Na relação com seu terapeuta, um indivíduo pode apreender como abrigar a esperança e até a expectativa de relacionamentos empáticos. Sinto que das muitas vezes que um sujeito se depara com algo que o incomoda, ou gostaria de mudar, deveria ser convidado a pensar se o movimento não deveria partir dele. Platão dizia que “para mudar o mundo, antes precisamos mudar a nós mesmos.”

Psicoterapia é um processo criativo e espontâneo moldado pelo estilo único de cada psicoterapeuta e personalizado para cada paciente, minha clínica é assim.

Nesse espaço pensado para cada caso, convido o indivíduo à “Jornada do Eu”! Onde a cada passo, ele desenvolve a capacidade de governar-se, conciliar e acolher seus sentimentos, pensamentos e ações. Neste espaço, a paciente ganha possibilidades de pensar por si e escolher livremente. Ali, é lugar de dar sentido à vida e não, tão somente… ser levado por ela.

Gratidão aos antepassados que fizerem dessa ciência uma bela arte. E obrigada a cada um dos pacientes que me dão a imensa alegria de acompanhá-los nas suas maravilhosas jornadas.