Mulher na cama amamentando seu filho para representando a Semana Mundial de Aleitamento Materno

Dra. Denise Brasileiro

A Semana Mundial da Amamentação (World Breastfeeding Week), oficialmente celebrada dos dias 1 a 7 de agosto, surgiu em 1992. Seu objetivo é valorizar, em todas as instâncias (sociais, econômicas e políticas), o aleitamento materno.

Coordenada pela Aliança Mundial para a Ação da Amamentação (WABA), a campanha deste ano tem como slogan “Empower Parents, Enable Breastfeeding” (Empodere os pais, capacite a amamentação). O foco, basicamente, é incentivar a proteção e empoderamento parental por meio da equidade de gênero.

E o que isso quer dizer?

Atualmente, ainda existem muitas barreiras que impedem a prática ideal de amamentação. Diversos casais testemunham, por exemplo:

  • a falta de apoio nos âmbitos sociais e políticos, encontrando dificuldade para amamentar com privacidade, conforto e tranquilidade em locais públicos;
  • a necessidade de encerrar a prática do aleitamento materno mais cedo, devido ao período insuficiente/inexistente das licenças de maternidade e paternidade.

Para se ter ideia, cerca de 830 milhões das mulheres trabalhadoras no mundo não são contempladas pelas recomendações da Convenção de Proteção à maternidade. Ou seja? Ao invés de receberem uma licença-maternidade de, pelo menos, 6 meses (ou 26 semanas), a maioria é contemplada pelo padrão mínimo global de 14 a 16 semanas (aprox. 4 meses).

Além disso, é importante discutir, também, a importância da alteração das regras gerais para a licença paternidade. Afinal, esta, quando devidamente regulamentada pela empresa, cede ao homem 5 dias com a justificativa de que, neste período, ele pode exercer sua função de pai livremente, sem se preocupar com o trabalho.

E por que a licença paternidade também influencia no aleitamento materno?

Como a própria Aliança Mundial para a Ação da Amamentação defende, o aleitamento materno é uma prática em equipe. A mãe de um recém-nascido é, realmente, a única pessoa da relação capaz de fornecer o leite ao pequeno. Porém, para isso, ela precisa de ajuda, descanso e companheirismo.

Atender às necessidades de uma criança é uma tarefa que deve ser exercida a dois, independentemente de “quem é capaz de fornecer o quê”. Todos os pais devem conseguir descansar, cuidar da própria saúde e, por consequência, cuidar de seus pequenos. Por isso a equidade de gênero, neste aspecto, é tão importante para a saúde do bebê.

Do contrário, o efeito cascata é inevitável: o pai volta aos trabalhos depois de 5 dias, e a mãe fica responsável, em tempo integral, pelo seu filho. Após 6 meses, ela precisa voltar a trabalhar e, para isso, inicia mais cedo o processo de desmame, substituindo o próprio leite por fórmulas infantis.

Nosso papel hoje, então, é fazer com que você entenda que uma campanha como a Semana Mundial de Aleitamento Materno não é realizada à toa. Afinal, a amamentação influencia diretamente no desenvolvimento físico e social da criança e, mais que isso, na saúde dos pais também. Entenda o porquê:

A importância do aleitamento materno

O leite materno fornece a nutrição ideal para bebês. Afinal, ele tem uma composição quase perfeita de vitaminas, proteínas e gorduras – tudo o que seu pequeno precisa para crescer bem e forte. Além disso, ele tem melhor digestibilidade.

Além disso, o aleitamento materno ajuda o pequeno a produzir anticorpos essenciais para fortalecer o organismo e, assim, protegê-lo de vírus e bactérias nocivas à saúde. Para se ter ideia, diversos estudos comprovam que bebês que são amamentados durante os primeiros 6 meses de vida têm:

  • menos infecções de ouvido, doenças respiratórias e episódios de diarréia;
  • menos hospitalizações e viagens ao médico;
  • mais disposição e saúde;
  • ganho de peso proporcional à idade (em caso de fórmulas, as chances do bebê desenvolver excesso de peso é maior);
  • melhor relacionamento com os pais (devido à proximidade e contato pele-a-pele).

Para as mães

A amamentação queima calorias extras, por isso pode ajudar na perda do peso ganho durante a gravidez mais rapidamente. Além disso, a prática libera um hormônio chamado ocitocina, responsável por ajudar o útero a retornar ao tamanho pré-gestacional e reduzir o sangramento deste após o parto.

Por fim, o aleitamento materno também diminui o risco de:

  • câncer de mama;
  • câncer de ovário;
  • depressão;
  • osteoporose.

E o que você pode fazer para contribuir com a Semana Mundial de Aleitamento Materno?

  • ajude no empoderamento de mães e pais, explicando-os sobre seus direitos com relação às licenças e aleitamento materno de forma geral;
  • alimente reflexões e apoie projetos que visam dar mais conforto e privacidade às mães que precisam amamentar em lugares públicos;
  • incite discussões sobre a modificação das diretrizes de licença maternidade e paternidade em empresas públicas e privadas, de forma que o período seja mais adequado às necessidades do bebê (o mínimo ideal é de 6 meses);
  • procure encorajar a inclusão de trabalhadoras informais nas políticas de proteção à maternidade que apoiam o processo de amamentação;
  • promova a equidade de gênero, estude mais sobre o assunto e garanta direitos iguais às mães e pais de recém-nascidos;
  • use a mídia (principalmente os “grupos de família do whatsapp”) para conscientizar mais as pessoas sobre a Semana Mundial de Aleitamento Materno.

Viu como é fácil?

Fazer parte dessa mudança não só fará bem para os papais e mamães de primeira, segunda e/ou terceira viagem, como também preparará o terreno para quando for a sua vez! Seja a diferença, garanta os seus direitos e preserve a saúde do seu pequeno!

Para saber mais sobre a Semana Mundial de Aleitamento Materno 2019, é só clicar aqui.

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