Mulher sentada em um sofá fazendo um video chamada pelo celular. Ela está acenando e sorrindo.

Dra. Adriana Bonfioli

Em tempos de COVID-19 e isolamento, a regra é clara: ficar em casa. Afinal, é a única forma que temos, por enquanto, de evitarmos a propagação dessa doença. Porém, isso não significa que o processo de quarentena é fácil, ainda mais quando este muda completamente a nossa rotina.

Um pouco de contexto

O surto do novo coronavírus levou as pessoas a se distanciarem socialmente de forma crítica. O objetivo de tal medida é controlar o número de novos casos da doença e evitar o total colapso do sistema de saúde.

O grande problema é que, como observa um estudo recente, publicado na revista médica The Lancet, os impactos psicológicos da quarentena podem ser gigantescos. Para se ter ideia, a probabilidade de uma pessoa chegar ao fim desse período com problemas como ansiedade, distúrbios do sono, depressão e transtorno de estresse pós-traumático é significativa.

Porém, sem neuras. Até porque é exatamente isso que estamos querendo evitar com esse artigo. O importante, agora, é entender que, nesse contexto, cuidar da nossa saúde emocional é essencial para que todos consigamos passar por essa fase juntos, e “plenos”.

Como o isolamento pode afetar a sua saúde emocional?

Nesse mesmo artigo da The Lancet, descobriu-se que os principais gatilhos mentais que provocam danos à saúde mental das pessoas estão associado diretamente à pandemia. Ou seja? Medo pelos entes queridos, frustração, tédio, falta de suprimentos adequados, excesso de informações “inúteis”, perda financeira e, claro, o estigma associado à doença.

Então, se você tem se sentido ansioso, frustrado, zangado ou completamente confuso ultimamente, saiba que não está sozinho e, principalmente, que todos esses sentimentos são normais em tempos como esses. Porém, também preciso que você respire fundo e siga as dicas que colocarei aqui embaixo para sobreviver a este momento, combinado?

Vamos lá.

8 dicas para preservar sua saúde mental durante o isolamento

1. Limite sua exposição às notícias e mídias sociais

Não há nada mais desesperador do que acordar pela manhã, pegar o celular e já ser bombardeado por notícias terríveis. Pior que isso, só as famosas correntes fakes de whatsapp e teorias conspiracionais que, cá para nós, são capazes de deixar qualquer um doido!

Acontece que nosso cérebro é construído para solucionar problemas. Quando estamos com medo, naturalmente procuramos respostas.

Dessa forma, qual é o impulso? Procurar mais dados, mais fontes, mais casos, mais gráficos. Tudo para tentarmos encontrar ao menos uma luz no fim do túnel. Porém, a verdade é que, com isso, a tendência é entrarmos em um ciclo vicioso de informações negativas.

Sendo assim, o melhor a se fazer é limitar a quantidade de notícias que você lê ou assiste no dia. Se preciso, silencie os “grupos de família, trabalho e amigos” por algumas horas. Tudo pelo bem do seu estado de espírito.

2. Obtenha informações de fontes confiáveis

Aproveitando o gancho da primeira dica, é muito importante entender que, não só no caso da COVID-19, mas em qualquer outra circunstância, a melhor maneira de buscar por informações é procurá-las em fontes confiáveis.

Aqui no Brasil, essas fontes incluem o site do Ministério da Saúde, os grandes veículos de comunicação e os profissionais VERDADEIRAMENTE capacitados da área de saúde.

Então, se você receber um texto repassado de algum “médico conhecido meu”, “infectologista de não sei lá das quantas” e “cientista da universidade de pelotas”, peça por referências e questione a procedência desse conteúdo antes de ler (e, principalmente, ANTES DE REPASSAR!).

3. Estabeleça rotinas

A interrupção da rotina diária pode ser uma das partes mais difíceis dessa quarentena. Afinal, a falta desta é o que mais nos faz sentir perdidos e completamente sem direção com relação às nossas tarefas e afazeres.

Então, se você estiver trabalhando de casa, estruture um horário consistente para si mesmo(a). Estabeleça horários para acordar, tomar banho, fazer suas demandas e tomar conta de algumas coisas da sua casa.

Dica: isso pode ser um desafio quando se tem outras pessoas em casa, especialmente crianças. Então, procure estabelecer um cronograma com toda a família, criando atividades para os menores e se revezando com os adultos para vigiá-los.

4. Seja o mais ativo possível

Já estamos cansados de falar isso por aqui, mas não custa nada repetir, ainda mais em tempos de pandemia: praticar exercícios físicos é ESSENCIAL para nosso corpo e saúde mental. Além disso, é uma das melhores opções que conhecemos para extravasarmos nosso estresse diário.

Então, nada de preguiça! Procure por vídeo-aulas da sua atividade favorita, dance, pule corda, pratique yoga, alongue-se. Não é porque você não pode sair de casa que os exercícios não podem ser feitos dentro dela!

5. Mantenha a calma

Respire fundo e lembre-se de que a maioria das pessoas que contraem COVID-19 só possuem sintomas leves que passam com o tempo.

Além disso, estar no grupo de risco para a doença não quer dizer que você vai contraí-la com absoluta certeza, ou morrer por causa dela, mas sim que alguns cuidados adicionais precisarão ser tomados.

E lembre-se: a coisa mais importante que você pode fazer para ajudar a si mesmo(a) e a seus entes queridos é tomar todas as precauções da quarentena, ficando em casa e seguindo todos os protocolos indicados pelos especialistas.

6. Converse bastante com sua família e amigos

Nunca houve um melhor momento para fazer ligações e vídeo-conferências como agora. Não poder sair de casa não significa que você deve deixar de conversar com as pessoas que ama.

Aproveite a quarentena para se aproximar ainda mais da sua família e amigos, organize “happy hours” pelo skype, chame a galera para jogar alguma coisa online e por aí vai.

7. Priorize a nutrição

“Quem está comendo A VIDA nessa quarentena levanta a mão!”. Pois é, isso é completamente normal. Afinal, o estresse pode aumentar o nosso desejo de comer porcarias, sabe? Aquelas bem doces e repletas de gorduras saturadas e aditivos químicos.

Porém, tome MUITO cuidado com isso. Aproveite a quarentena para dar ao corpo aquilo que ele precisa, que são nutrientes, vitaminas, minerais, carboidratos complexos e gorduras boas.

Então, encontre um equilíbrio nisso tudo. Deixe as bobagens para os finais de semana por exemplo, ou procure por receitas de snacks saudáveis na internet. Afinal, tempo é o que você mais vai ter durante esse isolamento!

8. E… por fim: cuide-se!

Praticar o autocuidado é ESSENCIAL para a nossa saúde mental. A boa notícia é que essa prática é uma das mais fáceis de se fazer!

Arranje um tempo do seu dia para fazer aquilo que gosta, sem culpa. Leia um livro, assista a um filme ou seriado, faça um “mini spa”, tire um cochilo, medite, escute um álbum INTEIRO deitado(a) no chão da sala com fones de ouvido e por aí vai.

No mais…

Lembre-se de que, ao fazer a sua parte e ficar em casa para impedir a propagação da COVID-19, você está protegendo outras pessoas e assegurando que os doentes possam ter maior acesso aos recursos de saúde disponíveis.

Porém, nada que algumas dicas, como essas que colocamos acima, não possam tornar essa prática menos tediosa e desesperadora, não é mesmo!

Cuide da sua saúde mental!

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