Menina tendo a garganta apalpada para ser examinada por estar com rouquidão infantil

Dra. Glória Braga

A rouquidão em crianças normalmente está relacionada ao mau uso da voz. Na maioria das vezes, ela é benigna e desaparece espontaneamente. Contudo, alguns casos merecem atenção.

A mudança da voz é causada por alterações nas cordas vocais que impedem seu funcionamento normal, como:

  • aumento da espessura em quadros de inflamação;
  • presença de nódulos;
  • cistos;
  • pólipos;
  • paralisia dos músculos da laringe.

As causas mais comuns de rouquidão na infância são falar alto ou gritar demais, e as infecções comuns nessa faixa etária.

Se o quadro persistir por mais de uma ou duas semanas, mesmo com o repouso de voz, um especialista deve ser procurado.

Como é formada a voz?

Quando inspiramos, o ar passa pelo nariz, faringe, laringe e traquéia até chegar aos pulmões. Na expiração, segue o caminho inverso.

Durante a fala, o ar expirado chega até a laringe e vibra as cordas vocais. Essa vibração, junto com movimentos da língua e dos lábios, forma a voz.

O mau uso da voz provoca irritação e pequenas lesões nas cordas vocais. Quando prolongado, nos locais das lesões tendem a se formar nódulos e “calos”, que podem causar alterações permanentes da voz.

Causas de rouquidão em crianças

Infecções das vias respiratórias

  • Laringite isolada ou associada a infecções das vias aéreas superiores (rinite, sinusite);
  • alergia com secreção nasal que goteja na garganta e causa irritação da laringe.
  • epiglotite.
  • difteria laríngea.

Trauma

  • excesso de uso, ou uso inadequado da voz;
  • tosse persistente;
  • fratura ou sangramento na traquéia ou laringe (pode ocorrer na intubação traqueal ou traumas no pescoço).

Distúrbios neurológicos

  • paralisia das cordas vocais;
  • malformações do sistema nervoso central ou vasos;
  • deficiência de tiamina (vitamina B1).

Doenças congênitas

  • Fibrose cística: doença que compromete o funcionamento das glândulas exócrinas que produzem muco, suor ou enzimas.
  • Membranas laríngeas congênitas: presença de tecido anormal na laringe.
  • Laringomalácia: fraqueza das estruturas cartilaginosas da traqueia e laringe.

Doenças sistêmicas

  • refluxo gastroesofágico;
  • hipotireoidismo;
  • hipocalcemia;
  • doença de farber;
  • doença de gaucher;
  • proteinose lipídica;
  • mucolipidose II;
  • amiloidose;
  • síndrome de Lange;
  • síndrome de Williams;
  • artrite Cricoaritenóide.

Tumores

  • Papiloma da laringe: mais comuns entre 1 e 4 anos de idade.
  • Hemangioma: tumor benigno que aparece mais comumente nos dois primeiros anos de vida;
  • Pólipos: podem se formar após abuso prolongado da voz e traumas.
  • Câncer de laringe: raro em crianças.

Diagnóstico

A rouquidão em crianças que ocorre após o mau uso da voz e dura de poucas horas a um dia não é preocupante. Caso ela persista por vários dias ou semanas, a criança deve ser avaliada por um especialista em otorrinolaringologia.

Durante o exame, a laringoscopia permite a avaliação das cordas vocais e ajuda a identificar a causa do problema.

Tratamento

Em todos os pacientes, o repouso de voz é necessário durante o tratamento. Além disso, hidratação adequada e aprender a usar a voz são essenciais.

O tratamento específico varia de acordo com a causa da rouquidão.

Prevenção

Algumas dicas para preservar a saúde da voz e evitar a rouquidão em crianças são:

  • ensinar a criança a se aproximar da pessoa com quem vai falar, ao contrário de gritar;
  • estimular a criança a falar baixo, desencorajando brincadeiras barulhentas;
  • evitar conversar em locais com muito barulho;
  • evitar ambientes poluídos ou com fumaça de cigarro;
  • beber bastante água;
  • evitar bebidas cafeinadas, que causam desidratação.

Gostou do texto? Mantenha-se sempre atualizado sobre as melhores escolhas para a sua vida com o nosso Blog e redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter)! Estamos te esperando.