Duas mãos se tocando e os dizeres outubro rosa no topo

Dra Marta Carrijo

A cada mês de outubro, edifícios, monumentos, adereços e acessórios de moda assumem a cor da campanha mundial de conscientização e alerta as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. É o Outubro Rosa. Nós do Convite à Saúde convidamos a médica Marta Carrijo, que pratica a Ginecologia Integrada à Psicologia em suas pacientes, para esclarecer e orientar sobre o assunto.

Segundo Carrijo, o Outubro Rosa como estratégia de marketing é, sem dúvida, uma ação extremamente bem sucedida. “É o encontro do obscuro, do desconhecido, do ameaçador com o símbolo maior de tudo o que é feminino: as mamas. E, sem sombra de dúvida, esse confronto é respaldado pelo medo. Todos nós já nos defrontamos com mulheres que se recusam ou prorrogam, ao máximo, a realização dos exames. Medo que corrói e paralisa”, analisa. Para a ginecologista, “a ideia de ser diagnosticada com um câncer de mama é um dos maiores medos das mulheres e isso não acontece sem razão”. Sob o olhar da psicologia, a médica acredita que “o medo é uma das emoções primordiais do ser humano. Ou seja, é constituinte, faz parte da nossa existência, da nossa vivência. Não é possível eliminá-lo, mas podemos compreendê-lo melhor”.

Em busca de incentivar as mulheres a se informarem, cuidarem e se precaverem contra o câncer de mama, Dra Marta aconselha: “Não precisamos viver cada dia com medo de sermos diagnosticadas com câncer de mama. Muito pode ser feito para diminuir essa nossa incerteza”. Para ela, “o corpo de cada ser humano, a vida vivida por cada um de nós é extremamente valiosa e deve ser cuidada com muito carinho. Existe o inevitável, e o câncer é um bom exemplo disso, mas somos mais fortes que o medo. Já conhecemos a ameaça que nos ronda, então podemos desvendá-la, encará-la e encontrar as armas disponíveis para o confronto”.

Perguntada se a mamografia é o único método para detectar o câncer de mama, a especialista explica: “esse exame é o método mais acessível para o diagnóstico precoce de câncer de mama. O objetivo da mamografia, assim, é identificar as lesões iniciais de câncer das mamas, a que nós chamamos de calcificações – que são pequenos depósitos de cálcio”. Esse exame é recomendado para mulheres a partir de 40 anos. “Em mulheres muito jovens, o tecido das mamas é mais denso e dificulta a análise da mamografia. Em alguns casos é necessário realizar o exame mais cedo, como por exemplo, existe histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau como mãe e irmãs. Nestas pacientes o risco da doença é maior e a primeira mamografia deve ser realizada 10 anos antes da idade em que surgiu o câncer naquela familiar.”

A mamografia é um exame considerado desconfortável pela maioria das mulheres. Carrijo esclarece que “esse incômodo pode depender muito dos fatores externos, como o aparelho em que o exame é feito e qual técnico está realizando o procedimento. O ciclo menstrual da mulher também pode influenciar muito, porque pode coincidir com um momento pré-menstrual e as mamas estarem mais doloridas”.

A doença em números

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, para o Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul (73,07/100 mil), Sudeste (69,50/100 mil), Centro-Oeste (51,96/100 mil) e Nordeste (40,36/100 mil). Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (19,21/100 mil).

Prevenção

Dados do Inca informam que cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados, se a mulher adotar hábitos saudáveis como:

  • Praticar atividade física regularmente;
  • alimentar-se de forma saudável;
  • manter o peso corporal adequado;
  • evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • amamentar.

Riscos

O câncer de mama tem mais de uma causa. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorre após os 50 anos de idade. Há outros fatores de risco para a doença: ambientais e comportamentais, história reprodutiva e hormonal e genéticos hereditários. O Inca assim os agrupou:

Fatores ambientais e comportamentais
  • obesidade e sobrepeso após a menopausa;
  • sedentarismo, não fazer exercícios;
  • consumo de bebida alcoólica;
  • exposição frequente a radiações ionizantes (Raios-X).
Fatores da história reprodutiva e hormonal
  • Primeira menstruação antes de 12 anos;
  • não ter tido filhos;
  • primeira gravidez após os 30 anos;
  • não ter amamentado;
  • parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos;
  • uso de contraceptivos hormonais, estrogênio-progesterona;
  • reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.
Fatores genéticos e hereditários
  • História familiar de câncer de ovário;
  • casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
  • história familiar de câncer de mama em homens;
  • alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

Precocidade

Em grande parte dos casos, o câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, o que aumentam as chances de tratamento e cura.

Principais sinais e sintomas do câncer de mama:
  • caroço (nódulo) fixo, endurecido e, geralmente, indolor;
  • pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;
  • alterações no bico do peito (mamilo);
  • pequenos nódulos na região embaixo dos braços, axilas ou no pescoço;
  • saída espontânea de líquido dos mamilos.

Ao identificar alterações persistentes nas mamas, recomenda-se que a mulher procure um serviço para avaliação diagnóstica. Cabe dizer que tais alterações podem não ser câncer de mama.