Quais são os principais riscos de acidentes no autismo?

Criança com autismo tentando pegar algum objeto que está na bancada da cozinha. Ela está na ponta dos pés em uma cadeira. Representação do risco de acidentes no TEA.

Uma das maiores preocupações que permeiam os pais e responsáveis de uma criança com TEA é, talvez, a maior propensão que ela pode ter a acidentes (sejam eles domésticos, ou não). Isso acontece, principalmente, porque o autismo compromete, em diferentes intensidades, as capacidades lógicas, sociais, cognitivas e comportamentais de uma pessoa.

Então, existem casos em que a criança, por ser pouco sensível à dor, tende a se machucar mais e, principalmente, aventurar-se de forma menos cuidadosa e até mesmo imprudente. Podemos citar, também, os pequenos com problemas de agressividade, seja porque não conseguem se comunicar direito e acabam se frustrando, ou porque recebem muitos estímulos e acabam se sentindo acuados.

No mais, o importante é entender que, para cada limitação/característica dessa criança, é preciso mapear quais os principais riscos de acidentes que ela corre. Dessa forma, fica mais fácil evitá-los e poupar o estresse tanto do pequeno, quanto da família.

Pensando nisso, preparamos um pequeno guia com as principais áreas de atenção no que diz respeito aos imprevistos com crianças com TEA, e como contorná-los. Vamos lá?

1. Manuseio/utilidade das coisas e objetos

Dependendo da severidade do quadro, ou de suas características predominantes (como a pouca sensibilidade, por exemplo), o pequeno com TEA pode não ter a noção do perigo de alguns objetos, ou das ameaças que ele representa.

Sendo assim, é muito comum que ela acabe colocando algo pontiagudo na boca, queira encostar em uma forma quente de bolo, ou na boca do fogão (aceso ou não), ou ainda que se machuque ao manusear objetos perfurocortantes.

Aqui, a atenção precisa ser redobrada, principalmente se a criança não responde à estímulos como a dor. Procure sempre inspecionar o cômodo que ela está para que, nele, só haja utensílios que não apresentem perigo algum, e invista em ferramentas de segurança como travas, amortecedores de quinas etc.

2. Percepções básicas de perigo

Por terem as áreas de linguagem, comunicação e percepção comprometidas (em diferentes níveis, claro), é muito comum que as crianças com TEA não tenham a noção básico de perigo. Isso quer dizer, basicamente, que elas podem:

  • se perder com facilidade;
  • entrar em lugares escuros e desconhecidos sem cautela;
  • interagir com animais agressivos, ou até mesmo venenosos/perigosos;
  • não saber distinguir o “certo do errado”, tornando-se potencial vítima de abuso sexual, físico ou psicológico, de sequestro etc;
  • não saber em quais situações deve ter mais cuidado como, por exemplo, não pular em uma piscina quando não se sabe nadar, tomar cuidado para correr em pisos molhados/escorregadios, olhar para o lado ao atravessar a rua etc.

O segredo aqui, então, é procurar ensinar todos esses cuidados à criança. Isso pode ser feito por meio de músicas, desenhos, quadros de imagem, sistemas de “incentivo/recompensa”, jogos e muito mais. Se preciso, peça pela ajuda de uma psicóloga infantil, ou de um terapeuta ocupacional, para saber quais recursos seriam mais apropriados para a criança!

3. Episódios de agressividade (acompanhados, ou não, de comportamentos repetitivos e estereotipados)

A agressividade no autismo acontece, geralmente, porque a criança se sente incomodada ou angustiada com uma série de fatores ligados ao seu espectro.

É o caso, por exemplo, de pequenos que se sentem irritados porque não conseguem se comunicar direito, ou não entendem o que está acontecendo. Existem, também, os episódios desencadeados em função de alguma hipersensibilidade, como ataques de fúria em lugares muito cheios ou iluminados, ou de circunstâncias estressantes, como o primeiro dia de aula.

Nestes casos, o pequeno pode apresentar comportamentos agressivos tanto com outras pessoas, quanto consigo mesmo, batendo a própria cabeça em algo, mutilando-se. Isso aumenta, e muito, o risco de acidentes, principalmente em situações que envolvem outros objetos.

A criança pode acabar se cortando, machucando os olhos, batendo a cabeça muito forte, e se ferir ao tentar atingir o outro.

Aqui, o segredo é entender quais são os “gatilhos” dos ataques de fúria e tentar evitá-los ao máximo. Se preciso, conte com a ajuda de um psicólogo, ou de um TO, para saber identificá-los. No mais, quando eles acontecerem, tente afastar a criança de objetos e móveis que possam feri-la, e certifique-se de que ela não se machuque.

Além disso, dê ferramentas e recursos para que a criança aprenda a se comunicar e se expressar. Dessa forma, pode apostar que muitos dos gatilhos serão atenuados. Isso pode ser feito por meio de terapias, fonoaudiologia etc.

No mais…

Apesar de o risco de acidentes ser, de fato, aumentado para crianças com TEA, os cuidados com relação a estes não muda muito quando pensamos em educação infantil. É claro que, aqui, o uso de terapias combinadas para capacitar o pequeno e fazer com que ele consiga se tornar cada vez mais independente são importantes, mas o básico nunca se abandona.

O principal é, sempre, criar um ambiente seguro para que o pequeno circule com tranquilidade, trancar (ou deixar fora de alcance) máquinas e objetos que apresentem qualquer forma de perigo, e trabalhar constantemente as habilidades sociais da criança. Assim, ela não só lhe entenderá melhor, como também saberá se expressar corretamente.

Por fim, lembre-se de recorrer a uma equipe médica de confiança e capacitada para acompanhar a jornada do seu pequeno, e cuidem-se!

 

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Pediatria

Médica, especialista em pediatria e neurologia pediátrica. Atende na Magno Veras Clínica Pediátrica, em Belo Horizonte.

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