Retinopatia diabética: causas, sintomas e tratamento

Mulher idosa sendo examinada por uma oftalmologista para ver se tem retinopatia diabética

Definição

Uma das consequências mais graves da hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) é a retinopatia diabética, uma alteração da retina que pode levar à cegueira.

O diabetes mellitus, a título de curiosidade, é uma doença caracterizada pela elevação da glicose sanguínea e, se não tratada, resulta em sérias complicações.

A glicose é utilizada pelas células do corpo como fonte de energia. Porém, em quantidade excessiva, causa lesão dos tecidos, especialmente da camada interna dos vasos (endotélio).

Além disso, pacientes diabéticos têm maior chance de desenvolver catarata e glaucoma.

O acompanhamento de pacientes diabéticos deve ser multidisciplinar, pois órgãos como coração, rins e cérebro também podem ser afetados.

Tipos de diabetes

Existem duas formas de diabetes: tipo 1 e tipo 2.

O diabetes do tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência e é considerado uma doença autoimune. O próprio organismo reage contra o pâncreas, órgão que produz a insulina, hormônio que promove a entrada da glicose nas células.

No diabetes tipo 2, ocorre uma resistência dos tecidos aos efeitos da insulina.

Os dois tipos resultam em elevação crônica da glicemia e suas consequências.

Estágios da doença

Retinopatia não proliferativa

Em seu estágio inicial, a parede dos pequenos vasos da retina se enfraquece e ocorre vazamento de fluidos para os tecidos vizinhos. Estes formam pequenos depósitos amarelados na retina, chamados exsudatos duros.

Paralelamente, a parede enfraquecida pode permitir a formação de pequenos e frágeis pontos de dilatação chamados microaneurismas. As alterações vasculares resultam em piora da circulação sanguínea local e falta de oxigênio nos tecidos.

Fibras nervosas morrem e formam-se pequenos pontos com aspecto de algodão, chamados exsudatos algodonosos.

As alterações da retinopatia diabética não proliferativa, como é chamada nesta fase, podem ou não causar redução da visão.

Se os vasos afetados estiverem na região central, a mácula, o inchaço (edema macular) e sangramento (hemorragia macular) podem causar perda visual importante. Caso o edema macular seja significativo, pode ser necessário o tratamento com laser e injeções de medicamentos antiangiogênicos e corticosteroides.

Retinopatia proliferativa

A falta de oxigênio nos tecidos estimula a proliferação de novos vasos sanguíneos, na tentativa de melhorar a circulação. Os vasos anômalos crescem desordenadamente na retina e em direção ao vítreo, corpo gelatinoso que preenche a cavidade posterior do olho.

O rompimento destes neovasos leva a um sangramento nesta cavidade obstruindo a visão (hemorragia vítrea).

O sangue pode ser reabsorvido, porém esse tecido fibrovascular resultante dos neovasos pode levar à tração e descolamento da retina. Nestes casos é necessária intervenção cirúrgica.

figura representativa da retinoplastia diabética. Dois olhos, um normal e um com a doença.

Sintomas

  • Visão embaçada e/ou distorcida;
  • moscas volantes;
  • manchas na visão;
  • perda da visão.

Fatores de risco

Diagnóstico

Quando detectada precocemente, a progressão da retinopatia diabética pode ser interrompida. Todos os pacientes diabéticos devem fazer controles periódicos com um oftalmologista, pelo menos anualmente.

O especialista pode observar depósitos (exsudatos duros e moles), microaneurismas, sangramentos e edema da retina. Detectada alguma alteração, o paciente será encaminhado a um especialista em retina que, através de exames complementares, irá determinar o grau da doença e a necessidade de tratamento.

  • Angiografia fluoresceínica: avalia os vasos da retina através da utilização de um contraste venoso, a fluoresceína, e fotografias com filtros especiais. Este exame registra a presença das alterações observadas durante o exame de fundo de olho e verifica se existem áreas de isquemia, ou seja, áreas da retina que não estão recebendo oxigênio suficiente. A presença destas áreas indica gravidade do quadro e necessidade de tratamento imediato.
  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT): através deste exame observam-se as camadas da retina, registrando a presença de edema macular, hemorragias e outras alterações.
  • Ecografia B: a ultrassonografia ocular é utilizada principalmente nos casos de hemorragia vítrea, em que não é possível examinar o fundo de olho, para verificar a presença de descolamento de retina.

Tratamento

O passo inicial para o tratamento da retinopatia diabética deve ser sempre o controle da glicose. Tratar a retinopatia em pacientes com diabetes descontrolado não tem bons resultados.

Além disso, podem ser utilizados vários recursos:

  • laserterapia: o laser é utilizado para tratar microaneurismas, vasos anômalos, áreas de edema e isquemia (falta de oxigênio). Pode ser realizado em pontos isolados ou em toda retina, nos casos mais graves.
  • Antiangiogênicos: como na degeneração macular relacionada à idade, os medicamentos antiangiogênicos são utilizados para controlar a proliferação de vasos anômalos e tratar o edema macular.
  • Corticosteroides: corticosteroides são utilizados através de injeção intravítrea ou em polímeros de liberação lenta como o Ozurdex®, para tratar o edema macular.
  • Cirurgia: a vitrectomia é utilizada nos casos de hemorragia vítrea e descolamento de retina.

E, por fim: como prevenir a retinopatia diabética?

Por meio de:

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Oftalmologia

Oftalmologista, especializado em cirurgia de catarata, retina e uveítes. Membro do corpo clínico do CMH Medicina hospitalar.

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