Mulher penteando o pelo do cachorro que está com que de pelos em cães

Dra. Leila Barwinkel

A queda de cabelo em cães, em pequena quantidade, é completamente normal. Porém, quando se torna excessiva, ou começa a deixar áreas de falha no corpo do pet, algo está errado.

Existem muitas causas para este problema, também conhecido como alopecia, nos cachorros. São algumas delas: alergia, parasitas, infecções e outras doenças.

Um cão que apresenta esse problema deve ser examinado por um veterinário para que a causa seja determinada e tratada.

Causas da queda de pelo em cães

1. Fisiológica

Nas trocas de estações, principalmente no outono e primavera, a maioria dos cães tem uma queda de pelos mais acentuada. Na Primavera, especialmente, ela é muito nítida, pois ocorre logo após o inverno, quando a pelagem é mais rica em função do frio.

Nas raças de pelos curtos, como Bulldogs, Beagles, Dachshunds e Pugs, a queda dos fios é constante. Afinal, pelos curtos têm um ciclo mais rápido, fazendo com que a renovação seja frequente.

A queda de pelo fisiológica é sempre generalizada, sem falhas localizadas, prurido (coceira), feridas na pele, cheiro ruim, crostas e descamações!

2. Causa genética

Algumas raças têm predisposição à perda de pelos e formação de falhas, especialmente na orelha, peito, dorso e pescoço. Algumas delas são: Greyhound, Whippet, Chihuahua e Dachshund.

3. Eflúvio telógeno

Queda de pelos relacionada à uma doença, cirurgia, gravidez ou parto. Geralmente, após a eliminação do fator que desencadeou a perda, os pelos voltam a crescer.

4. Causas hormonais

A queda de pelos em cães causada por fatores hormonais é geralmente simétrica, bilateral e acompanhada de outros sintomas da doença de base. As principais causas são:

  • Hiperadrenocorticostismo (Doença de Cushing): caracterizada pelo aumento da concentração de cortisol circulante, resulta em uma perda generalizada de pelos.
  • Hipotireoidismo: causa mais comum de queda de pelos em cães, geralmente acompanhada de ganho de peso.
  • Diabetes mellitus: junto com a perda de pelos, os cães apresentam sede, aumento da freqüência urinária, aumento do apetite e perda de peso.
  • Alopecia responsiva ao hormônio do crescimento: resulta de uma deficiência nas glândulas adrenais, afeta preferencialmente machos e surge na adolescência. Mais frequente em algumas raças: Lulu da Pomerânia, Chow chow, Samoieda, Boxer e Poodle.
  • Deficiência de estrógeno: ocorre em fêmeas mais velhas e castradas. O pelo afina e cai por todo o corpo.
  • Alopecia X: afeta principalmente cães da raça Spitz, mas também ocorre em Huskies, Malamutes, Chow chows, Samoiedas e, às vezes, Poodles. Os animais afetados apresentam área de falha dos pelos na região dos membros posteriores e tronco. A pele exposta ao sol fica escurecida. A doença é genética e está associada a uma alteração na produção de hormônios pela glândula adrenal.

5. Dermatite acral por lambedura

Cães que se sentem sozinhos e entediados tendem a se lamber compulsivamente, o que leva a uma ferida na pele e infecção secundária. O problema é comum em cães que ficam muito tempo sozinhos ou presos, e tem fundo psicogênico. A frustração ou ansiedade da situação levam ao comportamento de automutilação, que pode ter sérias conseqüências para o animal.

É importante para o tutor reconhecer essa situação e tomar as medidas necessárias para revertê-la. Nesses casos, o enriquecimento ambiental é a medida de escolha e tem excelentes resultados.

6. Alergia

Cães podem ser alérgicos a alimentos, substâncias do ambiente ou parasitas, como pulgas e carrapatos. A dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP) é frequente e provoca muita coceira, especialmente nas regiões dorsal, coxas, abdome e pescoço. As lambidas e mordidas levam à inflamação e feridas, o que pode resultar em perda de pelos.

7. Dermatofitose

Infecção fúngica cuja apresentação típica é uma lesão sem pelos e com crostas. O diagnóstico é feito por meio de um raspado de pele.

8. Sarna demodécica

Infecção por um pequeno ácaro chamado Demodex canis. Provoca a perda de pelos em torno dos olhos e da boca, e em casos mais avançados, no tronco e nas pernas.

9. Piodermite (foliculite)

Infecção bacteriana dos folículos pilosos que leva à formação de pústulas e lesões ulceradas, com perda de pelos.

10. Dermatite solar

Doença que acomete com mais frequência animais de pelos brancos e focinho rosado, como os Dogos argentinos e Bull terriers. Acomete principalmente o nariz, as pontas das orelhas e o abdome e é causada pela exposição ao sol. As áreas afetadas se tornam despigmentadas, com perda de pelo e pequenas casquinhas, podendo evoluir para câncer de pele.

11. Alopécia de injeção

Ocorre em torno da área de aplicação de um medicamento ou vacina.

12. Deficiência de zinco

Pode resultar na perda de pelos na face e nas patas. Os Huskies e malamutes são mais susceptíveis ao problema.

13. Leishmaniose

A leishmaniose leva à queda de pelos em cães, lesões de pele, emagrecimento, apatia, crescimento exagerado das unhas, anemia,aumento do baço e alterações renais. A infecção é muito prevalente no Brasil, sendo considerada um problema de saúde pública por poder afetar o homem.

Quando procurar ajuda?

Se a perda de pelo for acompanhada de outros sinais e sintomas, o veterinário deve ser procurado. São eles:

  • coceira;
  • odor desagradável;
  • pele avermelhada ou com sinais de infecção;
  • sintomas gerais como febre, prostração e emagrecimento.

Além disso, se outro pet ou pessoa da casa apresentar lesão semelhante, provavelmente existe infecção que necessita de tratamento específico.

Tratamento

O tratamento da queda de pelos em cães depende da causa, que é determinada por meio de exame clínico e, se necessário, raspado de pele ou biópsia.

Uma boa alimentação e suplementos vitamínicos são essenciais para prevenir e tratar a queda de pelos e outros problemas dermatológicos.

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