Mulher triste sendo confortada pela terapeuta

Dr. Hermes Marcondes

Antes de procurarmos por ajuda, precisamos a princípio saber o que é a “terapia”.

A terapia consiste em uma consulta com um profissional graduado ou especializado, capaz de ajudar a pessoa a identificar, conectar e refletir sobre os problemas que muitas vezes se manifestam no seu cotidiano. Na maioria das vezes, as questões estão relacionadas a um sofrimento que pode ter origem na infância, mas que causa turbulências nos dias de hoje.

Há vários problemas de origem emocional, geralmente originados no inconsciente, nos quais a terapia atua de forma isolada ou coadjuvante para ajudar o paciente a identificá-los e superá-los. Como exemplo, podemos citar todos os tipos de fobia (agorafobia, aracnofobia, zoofobia, hematofobia etc), além dos diversos transtornos psiquiátricos, dentre eles o TAG (Transtorno de ansiedade generalizada), o TOC (Transtorno obsessivo compulsivo), dentre outros.

Diversos pacientes nem sequer imaginam que o simples ato de roer as unhas, por exemplo, pode estar relacionado a um quadro de ansiedade, cujo origem pode estar lá na infância. Esse é o papel do terapeuta. Ajudá-lo a identificar o problema, bem como fornecer os meios e subsídios para que você consiga superá-los.

Ao contrário do que muitos pensam, não é preciso estar fora de si ou à beira de um colapso nervoso para procurar uma terapia. Contudo, vale ressaltar que o acompanhamento psicológico geralmente não é necessário para cada pequeno desafio que a vida lança em nossos caminhos, especialmente quando se tem uma forte rede de apoio.

Mas então, como saber se está na hora de procurar um terapeuta? Essa pergunta, na verdade, é extremamente importante porque as pessoas, na maioria das vezes, tendem a demorar muito para buscar ajuda. Ainda mais quando os sinais de um possível transtorno psicológico ainda não são “tão óbvios” para você, mas já começam a ser percebidos pelas pessoas de seu convívio ou que você se relaciona.

Psiquiatra ou psicólogo?

Tanto o psiquiatra quanto o psicólogo são profissionais da saúde capazes de tratar questões emocionais e psicológicas. Porém, você sabe a diferença entre eles?

O psiquiatra é o profissional que se forma em medicina e faz especialização em psiquiatria. Ele trabalha com o diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com problemas psiquiátricos como, por exemplo, depressão, ansiedade, esquizofrenia e transtorno bipolar. O psiquiatra, além de se utilizar da psicoterapia, pode prescrever medicamentos controlados para seus pacientes.

O psicólogo é formado em psicologia, ciência que estuda o comportamento e os processos mentais do indivíduo. A abordagem do paciente se baseia em técnicas de psicoterapia e pode durar meses ou anos. Quando são necessários medicamentos, o psicólogo busca a parceria de um psiquiatra.

O psicanalista é um profissional que segue o método terapêutico proposto no século XX pelo neurologista Sigmund Freud. A técnica de psicanálise envolve a busca pelo equilíbrio do “eu” interior do paciente com seus questionamentos e conflitos bem como relacioná-los com os problemas que envolvem seu cotidiano e demais conflitos.

Tipos de terapia

Existem muitos tipos de psicoterapia, recomendados de acordo com a necessidade do indivíduo. Aqui seguem as mais usadas:

Psicanálise

A psicanálise é baseada nos princípios de Sigmund Freud e caracterizada, principalmente, por uma busca de autoconhecimento com ênfase no inconsciente.

Essa abordagem, de acordo com a vontade do paciente, pode utilizar classicamente o divã para que ele não fique frente a frente com o profissional e se sinta inibido ao expressar seus sentimentos e ideias.

A técnica tem como objetivo principal a interpretação do conteúdo do inconsciente bem como os efeitos que resultam em ações, pensamentos e palavras do indivíduo.

A Psicanálise utiliza, ainda, a fala e a escuta refinada como principais ferramentas dentro da entrevista psicanalítica Essa técnica também pode ser utilizada pelos psiquiatras e psicólogos que buscam uma formação na área.

Terapia behaviorista (comportamental)

Essa é uma abordagem mais direta que tem como objetivo corrigir comportamentos por meio da exposição do indivíduo aos seus medos. Existem vários tipos de terapias derivadas da behaviorista, como é o caso da cognitivo-comportamental (TCC).

A TCC se baseia na hipótese de que os transtornos psíquicos são consequência de uma percepção equivocada do mundo e das experiências da vida. A terapia, então, ajuda o indivíduo a perceber seus pensamentos, reações e sentimentos e identificar a influência destes no seu próprio comportamento.

Terapia humanista

O humanismo cultiva a auto-estima e a aceitação de si mesmo. A partir disso, é possível então fazer as mudanças necessárias na relação do indivíduo com o mundo.

Mindfulness

O mindfulness (ou terapia da atenção plena) emprega técnicas de meditação para disciplinar a mente, melhorar o foco e a concentração e reduzir o estresse. O objetivo é sair do “piloto automático” e passar a ter mais consciência dos sentimentos e sensações que ocorrem no momento.

Mas, e aí? Como saber se eu preciso de terapia?

Bem, aí vão 5 dicas de que você pode estar precisando de ajuda profissional:

1. Sentir-se constantemente triste, amedrontado, culpado, irritado ou ter a sensação de que você não está “sendo você mesmo”

Sentimentos como raiva, tristeza, ansiedade, desânimo ou medo, quando incontroláveis, podem ser um sinal de que há algo de errado com a sua saúde emocional.

Além disso, se todas essas emoções lhe impedem de comer, dormir, trabalhar e estudar, ou ainda lhe afastam da família e dos amigos, procure ajuda profissional antes que tudo isso se torne ainda mais sério e intenso.

Atenção: se esse tipo de pensamento chegar ao ponto em que você questiona se vale a pena continuar vivendo, procure ajuda imediatamente!

2. Descontar/compensar as emoções em comida, bebida ou drogas

Esse tópico, para a maioria das pessoas, não é tão óbvio quanto parece. É por isso que precisamos prestar bastante atenção em nossas tendências, vícios e comportamentos no dia-a-dia.

Se você por acaso têm recorrido a comidas, bebidas ou drogas (lícitas ou ilícitas) para se sentir melhor ou conseguir lidar com problemas e dificuldades do cotidiano e se há, ainda, uma sensação de que só é possível melhorar por meio delas, procure por ajuda profissional.

3. Ter passado por algum evento muito difícil ou traumático

Se você tem um histórico de abuso, negligência ou traumas com os quais não conseguiu superar completamente, ou ainda se foi vítima de algum crime, acidente, doença ou perda de pessoas amadas, procure por ajuda.

Quanto mais cedo você falar com alguém sobre o que te assombra, mais rápido aprenderá a lidar com a situação em questão de forma saudável.

4. Perder o interesse pelas coisas que gosta

Você por acaso parou de fazer as atividades que normalmente gosta? Pode ser assistir a um filme, ler, sair com os amigos, pedir uma comida gostosa no fim de semana, cozinhar etc.

Ocorre que perder o interesse pelos seus hobbies favoritos é sinal de que talvez seja o momento de procurar por terapia. Afinal, são essas coisas que nos dão energia para levantarmos da cama todos os dias e aproveitarmos a vida.

OBS: Perder o interesse por um hobbie ou dois não é o problema. Isso é completamente normal e faz parte de todos nós. O ponto crítico surge quando simplesmente tudo, ou pelo menos a maioria das coisas que você ama fazer, perdem a graça.

5. Falhar em todas as tentativas de aliviar ou superar os sentimentos ruins

Normalmente, basta recorrer a uma atividade prazerosa e/ou relaxante para deixar de lado, nem que seja por pouco tempo, os sentimentos ruins que nos assombram.

Muitas pessoas saem para correr, escutam música, assistem a um filme, chamam os amigos para um happy hour, praticam yoga, meditam e por aí vai. A maioria consegue, no fim do dia, espairecer a mente o suficiente para se desligarem dos seus problemas.

Porém, se você, ao tentar de tudo para chegar nesse estado de “semi-plenitude”, e continuar falhando bem como ainda sentindo-se preso às angústias, chegou a hora em procurar por ajuda..

E por fim: como procurar a ajuda certa?

O primeiro passo para encontrar o tratamento correto para o seu caso é recorrer a um profissional qualificado. Para isso, faça uma boa pesquisa. Peça por recomendações, procure por especialistas online que tenham boas avaliações e não tenha medo de fazer a “primeira consulta” para formar uma opinião sólida sobre a pessoa.

Lembre-se: tudo passa, principalmente com os cuidados certos.

Cuide-se e até a próxima.

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