Cachorro com idade avançada e sua tutora criança ao ar livre. Ambos estão felizes mostrando como prolongar a vida do cachorro pode ser algo positivo

Dra. Juliana Franzo

Quem já não perdeu um pet querido e quis voltar no tempo e fazer algo diferente? Acredito que todos nós…

Todos os tutores apaixonados pelos seus pets sabem que, algum dia, terão que enfrentar a dor de uma perda. Os cães e gatos, infelizmente, vivem bem menos que os humanos.

No mundo todo, em humanos e animais, a questão da longevidade tem sido discutida e pesquisada. O que podemos fazer para que nós mesmos, e os nossos pets, vivamos por mais tempo com saúde e qualidade de vida?

É isso que vamos descobrir…

Como prolongar a vida dos nossos pets?

1- Exercício físico

O exercício físico libera diversas substâncias no organismo, entre elas algumas enzimas promotoras de saúde. Elas atuam em diversos processos metabólicos aumentando o tempo de vida das células, combatendo os radicais livres e evitando inflamação e doenças crônicas.

Nada melhor para você e o seu cão do que uma caminhada de 30 minutos ao dia. Em casa, promova atividades de enriquecimento ambiental para que os pets fiquem ativos e felizes.

Cães gostam de correr atrás de bolas e garrafas pets, ou pular para pegar coisas penduradas. Gatos amam bolinhas de papel, varinhas com objetos pendurados, arranhadores, prateleiras e muitas outras brincadeiras.

Acima de tudo, eles gostam de interagir com você!

2- Controle das porções

Além de fornecer alimentos biologicamente apropriados para a espécie, é importante controlar o tamanho das porções. Geralmente os tutores fornecem maior quantidade de alimentos do que o necessário. Reduzir em 20% a quantidade diária de comida é a recomendação dos especialistas!

Além disso, cães não precisam comer várias refeições ao dia. Comer uma ou, no máximo, duas vezes em 24 horas é suficiente. Períodos de jejum são benéficos para eles!

3- Manter o peso saudável

A obesidade causa uma inflamação crônica no organismo, associada a diversas doenças graves como: síndrome metabólica, diabetes, pancreatite, doença cardiovascular, câncer e muitas outras.

Além disso, o excesso de peso corporal é um fator de estresse sobre as articulações e resulta em artrose e problemas sérios na coluna.

É responsabilidade do tutor manter o peso do animal saudável através de uma dieta equilibrada, controle das porções e manutenção de exercícios regulares para prolongar a vida de seu peludo!

4- Nada de alimentos industrializados!

Investir em “comida de verdade” é um dos principais promotores de saúde em humanos e animais. Ração, bifinhos, biscoitos têm em sua composição corantes, conservantes e várias substâncias tóxicas. Além disso, possuem praticamente ZERO nutrientes!

Invista na alimentação natural e em petiscos saudáveis para o seu amigo… (e para você!)

5- Use alimentos bioapropriados

A dieta bioapropriada para cães e gatos deve ter muita proteína e poucos carboidratos, especialmente na forma de grãos processados. A composição ideal é:

  • grande quantidade de proteína animal, de preferência crua;
  • pequena quantidade de frutas e vegetais ricos em antioxidantes e fibras;
  • gordura de boa qualidade;
  • fontes naturais de minerais, vitaminas e ácidos graxos;
  • os alimentos devem ser frescos, úmidos e não processados.

Grãos, corantes, preservativos artificiais, aditivos, produtos químicos ou comidas processadas não devem fazer parte da alimentação dos animais.

Os animais que utilizam a alimentação natural têm mais resistência a doenças infecciosas, especialmente virais, têm menos alergias, apresentam pelagem brilhante e macia, não têm mau cheiro, são bem hidratados e têm mais vitalidade.

O alimento processado é conveniente, prático e pode ser utilizado esporadicamente, porém o animal não deve consumi-lo de forma contínua.

6- Visitas regulares ao veterinário

Detectar precocemente as doenças possibilita o tratamento e, muitas vezes, a cura. Um cão saudável deve visitar o veterinário duas vezes ao ano, sendo que em uma dessas visitas serão realizados exames laboratoriais.

7- Uso de antioxidantes

Uma das causas do envelhecimento e morte das células é a presença de radicais livres. Eles são moléculas instáveis que interagem com várias substâncias no organismo, danificam o DNA e a membrana das células.

O organismo produz uma série de antioxidantes, porém, nem sempre em quantidade suficiente para evitar totalmente o estresse oxidativo.

É muito importante consumir alimentos contendo antioxidantes para garantir que a maioria dos radicais livres seja neutralizada e, assim, prolongar a vida. Isso vale para o pet e para o tutor!

Os antioxidantes estão presentes em muitos alimentos, como as frutas, vegetais, cereais, ovos, carne e legumes. Além disso, podem ser manipulados na forma de suplementos alimentares.

8- Combater infecções e inflamações

Inflamações crônicas são comuns em cães e gatos, especialmente nos mais idosos. Alguns exemplos são a doença periodontal e a doença do carrapato.

Muitas vezes silenciosas, essas inflamações são detectadas apenas pelo médico veterinário, durante os exames de rotina.

9- Suplementação com ômega 3

O Ômega 3 é um suplemento nutricional muito indicado para animais, principalmente os cães. Essa substância é essencial para o funcionamento do organismo e somente pode ser adquirida através da dieta ou suplementação.

As formas ativas do ômega 3 (DHA e EPA) estão presentes em grande quantidade nos peixes e frutos do mar.

Comparativamente, o ômega 3 vegetal, presente nas sementes, castanhas e algumas algas, é do tipo ALA. Para exercer suas funções no organismo, o ALA deve ser primeiramente convertido em EPA e DHA. Nos animais, como nos humanos, a eficiência desta conversão é muito pequena.

O óleo de peixe pode ser usado em cães e gatos com segurança.

10- Vacinas: apenas o necessário, sem excessos!

Estudos mostram que a imunidade produzida pelas vacinas tem duração longa, às vezes maior que 3 anos.

Portanto, nem todo animal precisa receber todas as vacinas anualmente.

Na visita anual ao veterinário, pode ser realizada a titulação (medida dos anticorpos) para determinar se cada vacina é ou não necessária. Dessa forma, os pets não recebem uma carga de vacinas excessiva e potencialmente maléfica para a sua saúde.

11- Evitar vermífugos e anti parasitários sem necessidade

Esses medicamentos, via oral ou tópica (spray e coleiras), são tóxicos para os animais e, por isso, podem atrapalhar o processo de prolongar a vida deles.

Os vermífugos podem ser administrados duas vezes ao ano, dependendo do ambiente em que o animal vive, ou o exame de fezes pode ser realizado para verificar se o medicamento é realmente necessário.

Hoje existem produtos naturais que podem ser utilizados para repelir pulgas e carrapatos, sem prejuízos para a saúde dos nossos peludos.

12- Evitar a castração precoce

A castração de animais domésticos é um assunto polêmico. Ela é indicada pelos veterinários principalmente para evitar a reprodução indesejada. Embora seja um motivo válido em muitas situações, como casas com muitos pets ou em abrigos, tutores responsáveis e seus cães devem ser avaliados individualmente e orientados antes de decidirem pela cirurgia.

Alguns problemas de saúde são comprovadamente prevenidos pela castração: câncer de útero e ovário, piometra (infecção do útero), hiperplasia benigna da próstata e câncer de testículo. A literatura é controversa em relação ao câncer de mama, mas a maioria dos veterinários defende que a castração entre o segundo e o terceiro cios deve ser indicada com esse objetivo.

Os cães castrados precocemente, antes dos seis meses de idade, têm maior risco de:

  • displasia de quadril em machos;
  • rotura do ligamento cruzado;
  • alterações urinárias;
  • hipotireoidismo;
  • câncer (osteosarcoma, linfoma, linfosarcoma, câncer de bexiga, hemangiosarcoma, mastocitoma);
  • infecções;
  • demência;
  • alterações do comportamento;
  • obesidade.

É importante entender que a castração tem suas indicações e que cada animal e sua família devem ser avaliados individualmente. Nos casos em que for feita a opção pela cirurgia, deve-se fazer o máximo esforço para que seja evitada a castração antes de 2 anos de idade.

Além disso, é importante saber que existem métodos alternativos de castração que não envolvem a retirada dos ovários e testículos. Nas fêmeas pode ser retirado apenas o útero, e, no macho, pode ser realizada a vasectomia.

Esses procedimentos são mais simples e têm menor risco de complicações que a castração convencional, além de preservar a produção dos hormônios sexuais e seus efeitos benéficos na saúde.

Por fim…

Da mesma forma como devemos cuidar da nossa saúde, fazendo as escolhas certas, somos responsáveis também pela saúde dos nossos animais. Uma dieta apropriada, exercícios, brincadeiras, amor e atenção fazem toda a diferença para prolongar a vida dos nossos pets e promover a eles o bem-estar!

Ebook 12 Dicas para prolongar a vida do seu pet