Médica sorridente fazendo um exame oftalmológico em uma criança

Adriana Bonfioli

Você nunca foi a uma consulta oftalmológica? Saiba que 40 a 50% dos casos de cegueira poderiam ter sido prevenidos por meio de visitas regulares ao especialista.

Pessoas que têm alterações oculares na família, doenças sistêmicas que podem trazer complicações para a visão e indivíduos com idade acima de 40 anos precisam ter um controle periódico regular para preservarem a visão. Porém, essa é uma prática que, infelizmente, não é adotada por muitos pacientes, principalmente os mais novos.

Por isso, neste artigo você saberá quando a primeira consulta do nenê está indicada, como se preparar para ela e qual a periodicidade sugerida para os controles. Preparado?

Teste do Olhinho

A primeira avaliação dos olhos do recém-nascido é feita na maternidade. O “Teste do Olhinho” é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Ele foi instituído por lei em vários estados e é realizado assim que o bebê nasce, geralmente pelo pediatra.

É um exame simples e rápido. Um pequeno feixe de luz é projetado dentro dos olhos do bebê e o reflexo vermelho que se forma é observado pelo médico. Se houver algum obstáculo a esse feixe de luz, como uma catarata, tumor ou descolamento de retina, o reflexo se mostrará alterado e o bebê será encaminhado imediatamente para consulta oftalmológica.

Atenção: a detecção e tratamento imediatos destas doenças que citamos acima é imprescindível para evitar perdas de visão irreversíveis em crianças.

Primeiro exame com o especialista: aos 6 meses de idade

Recomenda-se que a primeira consulta com um oftalmologista ocorra aos seis meses de idade.

Durante este exame, realizado após a dilatação das pupilas, o especialista realizará uma inspeção das pupilas e superfície ocular para verificar se há estrabismo, realizar a retinoscopia e a fundoscopia. A retinoscopia possibilita identificar a presença de erros refracionais como Miopia, Hipermetropia e Astigmatismo.

Mais importante do que saber se há possibilidade da criança precisar de óculos, porém, é saber se existe alguma diferença de “grau” entre os olhos, chamada de Anisometropia. No Estrabismo e na Anisometropia, um dos olhos não desenvolve a visão de forma normal, ficando “preguiçoso” ou amblíope (olho vago ou preguiçoso).

A fundoscopia no bebê, por fim, avalia a retina e o nervo óptico, verificando a presença de doenças como Catarata congênita, Glaucoma congênito, Retinopatia da prematuridade e tumores. Se necessário, pode ser feita a medida da pressão intraocular durante esta avaliação, utilizando o Tonopen.

Durante a infância

A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) sugere que um exame ocular completo seja realizado pelo oftalmologista a cada 6 meses durante os dois primeiros anos e, depois, anualmente entre os 7 e 9 anos de idade.

Porém, o profissional deve ser procurado em qualquer idade para uma consulta oftalmológica caso a família perceba algum dos seguintes sinais e sintomas:

  • Alteração do reflexo vermelho em fotografias (Leucocoria);
  • “Olho torto” (estrabismo);
  • Pálpebra caída (ptose);
  • Lacrimejamento constante;
  • Olhos vermelhos;
  • Secreção ocular;
  • Dificuldade para enxergar ou distinguir cores;
  • Tendência a apertar os olhos para tentar ver os objetos que estão longe;
  • Dores de cabeça;
  • Visão dupla.

Nos adultos

Pessoas abaixo de 40 anos, saudáveis, sem história familiar de doenças oculares e que não apresentam outros fatores de risco para alterações visuais podem ser avaliadas a cada 2 ou 3 anos.

Alguns fatores de risco para doenças oculares são: Diabetes, Hipertensão arterial, uso de medicações como Amiodarona, Etabutol, Hidroxicloroquina, Prednisona e Tamoxifeno. Em qualquer época, uma consulta oftalmológica deverá ser marcada imediatamente se aparecerem sinais ou sintomas oculares anormais.

Após os 40 anos, é recomendada uma avaliação anual. Afinal, nesta faixa etária, o risco de aparecimento de doenças oculares como Glaucoma e Catarata aumenta progressivamente. O diagnóstico precoce é a principal arma na prevenção de perdas visuais irreversíveis.

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