Contra plongeé de crianças sorridentes em cima de brinquedo de parquinho

Adriana Bonfioli

Que a ginástica é necessária para a manutenção da saúde e um crescimento saudável, ninguém duvida. Porém, na hora de escolher qual é o melhor exercício físico para crianças e adolescentes, aí nem sempre é fácil!

A educadora física Andreia Raymundo, especialista em Psicomotricidade, conta que a prática do esporte, com seus desdobramentos corporais coordenativos e sociais, é importante por fazer parte da linguagem infantil. “As crianças se identificam [com o exercício físico], principalmente pelo seu caráter lúdico, gerando uma experiência prazerosa e significativa que será arquivada e disponibilizada para subsidiar outras aquisições de conhecimento, inclusive os escolares”, explica.

De acordo com a educadora, o esporte oferece meios eficazes para desenvolver os aspectos coordenativos e o esquema corporal como um todo. Permite o amadurecimento das funções emocionais e relacionais da criança.

“Vale ressaltar que o esporte, assim como toda atividade corporal educativa ou reeducativa, deve ser bem mediado por profissionais habilitados para garantir um bom planejamento, principalmente no que diz respeito ao conhecimento do desenvolvimento infantil e processos adequados de se ensinar, considerando cada faixa etária, metodologias, espaços e recursos materiais adequados”.

Quando começar o exercício físico na infância?

Pensando na importância do esporte na infância, muitos pais passam pelo questionamento de qual a melhor idade e até mesmo qual é a atividade física mais indicada para a criança.

A especialista Andreia Raymundo esclarece que os estímulos corporais, sejam por meio do esporte ou de outras ações, devem ser iniciados desde o nascimento, ao longo de todas as faixas etárias.

Ela explica que é importante entender as demandas das crianças em cada idade, conforme as suas necessidades de aprendizagem que aumentam paralelamente ao desenvolvimento neurológico, tornando-se cada vez mais complexo.

“Na verdade, não existe uma idade adequada, mas sim o quê, e como fazer. O esporte deve também respeitar esta complexidade crescente da criança e garantir, principalmente entre os quatro e doze anos, um foco voltado para a ampliação do vocabulário motor da criança, seu autoconhecimento corporal, suas possibilidades de exploração do movimento e transferência para o meio e os objetos.

É importante:

  • variar;
  • ampliar;
  • diferenciar;
  • explorar o máximo possível.

Dentro desta visão do processo, não cabe o pensamento do treinamento precoce. Não podemos tratar as crianças como adultos em miniatura. Na verdade, a criança, paralelamente ao seu desenvolvimento corporal, está amadurecendo o seu emocional, expandindo sua relação com o mundo. Lidar com o excesso de cobrança, nesse momento, pode significar o fracasso, a frustração e, o pior, o abandono das práticas esportivas”, alerta.

O que não é indicado?

Cada etapa vivida pela criança condiz com algum tipo de atividade. Para a educadora física, não existem restrições para a prática, uma vez que esteja adequada às necessidades de cada grupo. Elas podem ser acessadas por todos, como explica Andreia Raymundo, mas muitas vezes podem concorrer com as necessidades de adaptações e limitações dos campos físico, emocional e relacional, dentro do princípio da individualidade.

Com sua experiência à frente de diversas escolas de esportes e mesmo com atendimentos individuais, a professora destaca que “o esporte é um excelente meio de desenvolvimento para todas as idades. É uma atividade rica em objetivos, desafios, sendo um bom meio de aprender a lidar com a própria vida”, acrescenta.

A educadora ressalta que é relevante que o professor tenha um olhar afinado para o desenvolvimento infantil. Assim, ele não excede em cobranças coordenativas, emocionais e sociais indevidas, gerando fracasso, decepções, medos, inibições e frustrações nas crianças. “O grande papel do mediador é promover a empatia com a prática. É ensinar a gostar, observar a importância, levar a criança a se apaixonar pelas possibilidades corporais e guiar pelo autoconhecimento corporal. Esse sim é o ensino do esporte para a vida toda.”

Qual o papel da família no exercício físico da criança?

A família tem um papel fundamental no desfecho favorável deste processo.

Sua atuação contribui para que seja algo positivo, agregado à vida, ou uma experiência traumática. A família não deve escolher, mas orientar. As crianças não devem ser submetidas a uma especialização precoce, que impediria a vivência de experiências diversificadas, que criam diferenciais importantes diante das demais atividades.

“Muitas crianças apresentam dificuldades escolares como, por exemplo, na escrita, por não possuírem uma coordenação global e fina adequada para esta prática. Nós recebemos muitas pessoas com dificuldades escolares e é importante dar tempo ao desenvolvimento, deixar que elas conheçam, sem definir padrões de forma precipitada” orienta a especialista.

Outra questão levantada pela especialista é que os pais não transferiram seus sonhos em relação ao esporte. Eles criam expectativas de auto realização esportiva no filho que, muitas vezes, não pode ou não quer correspondê-las.

A criança é um ser individual com suas emoções e desejos em desenvolvimento. “O esporte sempre foi e continuará sendo um grande aliado da educação, da sociedade e, principalmente, das famílias. O que precisa é informação, planejamento, para que seja respeitado esse desenvolvimento, em cada etapa”. Assim, a criança não será atropelada no seu processo e obterá os bons frutos que o esporte pode agregar na sua vida.

Quais são os benefícios do esporte/exercício físico?

Os benefícios do esporte na infância são enormes e contribuem na formação do cidadão na fase adulta. Para que sejam de fato desenvolvidas as habilidades que eles oferecem, é necessário que eles sejam incorporados na vida do jovem de forma natural e lúdica.

Dentre os benefícios, podemos listar:

  • enrijecimento da musculatura;
  • favorecimento do desenvolvimento psicomotor;
  • desenvolvimento da autoconfiança;
  • melhora da autoestima;
  • aperfeiçoamento do autocontrole;
  • desenvolvimento do eixo de movimento;
  • aumento da noção de responsabilidade;
  • construção da disciplina;
  • resiliência;
  • aprendizado de como lidar com a frustração;
  • aprimoramento da criatividade;
  • superação da timidez;
  • facilidade em cumprir regras;
  • promoção da integração social;
  • criação de hábitos saudáveis.

Lembrete importante: a atividade deve ser associada a um momento de prazer, sendo sempre relacionado a algo de interesse da criança e na presença de um profissional capacitado para o trabalho.

Atenção: nada de excessos!

Pesquisadores da Academia Americana de Pediatria publicaram um estudo que aponta que dentre 744 crianças na faixa etária de 4 a 12 anos, observadas no estudo, uma parte considerável sofreu algum dano físico causado por causa do esporte que praticavam.

Isso não é motivo para retirar seu filho de todos os exercícios físicos que ele pratica e mantê-lo afastado por tempo indeterminado. Trata-se de um sinal, um convite para dedicar uma atenção especial ao perceber alguns sinais na criança.

Conheça os cinco sinais de alerta:

  • demonstração de cansaço excessivo;
  • alto nível de irritabilidade;
  • dores musculares frequentes;
  • baixa no desempenho escolar;
  • resistência e desculpas para não ir à aula do esporte escolhido.

Observar tais sinais e sintomas pode ser crucial para evitar o esgotamento físico e mental da criança ou adolescente.

Mantenha sempre o diálogo e oriente para que, sempre com sua ajuda e de um profissional, a criança faça o que de fato gosta mais e lhe dá mais alegria. Somente desta forma, aliando sempre a uma alimentação adequada, iremos formar jovens e adultos saudáveis.

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