Contra plongeé de crianças sorridentes em cima de brinquedo de parquinho

Dra. Denise Brasileiro

Que a ginástica é necessária para a manutenção da saúde e um crescimento saudável, ninguém duvida. Porém, na hora de escolher qual é o melhor exercício físico para crianças e adolescentes, aí nem sempre é fácil!

A prática do esporte, com seus desdobramentos corporais coordenativos e sociais, é importante por fazer parte da linguagem infantil. Ocorre que as crianças se identificam com o exercício físico, principalmente pelo seu caráter lúdico. Isso gera uma experiência prazerosa e significativa que será arquivada e disponibilizada para subsidiar outras aquisições de conhecimento, inclusive os escolares.

Além disso, o esporte oferece meios eficazes para desenvolver os aspectos coordenativos e o esquema corporal da criança como um todo. Permite, também, o amadurecimento das suas funções emocionais e relacionais.

Quando começar o exercício físico na infância?

Pensando na importância do esporte na infância, muitos pais passam pelo questionamento de qual a melhor idade e até mesmo qual é a atividade física mais indicada para a criança

Na verdade, não existe uma idade adequada, mas sim o quê, e como fazer. O esporte deve, também, respeitar esta complexidade crescente da criança e garantir, principalmente entre os quatro e doze anos, um foco voltado para a ampliação do vocabulário motor da criança, seu autoconhecimento corporal, suas possibilidades de exploração do movimento e transferência para o meio e os objetos.

É importante, então:

  • variar;
  • ampliar;
  • diferenciar;
  • explorar o máximo da criança o possível.

Dentro desta visão do processo, não cabe o pensamento do treinamento precoce. Não podemos tratar as crianças como adultos em miniatura. Na verdade, a criança, paralelamente ao seu desenvolvimento corporal, está amadurecendo o seu emocional, expandindo sua relação com o mundo.

Lidar com o excesso de cobrança, nesse momento, pode significar o fracasso, a frustração e, o pior, o abandono das práticas esportivas.

O que não é indicado?

Cada etapa vivida pela criança condiz com algum tipo de atividade. Por isso, não existem exatamente restrições, mas sim práticas que  estejam adequada às necessidades de cada idade. É importante, então, que o professor tenha um olhar afinado para o desenvolvimento infantil. Assim, ele não excede em cobranças coordenativas, emocionais e sociais indevidas, gerando fracasso, decepções, medos, inibições e frustrações nas crianças.

Qual o papel da família no exercício físico da criança?

A família tem um papel fundamental no desfecho favorável deste processo.

Sua atuação contribui para que seja algo positivo, agregado à vida, ou uma experiência traumática. A família não deve escolher, mas orientar. As crianças não devem ser submetidas a uma especialização precoce, que impediria a vivência de experiências diversificadas, que criam diferenciais importantes diante das demais atividades.

Outro ponto importante é que os pais não transferiram seus sonhos em relação ao esporte. Eles criam expectativas de auto realização esportiva no filho que, muitas vezes, não pode ou não quer correspondê-las. Afinal, a criança é um ser individual, com suas emoções e desejos em desenvolvimento.

Quais são os benefícios do esporte/exercício físico?

Os benefícios do esporte na infância são enormes e contribuem na formação do cidadão na fase adulta. Para que sejam de fato desenvolvidas as habilidades que eles oferecem, é necessário que eles sejam incorporados na vida do jovem de forma natural e lúdica.

Dentre os benefícios, podemos listar:

  • enrijecimento da musculatura;
  • favorecimento do desenvolvimento psicomotor;
  • desenvolvimento da autoconfiança;
  • melhora da autoestima;
  • aperfeiçoamento do autocontrole;
  • desenvolvimento do eixo de movimento;
  • aumento da noção de responsabilidade;
  • construção da disciplina;
  • resiliência;
  • aprendizado de como lidar com a frustração;
  • aprimoramento da criatividade;
  • superação da timidez;
  • facilidade em cumprir regras;
  • promoção da integração social;
  • criação de hábitos saudáveis.

Lembrete importante: a atividade deve ser associada a um momento de prazer, sendo sempre relacionado a algo de interesse da criança e na presença de um profissional capacitado para o trabalho.

Atenção: nada de excessos!

Pesquisadores da Academia Americana de Pediatria publicaram um estudo que aponta que dentre 744 crianças na faixa etária de 4 a 12 anos, observadas no estudo, uma parte considerável sofreu algum dano físico causado por causa do esporte que praticavam.

Isso não é motivo para retirar seu filho de todos os exercícios físicos que ele pratica e mantê-lo afastado por tempo indeterminado. Trata-se de um sinal, um convite para dedicar uma atenção especial ao perceber alguns sinais na criança.

Conheça os cinco sinais de alerta:

  • demonstração de cansaço excessivo;
  • alto nível de irritabilidade;
  • dores musculares frequentes;
  • baixa no desempenho escolar;
  • resistência e desculpas para não ir à aula do esporte escolhido.

Observar tais sinais e sintomas pode ser crucial para evitar o esgotamento físico e mental da criança ou adolescente.

Mantenha sempre o diálogo e oriente para que, sempre com sua ajuda e de um profissional, a criança faça o que de fato gosta mais e lhe dá mais alegria. Somente desta forma, aliando sempre a uma alimentação adequada, iremos formar jovens e adultos saudáveis.

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