Pets como fumantes passivos: quais são os riscos e consequências?

Mão com cigarro e cachorro deitado no chão sob um fundo branco

Você sabia que, a cada ano, morrem cerca de 900 mil fumantes passivos no mundo? E o mais curioso: para uma prática que é considerada, globalmente, como a terceira causa mais evitável de mortes, perdendo apenas para o alcoolismo e o tabagismo ativo.
O grande problema é que muitas pessoas não fazem ideia de que o ato de fumar não só prejudica o indivíduo que o faz, como a todos os outros que estão próximos a ele. E sim, inclusive os pets.
Pensando nisso, preparamos um artigo com tudo que você precisa saber sobre esse assunto, desde os perigos do tabagismo passivo para os animais, até como protegê-los dessa prática. Vamos lá?

Os perigos do cigarro para fumantes passivos

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a fumaça presente no tabaco possui cerca de 7.000 compostos químicos, sendo 69 destes potenciais causadores de câncer.
Não é de se espantar, então, que a fumaça que um cigarro solta contenha milhares de substâncias tóxicas (como o monóxido de carbono, a amônia, o formaldeído etc) que não são somente inaladas pelo fumante, como também circulam pelo ar.
Isso sem falar que essa fumaça, em suma, ainda pode conter até três vezes mais monóxido de carbono e nicotina, e 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que aquela que o fumante inala.
Por fim, é muito importante ressaltar que o tabagismo passivo pode causar: reações alérgicas (rinite, piora nos quadros de asma, conjuntivite etc) e outras condições ainda mais graves, como infarto, câncer de pulmão, enfisema pulmonar e por aí vai.

O pet como fumante passivo

Imagine, então, que essa fumaça não só é inalada pelo pet, como também está presente em todos os cantos da casa. Pelo fato de os bichinhos ficarem grande parte do tempo no chão, ou próximos a ele, é comum que eles tenham contato direto com o tabaco, por exemplo, que impregna nos tapetes, sofás, cortinas etc.
Além disso, tanto os bichinhos de estimação quanto crianças conseguem, ainda, absorver as substâncias tóxicas do cigarro por meio da pele e da língua (colocando as mãos na boca, no caso dos pequenos, ou lambendo os pêlos, no caso dos pets).
É importante entender, também, que a fumaça do cigarro “agarra”, que nem cola mesmo, nas roupas, pele e cabelos do fumante. Ou seja: “pitar um” do lado de fora da casa e voltar imediatamente depois para ela, abraçando seus filhos e pets, não adianta muito quando o assunto é evitar expô-los ao tabagismo.

As consequências do tabagismo passivo para os pets

1. Câncer

Há evidências que sugerem que a fumaça do tabaco aumenta o risco de câncer nasais e de pulmão em cães. Porém, vale ressaltar que nem todos os casos dessas doenças em pets se resumem ao fumo passivo.
Os gatos, por sua vez, correm mais risco de desenvolverem câncer de sangue e de boca que outros animais de estimação quando o assunto é tabagismo passivo. Isso acontece porque eles costumam se lamber bastante, podendo ingerir as partículas tóxicas da fumaça que ficam presas em seus pelos.

2. Problemas respiratórios

Os pets podem, também, ter sintomas semelhantes à asma como chiado, tosse e/ou hiperventilação, todos causados ​​pela inalação de fumaça de segunda mão.
Por isso, inclusive, é preciso ter bastante atenção com peludos de raça braquicefálica (buldogue francês, pug, gato persa etc), pois estes têm MUITA tendência a desenvolverem problemas respiratórios.

3. Dependência/intoxicação

Como seres humanos, gatos e cães também podem desenvolver dependência de nicotina ao comerem bitucas de cigarro ou adesivos de nicotina (novos ou usados).
A nicotina, por si só, é muito tóxica e, por isso, pode se tornar até mesmo letal para os peludos quando consumida em grandes quantidades (máximo de 20 mg). Para se ter uma base comparativa, um cigarro pode ter até 2 mg de nicotina, enquanto os adesivos podem chegar a 15 mg.

São sinais de intoxicação por nicotina em animais de estimação:

  • vômito;
  • instabilidade;
  • salivação excessiva;
  • cansaço;
  • ritmo cardíaco acelerado;
  • tremor;
  • fraqueza;
  • convulsões;
  • morte.

E, por fim, o que você pode fazer para proteger seu pet do tabagismo passivo?

Não fumar ao redor do seu animal de estimação é a única maneira de protegê-lo completamente. Além disso, quando for ascender um cigarro, faça-o fora de casa e, de preferência, em ambientes arejados para que a fumaça não impregne em suas roupas, pele e cabelos.
A melhor decisão, tanto para a sua saúde e a do seu pet, na verdade, é reduzir seus níveis de tabagismo gradualmente, até que eles cheguem a zero.

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Medicina Veterinária

Médica oftalmologista e idealizadora do Convite à Saúde. Atualmente atende na Clínica Advision, nas especialidades de plástica ocular e cirurgia de catarata. Paralelamente, escreve e coordena o departamento de redação do portal, além de prestar consultoria na área de auditoria médica.

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