Close de pés de uma pessoa se pesando na balança para poder calcular seu IMC

Dra. Adriana Bonfioli

Manter o peso ideal e cuidar da saúde pode ser bem desafiador na atualidade, principalmente em uma cultura de consumo de comidas rápidas, gordurosas e, também, ricas em açúcar. Além disso, a sociedade vive em um momento que cultua dietas da moda e um ideal de beleza que, como já sabemos, pode não ser saudável.

Sendo assim, orientar-se verdadeiramente sobre a saúde e a alimentação, com tantas indicações e notícias, é muito complicado. Uma das ferramentas que podem nos ajudar a saber se estamos no peso ideal é o Índice de Massa Corporal (IMC).

Este, por sua vez, calcula qual a massa real do corpo em relação ao nosso peso e altura, e classifica o status geral do peso. Este, por sua vez, quando apresenta valores muito altos, pode indicar que o paciente está com sobrepeso, e é sobre isso que vamos falar no próximo tópico!

Os perigos do sobrepeso

O sobrepeso pode afetar a nossa saúde de várias formas. Afinal, é um dos fatores que aumenta as chances de se desenvolver várias condições de saúde como:obesidade, diabetes tipo 2, pressão alta e alguns problemas cardiovasculares.

Conhecer os sinais do seu corpo, portanto, é muito importante para manter a vitalidade em dia. Para isso, existem recursos desenvolvidos pela medicina moderna que nos auxiliam e nos permitem compreender melhor o nosso organismo.

Uma das mesuras que nos ajudam na manutenção e controle da saúde, como já comentamos acima, é o IMC. Continue conosco para saber tudo o que precisa sobre esse assunto!.

A saúde e o estilo de vida:

Manter uma alimentação equilibrada e rica em vitaminas e nutrientes é fundamental. Vigiar a quantidade e o tipo de refeição que comemos pode ser indispensável na busca por uma vida saudável. Além disso, a hidratação constante e os exercícios físicos regulares são os melhores aliados para o controle do peso.

O autocuidado é uma forma de nos mantermos bem, tanto físico quanto emocional e psicologicamente. Às vezes, com a dinâmica do dia a dia, podemos nos esquecer até mesmo das coisas básicas (como beber água, ter atenção com a postura e oferecer uma nutrição adequada e consciente para o nosso corpo), o que pode ser muito prejudicial à saúde.

O problema é que o nosso corpo sempre acabamos sentindo os efeitos de um estilo de vida insalubre, mesmo que à longo prazo, e eles podem se manifestar de várias formas. Ao não darmos atenção às necessidades básicas (ou até mesmo específicas e momentâneas) do nosso organismo, perdemos a oportunidade de ter uma longevidade, atuando como agentes que trabalham contra si mesmos. Pesado, né?

Pode ser que alguns momentos que vivemos sejam mais difíceis, pedindo um dinamismo e praticidade. Porém devemos criar maneiras de ultrapassar as barreiras do cotidiano em prol de nós mesmos, pois ao envelhecermos, sentimos os efeitos e pagamos o preço por termos vivido de maneira desatenta ou desregrada.

Afinal: qual o peso ideal para a minha altura e idade?

Para muitas pessoas, essa é uma dúvida frequente e, certamente, elas querem saber a resposta para ela. Porém, é muito difícil estabelecer a média de um peso saudável ideal para cada indivíduo, porque existem diversos fatores para manter em dia a saúde, e cada um deles desempenha um papel distinto. Isso inclui idade, proporção de gordura muscular, altura, sexo e distribuição de gordura corporal ou, inclusive, a forma e estrutura corporal.

Não necessariamente uma pessoa com sobrepeso tem ou pode desenvolver problemas de saúde. Todavia, os pesquisadores acreditam que, apesar de esses quilos extras não serem o suficiente para afetarem a saúde de uma pessoa, a não atenção e cuidado com o peso, associadas ou não à práticas negativas para a saúde, pode gerar problemas no futuro.

O que é o Índice de Massa Corporal?

O índice de massa corporal é uma forma de fazer a avaliação quantitativa aproximada da gordura corporal com base na sua altura e peso. Ele não mede diretamente, mas usa uma equação para fazer uma estimativa.

O IMC pode ajudar a determinar se uma pessoa está com um peso saudável para as suas condições físicas, ou não. Quando ele está elevado, é um indicativo de que talvez haja muita gordura no corpo. Já quando baixo, pode ser um sinal de pouca gordura no corpo.

Uma pessoa que tenha um índice de massa corporal elevado pode ter maiores chances de desenvolver certas condições graves relacionadas ao excesso de peso, como doenças cardíacas, hipertensão, problemas circulatórios e diabetes. Já uma pessoa que apresenta um IMC muito baixo também pode desenvolver problemas de saúde, incluindo perdas ósseas, diminuição da função imunológica e anemia.

Como é calculado o índice?

O seu IMC é calculado dividindo o peso de uma pessoa pela sua altura elevada ao quadrado. O número obtido como resultado é o seu Índice. E para saber as condições em que seu peso está, são usados os seguintes parâmetros:

  • abaixo do peso ideal: IMC é menor que 18,5.
  • peso saudável: IMC entre 18,5 e 24,9.
  • sobrepeso: IMC entre 25 a 29,9.
  • obeso: IMC é 30.0 ou superior.

Existem diferenças na leitura do IMC para crianças e adultos?

O cálculo do IMC é realizado da mesma forma para todas as pessoas, independentemente de sua idade. Entretanto, sua interpretação é realizada de maneira diferente para adultos, pessoas com menos de 20 anos e crianças.

Embora a fórmula seja a mesma, as implicações no resultado para crianças e adolescentes podem variar de acordo com a sua idade e sexo. A porção de gordura corporal muda de acordo com a idade, sendo, também, distinta em meninos e meninas jovens. As garotas geralmente acumulam e desenvolvem uma quantidade maior de gordura corporal, de maneira prematura, se comparada ao caso dos meninos.

Quais os problemas com o cálculo do IMC?

Apesar de o cálculo do IMC ser um recurso proveitoso na avaliação da condição corporal de crianças e adultos com possíveis problemas de peso, ele tem algumas limitações.

Uma delas é que ele pode superestimar a quantidade de gordura corporal em atletas e outras pessoas com alto índice de massa muscular. Assim como também pode subestimar a quantidade de gordura corporal em idosos e em outras pessoas que sofreram a perda de massa muscular.

Ou seja, IMC é uma medida muito básica que, embora leve em consideração a altura, não leva em conta outros fatores que são importantes e que também podem ter impacto na saúde, como:

  • medições de cintura ou quadril;
  • proporção ou distribuição de gordura de acordo com a estrutura do corpo em questão;
  • proporção de massa muscular.

Um exemplo interessante seriam os atletas de alto desempenho, que costumam ter massa muscular elevada e pouca gordura corporal. Porém, ao levar em conta o seu peso, eles podem ter um IMC alto porque possuem mais massa, mas isso não necessariamente significa que estão com sobrepeso.

O IMC também pode disponibilizar uma aproximação, apontando se o peso de uma pessoa é saudável ou não, e pode ser útil para medir tendências em estudos populacionais. No entanto, não deve ser visto como a única medida válida para averiguar se o seu peso é ideal ou não.

Mas o IMC está necessariamente relacionado com a saúde?

Normalmente, o ganho de peso está relacionado a um desequilíbrio energético. O corpo faz recurso de uma certa quantidade de energia dos alimentos para funcionar regularmente. E essa energia é obtida na forma de calorias, presentes nas refeições que fazemos.

Geralmente, o seu peso permanece o mesmo se você consome o mesmo número de calorias que seu corpo usa, ou “queima”, para se manter vivo e fazer as atividades todos os dias. Caso você venha a ingerir mais calorias do que queima, acabará por ganhar peso ao longo do tempo.

O desequilíbrio entre o consumo e o gasto energético é, certamente, um dos maiores determinantes para o ganho de peso.

Contudo, seu peso ideal e a distribuição de gordura no corpo são determinados pela predisposição genética. Além de, claro, pelas qualidades de alimentos que você come e o quanto você exercita.

Se você tem um IMC alto e não tem um gasto calórico muito grande, é interessante reduzi-lo para ter um status de peso saudável. Afinal, o IMC alto se relaciona a um risco maior de desenvolver problemas de saúde que podem se tornar graves, como:

  • doenças cardíacas;
  • pressão alta;
  • doença hepática;
  • osteoartrite;
  • diabetes;
  • acidente vascular encefálico;
  • cálculos biliares;
  • certos tipos de câncer, incluindo câncer de mama, cólon e rim.

E, ainda, novos estudos indicam que, na verdade, a gordura corporal (e não o IMC, como antes consideravam) está mais associada aos riscos de saúde citados acima.

Como lidar com a gordura corporal?

É possível reduzir a quantidade de gordura corporal e obter um peso mais saudável se exercitando regularmente (pelo menos três vezes por semana).

Você também deve ter bons hábitos alimentares – como comer apenas quando estiver realmente com fome, alimentar-se conscientemente e, também, escolher uma dieta rica em alimentos integrais, não processados ou industrializados – para evitar acumular gordura corporal.

É possível, também, procurar por um nutricionista. Ele pode te ensinar mais sobre quais alimentos comer, a quantidade destes para perder peso e dicas para adequar a sua dieta às suas necessidades básicas diárias.

Os riscos de um IMC baixo

Ainda pensando na relação do IMC com a saúde, não devemos nos preocupar apenas com o número alto como um causador de problemas de saúde. Um índice de massa corporal baixo também pode acarretar doenças.

Para se ter ideia, a insuficiência de gordura corporal pode provocar:

  • perda óssea;
  • função imune diminuída;
  • problemas cardíacos;
  • anemia por deficiência de ferro.

Caso você apresente um IMC baixo, converse sobre ele com o seu médico/nutricionista. Se acharem necessário, é possível aumentar a quantidade de comida que você come todos os dias, ou reduzir a quantidade de exercício. Isso pode ajudá-lo a ganhar peso saudavelmente.

Existem outras formas diferentes de medir a massa corporal?

Assim como existe o cálculo do IMC para averiguar a situação da nossa massa corporal, existem outras formas de calcular o status do nosso peso e, assim, da nossa saúde.

Como dito anteriormente, o IMC apresenta algumas falhas e lacunas, o que gerou outras formas de se calcular a situação da a nossa saúde corporal. Conheça algumas delas abaixo:

1. Medida de proporção da cintura-quadril:

Essa medida compara o tamanho da cintura em relação ao do quadril. Pesquisas apontam que pessoas com mais gordura corporal nessas regiões têm maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes.

Sendo assim, quanto maior a medida da cintura em proporção aos quadris, maior o risco. Por essa razão, a mensura da relação cintura-quadril (RCQ) é uma ferramenta útil para calcular se uma pessoa tem peso e tamanho saudáveis.

Como a RCQ afeta o risco de doença cardiovascular (DCV), suas medidas e parâmetros são diferentes para homens e mulheres, porque eles tendem a ter diferentes estruturas corporais.

A RCQ pode ser o jeito mais adequado de se fazer um prognóstico de ataques cardíacos e outros riscos à saúde que o IMC, que não leva em consideração a real distribuição de gordura e sua proporção em relação à massa muscular.

Um estudo de registros de saúde de 1.349 pessoas em 11 países, publicado em 2013, mostrou que aqueles com maior RCQ também apresentam maior risco de complicações médicas e cirúrgicas relacionadas à cirurgia colorretal.

No entanto, a RCQ não mede com total precisão o percentual geral de gordura corporal de uma pessoa, ou tampouco sua proporção músculo-gordura

2. Medida de proporção da cintura-altura:

A relação cintura-estatura (RCE) é outra ferramenta que pode prever o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e mortalidade geral com mais eficácia do que o IMC.

Normalmente, para uma pessoa cuja medida da cintura totaliza menos da metade da sua altura, o risco de obter várias complicações de saúde é menor.

Em um estudo publicado em 2014 na revista científica acadêmica Plos One, os pesquisadores concluíram que a RCE era um melhor preditor de mortalidade que o IMC.

Os autores também citaram as conclusões de outro estudo – envolvendo estatísticas para cerca de 300.000 pessoas de diferentes grupos étnicos – que concluíram que a RCE é melhor que o IMC na previsão de ataques cardíacos, derrames, diabetes e hipertensão.

As medidas que consideram o tamanho da cintura, ou circunferência abdominal, podem ser boas indicadoras dos riscos à saúde para uma pessoa, em função de que a gordura acumulada ali pode ser prejudicial ao coração, rins e fígado.

3. Medida de porcentagem da gordura corporal:

A medida do percentual de gordura corporal é calculada pelo peso total da gordura de uma pessoa dividido pelo peso total. A gordura corporal total inclui gordura essencial, aquela que o nosso corpo realmente precisa para sobreviver, e a armazenada.

Mas o que é e para que serve o armazenamento de gordura?

Ele constitui o tecido adiposo que protege os órgãos internos do tórax e do abdômen, e o corpo pode usá-lo se necessário para obter energia.

Assim como os outros índices, existem as diretrizes ideais aproximadas de porcentagem de gordura corporal para homens e mulheres. Elas dependem do tipo de corpo e do nível de atividade de uma pessoa.

Normalmente, uma alta proporção de gordura corporal pode tanto indicar, quanto ocasionar um maior risco de:

  • diabetes;
  • doença cardíaca;
  • pressão alta;
  • acidente vascular cerebral/encefálico.

Calcular o percentual de gordura corporal é uma forma interessante de mensurar o nível de condicionamento físico de uma pessoa, pois reflete a sua composição corporal. O IMC, por outro lado, não nos permite fazer distinções entre gordura e massa muscular.

E como medir a gordura corporal?

Bom, as maneiras mais usuais envolvem usar um medidor de dobras cutâneas, que tem pinças especiais para beliscar a pele. Elas são realizadas por um profissional de saúde, que medirá o tecido das regiões com maior concentração de gordura (coxa, abdômen, tórax, para homens, ou braço, para mulheres).

São outras técnicas para medir a massa corporal:
  • medição hidrostática da gordura corporal (ou “pesagem subaquática”);
  • densitometria de ar (mede o deslocamento do ar);
  • absorciometria de raios X de dupla energia (DXA);
  • análise de impedância bioelétrica.

Concluindo…

As medidas de Índice de massa corporal (IMC), razão cintura/quadril (RCQ), razão cintura/altura (RCA) e percentual de gordura corporal são boas formas de avaliar um peso saudável. Além disso, combiná-las pode ser uma forma de entender se você precisa tomar medidas para o controle de peso, ou não.

É importante pontuar que nenhuma dessas medições podem fornecer uma leitura totalmente precisa, porém as estimativas são próximas o suficiente para permitir uma avaliação razoável.

Caso você, ou alguma pessoa conhecida, se mostre preocupada com seu peso, medidas ou composição corporal, é fundamental conversar com um médico ou nutricionista para tirar as dúvidas e averiguar apropriadamente a situação.

Lembre-se: somente profissionais capacitados poderão, de fato, pontuar ou aconselhar sobre o seu status de saúde e as opções adequadas para lidar com ele.

Porém não podemos esquecer que o mais importante é está bem consigo mesmo e, claro, saudável. Existem diversas maneiras de cuidar da saúde e evitar problemas futuros, cabe a nós escolher o que mais se adequa ao nosso estilo de vida e colocar em prática. Saiba mais sobre os princípios para uma alimentação saudável aqui.

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