Piercing Bucal: os perigos da vaidade

Os piercings estão presentes na vida de muitos jovens e adultos. Conferem um ar mais descolado, antenado e até mesmo uma sensação de liberdade. Mas até que ponto a vaidade é maior do que a preocupação com a saúde?
Cirurgiões-dentistas alertam sobre os riscos que o piercing intraoral pode trazer a boca, língua e dentes. Os pacientes devem ser alertados pelos profissionais que colocam esses enfeites antes que os procedimentos sejam feitos.
A perfuração da mucosa bucal facilita a entrada e a proliferação de bactérias na boca. Pode haver um acúmulo de placa nesses orifícios por causa da ferida aberta para a colocação do piercing. A boca tem tecidos moles e que sofrem desgastes constantes, podendo ocasionar traumas e feridas no seu entorno por causa do objeto estranho. Além disso, a mastigação, mordida e fala podem ficar alteradas porque o corpo terá que se adaptar com a nova situação. A dor e o inchaço local são inevitáveis. Pode ocorrer a formação de queloides e endocardite, inflamação de acesso de bactérias presentes na cavidade oral para a corrente sanguínea. Possíveis danos nos dentes, restaurações e cortes na gengiva são outros riscos que a pessoa corre. A limpeza do local é difícil e pode ficar deficiente com o tempo e a falta de cuidados, ocasionando infecções e problemas bucais.
Recomenda-se ir ao dentista pelo menos de seis em seis meses para verificar a saúde bucal e observar como está sendo a interação do acessório com lábios, língua e dentes. Caso ache prudente, o profissional pode pedir ao paciente pare que interrompa o uso do enfeite.
Apesar dos contras, você ainda deseja fazer? Segue algumas dicas para que  tenha sucesso na colocação do adereço.
Qual o melhor piercing?
Escolha um piercing que seja feito de materiais ricos como o ouro branco, aço cirúrgico ou titânio, porque minimizam o risco de pegar infecção. Outros materiais podem enferrujar e causar sérios danos à saúde bucal. Olhe também por um tamanho que fique confortável na boca e que não comprometa as funcionalidades da mordida e da fala.
O lugar certo
Escolha um estúdio de piercing e tatuagem que tenha registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( ANVISA), pois são exigidas regras, normas técnicas de limpeza e protocolos de procedimentos seguindo o padrão obrigatório para os cuidados com a  saúde. Além disso, observe se o estúdio está limpo, arejado, móveis conservados e se ao utilizar materiais não descartáveis como pinças e tesouras, o profissional esteriliza na autoclave própria do estabelecimento esses elementos. Agulhas, seringas e luvas devem ser descartáveis e jogadas no lixo após um único procedimento, já que são objetos que podem contaminar outras pessoas, caso sejam portadores de alguma doença.
Coloquei um piercing e agora? O que fazer?
Nos primeiros dias você deve sentir dor e ocorrer sangramentos que devem desaparecer dentro de uma semana. Evite alimentos gordurosos pois eles atrapalham a cicatrização do lugar. Alimentos e bebidas frias ajudam a tirar o inchaço e a sensibilidade. Recorra ao profissional para a checagem do procedimento e do pós-cirúrgico. Limpar o piercing é primordial, água e sabão uma vez ao dia são suficientes para deixar o orifício protegido das bactérias. Antissépticos também são recomendáveis, desde que um especialista, dentista, ache necessário para a limpeza oral.
A cicatrização
Por estar em um lugar de riscos e de constante uso, a cicatrização de piercing na boca demora um pouco mais. Deve-se manter uma rotina rigorosa de limpeza diária e de observação para garantir que a cicatrização aconteça da forma certa. Qualquer anomalia deve ser relatada a um profissional adequado para que providências sejam tomadas. O processo pode demorar até seis semanas, mas os cuidados se tornam permanentes.
Considerações finais
Depois de entender quais as alterações provocadas pelo piercing, os riscos e desconfortos sentidos, basta cada um escolher o que lhe é mais conveniente. Com os devidos cuidados, infecções graves e outros problemas são difíceis de acontecer, entretanto, cabe aos profissionais da saúde alertar os pacientes. Da mesma maneira, cabe aos indivíduos terem a consciência de todas as consequências e desdobramentos que apenas um adereço pode trazer ao corpo. Vale a pena correr o risco? O intuito de estabelecer o debate é o de esclarecer, reforçar e trazer informações a todos sobre os procedimentos realizados.

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