Mulher idosa com as mãos na região lombar por estar com dor proveniente de pedras nos rins

Dr. Leandro Soares

Considerada uma das mais intensas dores que o ser humano pode sentir, as pedras nos rins são temidas por todos e uma realidade vivida por muitos. No Brasil, há registros de pelo menos 150 mil casos por ano. A boa notícia é que existe tratamento.

Para você entender melhor o assunto, vamos explicar quais são os seus sintomas, tratamentos, possíveis causas e se há como preveni-las. Boa leitura!

O que são cálculos renais?

As pedras nos rins, também chamadas de cálculo renal, são massas sólidas formadas a partir de vários cristais. Como o próprio nome sugere, elas são comumente encontradas nos rins, mas também podem ser formadas em qualquer outro órgão do sistema urinário.

Existem tipos diferentes de pedras nos rins, classificadas de acordo com a composição do cálculo. Confira as possibilidades mais frequentes:

  • cálculos de cálcio: esses são os mais comuns entre a população. Eles acontecem a partir da combinação de cálcio com outras substâncias como carbonato, oxalato e fosfato. Esse tipo de pedra ocorre mais em homens do que em mulheres e é mais frequente entre os 20 e 30 anos.
  • cálculos de ácido úrico: acontece em pessoas que estão com a urina ácida (pH baixo) e/ou ácido úrico elevado, o que ocorre em doenças como a gota, durante quimioterapia ou em dietas com muita proteína animal. O problema acomete mais os homens e, de todos os tipos de cálculo renal, este corresponde a 7% dos casos.
  • cálculos de estruvita: ocorre somente em pessoas com infecção crônica do trato urinário por bactérias formadoras de urease (Klebsiella ou Proteus). É o tipo de pedra nos rins que mais cresce e pode bloquear a bexiga, ureter e o rim onde está localizada. Mais frequente em mulheres.
  • cálculos de cistina: de caráter hereditário, são mais comuns em pacientes com cistinúria, uma doença renal.

Sintomas de pedras nos rins

O principal sintoma de pedras nos rins é a dor intensa. Ela acontece quando o cálculo se move pelo trato urinário. Ela ocorre como uma cólica, mas pode irradiar para todo o abdômen inferior e região genital.

O paciente também pode sentir:

  • vontade constante de ir ao banheiro;
  • pouca quantidade de urina;
  • sangue ao urinar;
  • ardência ao urinar;
  • náuseas, vômitos e sudorese.

Quanto tempo dura uma crise de pedras nos rins?

A dor ocasionada pelos cálculos renais começa subitamente e geralmente atinge o seu pico em duas horas. A crise, mesmo tratada, pode ter entre uma e quatro horas de duração, no total.

Sem tratamento, alguns casos podem durar mais de 12 horas. Isso acontece em situações em que o cálculo é muito grande e o indivíduo tem dificuldades para expeli-lo.

Quais são as causas?

O aparecimento de pedras nos rins está relacionado a fatores genéticos, porém hábitos de vida e o uso de alguns medicamentos podem servir de gatilhos para as crises. Os fatores desencadeantes mais frequentes são:

  • organismo com excesso de fosfatos, cistina, cálcio, oxalatos ou falta de citrato;
  • obstrução das vias urinárias;
  • doenças hereditárias;
  • síndrome metabólica;
  • distúrbios da glândula paratireoide;
  • alterações anatômicas do sistema urinário;
  • baixo volume urinário;
  • urina saturada de sais.

Alguns exames e acompanhamento médico poderão orientar sobre a causa de cada crise sofrida pelo paciente.

Diagnóstico da litíase renal

Os sintomas de uma crise renal são bastante típicos e fornecem pistas importantes para o diagnóstico. A confirmação é feita por meio de exames de imagem (ultrassonografia ou tomografia computadorizada), que são capazes de identificar a localização da pedra, assim como seu tamanho.

Pessoas com crises de cálculo de repetição devem ser avaliadas por um nefrologista para um estudo metabólico.

Tratamento do cálculo renal

A maioria das pedras nos rins costuma ser expelida de maneira natural, ao urinar. Nesses casos, a dor durante a crise é controlada por anti-inflamatórios, analgésicos e alta ingestão de líquidos.

Quando as pedras são muito grandes para passar pela uretra, elas podem ser removidas via endoscopia ou fragmentadas com laser ou ultra som (litotripsia).

É possível prevenir o cálculo renal?

O acúmulo de substâncias que provocam as pedras nos rins pode ser evitado e, consequentemente, os episódios de cálculo renal também. Deve-se fazer uma avaliação criteriosa com um nefrologista (estudo metabólico) para identificar a causa e modificá-la.

Confira algumas formas de prevenir as pedras nos rins:

  • tenha uma alimentação saudável, rica em legumes, frutas e verduras, com moderado consumo de carne (boi, aves, porco e peixe) e baixa ingestão de gordura, sal e açúcar;
  • aumente a ingestão de líquidos, para no mínimo 3 litros/dia. EVITE ingerir bebidas isotônicas, refrigerantes e sucos artificiais (de pó ou pronto para o consumo). Beba diariamente 200 ml de suco de lima, laranja, maracujá, abacaxi ou melão.
  • Consuma entre 2 a 3 porções de leites e derivados por dia. Uma porção equivale a: 1 copo americano de leite desnatado, 1 fatia média de queijo branco, 1 pote de iogurte natural (120g), 1 pote de coalhada (120g) ou 2 colheres de sopa de leite em pó.
  • Prefira temperos naturais como ervas secas ou frescas, exemplo: ervas finas, orégano, cebolinha, alho, salsinha, coentro, alecrim, manjericão, tomilho, alho, cebola, etc.
  • Evite o uso de suplementos de vitamina C.

Um estudo realizado por David Bushinsky, da Universidade de Rochester, mostrou que não é recomendada uma dieta pobre em cálcio.

No acompanhamento, 60 pessoas tiveram a dieta reduzida em proteína e sal e mantiveram o consumo normal de cálcio. Dessas, apenas 12 tiveram um novo episódio de cálculo renal.

Outras 60 pessoas reduziram o cálcio da dieta e consumiram o recomendado de sal e proteína. Dessas, 23 apresentaram pedras nos rins.

Já tive pedras nos rins, posso ter de novo?

O quadro de cálculo renal, de modo geral, é frequente. Estima-se que cerca de 10% das pessoas têm pelo menos uma crise ao longo da vida.

Os pacientes que já passaram pela situação e conseguiram eliminar a pedra costumam apresentar um novo episódio nos próximos 10 anos. Porém, isso varia de acordo com cada indivíduo e também com as causas da crise anterior.

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