Cachorro triste na grama porque está com parasitoses intestinais

Hospital Veterinário São Francisco de Assis

As verminoses, também conhecidas como parasitoses intestinais, representam um grande problema para os donos de animais domésticos. Afinal, comprometem o sistema gastrointestinal, dificultam a alimentação e ainda provocam desnutrição e anemia.

O problema exige rígido controle sobre o ambiente, no contato com outros animais, alimentação e outros aspectos do dia a dia do seu amigo.

As verminoses podem trazer sérios problemas de saúde para os animais e alguns desses parasitas podem causar também doenças em humanos.

Então, que tal conhecer os tipos de verminoses e suas formas de prevenção, saber como perceber os sinais que seu animal está infectado e entender qual é o tratamento mais adequado a ele?

É só continuar conosco!

Como acontecem as parasitoses intestinais?

Na maioria dos casos, elas ocorrem por meio da ingestão de ovos ou cistos presentes nas fezes dos animais contaminados, em alimentos, na água ou no solo.

Pode ocorrer, também, a infecção quando o cão ingere uma pulga contaminada ou, no caso dos filhotes, a transmissão dentro do útero ou durante a amamentação.

Animais jovens e com o sistema imunológico comprometido são mais sujeitos às parasitoses.

Após a ingestão, o ovo eclode dentro do corpo e a larva se fixa na mucosa do intestino grosso, onde se alimenta de sangue e do conteúdo intestinal do animal.

Os vermes produzem ovos que são expelidos junto com as fezes. Alguns tipos de parasitas podem circular pelo sangue do portador, chegando ao pulmão e a outros órgãos.

Principais sinais das verminoses

  • Diarreia com ou sem sangue;
  • o cão esfrega o bumbum no chão;
  • desidratação;
  • perda de apetite;
  • perda de peso;
  • prostração e apatia;
  • anemia;
  • pêlo seco;
  • distensão abdominal;
  • vômitos;
  • deficiência no crescimento.

Diagnóstico

Nos animais contaminados, o exame parasitológico de fezes detecta a presença de ovos ou cistos, identifica o tipo de verme e ajuda na escolha do medicamento mais adequado.

É possível que os exames apresentem resultado falso negativo, ou seja, mesmo na presença da infecção, o parasita não é detectado. Se existir dúvida, podem ser solicitadas mais amostras e coletas seriadas para a confirmação do diagnóstico.

Em casos mais desafiadores, a endoscopia digestiva com biópsia pode ser necessária.

Prevenção

A principal medida de prevenção contra as parasitoses intestinais é o controle cuidadoso da saúde, dieta, rotina e habitat do animal.

Algumas recomendações são:

  • manter a higienização no ambiente, das vasilhas de comida e água, e do local onde o animal dorme;
  • recolher as fezes logo após o cão ou gato defecarem;
  • evitar contato com animais desconhecidos;
  • realizar exames de fezes periódicos;
  • separar animais recém introduzidos no ambiente;
  • fazer o congelamento profilático das carnes cruas antes de oferecê-las aos animais;
  • evitar que o pet coma ou tenha contato com aves e roedores;
  • eliminar pulgas com repelentes naturais, pipetas, coleiras ou comprimidos, de acordo com orientação veterinária;
  • vermifugação periódica, de acordo com orientação veterinária.

Vermifugação

A vermifugação pode ser feita nos filhotes a partir de 15 dias de idade. Em cães adultos, pode ser realizada de 6 em 6 meses ou no intervalo recomendado pelo médico veterinário.

Os vermífugos mais usados são:

  • fenbendazol;
  • nitazoxanida;
  • moxidectina;
  • selamectina;
  • nitroscanato;
  • pamoato de pirantel.

Principais tipos de parasitoses intestinais

Os principais parasitas intestinais dos cães são:

  • Giardia (Giardíase);
  • Dipylidium caninum;
  • Coccídeos (Coccidiose);
  • Trichuris (Tricuríase);
  • Tênia (Teníase);
  • Ancylostoma (Ancilostomose);
  • Toxocara (Toxocaríase).
Parasitoses intestinais Contaminação Quadro clínico Infecta humanos?
Giardíase Ingestão de cistos na água, solo ou alimentos contaminados. A maioria dos animais não apresenta sinais da infecção.
Pode causar perda de peso, diarréia crônica e intermitente.
Em filhotes e adultos debilitados causa diarréia grave e potencialmente fatal.
Giardíase ou “diarréia do viajante”.
Dipylidium Ingestão de cistos na água, solo ou alimentos contaminados. Infestações leves não causam alterações no cão. Quando um grande número de parasitas está presente, podem ser eliminados segmentos pelo ânus. Raro.
Coccidiose Ingestão de cistos na água, solo ou alimentos contaminados. A maioria dos animais não apresenta sinais da infecção ou têm diarréia.
Em filhotes e adultos debilitados causa diarréia grave, desidratação, dor abdominal e vômitos. Pode ser fatal.
As espécies de coccídeos que mais infestam os cães não são transmitidas para os humanos.
Tricuríase Ingestão de cistos na água, solo ou alimentos contaminados. A maioria dos animais não apresenta sinais da infecção.
Pode causar diarréia com sangue, anemia, apatia e perda de peso.
Sim.
Teníase Ingestão de pequenos roedores e coelhos contaminados. A maioria dos animais não apresenta sinais da infecção.
Um grande número de vermes pode causar obstrução intestinal.
Sim.
Ancilostomose Intra-útero. Amamentação.
Ingestão de cistos na água, solo contaminados.
Em filhotes provoca anemia grave e potencialmente fatal. As larvas podem migrar para os pulmões.
Em cães idosos e debilitados, pode causar apatia, perda de apetite e de peso, diarréia com sangue e anemia.
Sim.
Toxocaríase Intra-útero.
Ingestão de cistos na água, solo contaminados ou em outros animais hospedeiros..
Filhotes infectados no útero têm dificuldade de ganhar peso, barriga distendida e pêlo sem brilho. Podem vomitar os vermes.
A migração dos vermes através do pulmão pode levar à morte.
Nos adultos, os vermes costumam formar cistos e ficarem dormentes nos tecidos.
Sim.

Verminoses podem parecer inócuas, mas estão longe disso! Elas podem debilitar o cão e abrir caminho para várias outras doenças.

Leve seu amigo ao veterinário periodicamente para que esse e outros problemas possam ser detectados precocemente. E se desconfiar de que algo não vai bem, procure ajuda imediatamente!

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