Cachorro roendo osso ao ar livre

Dra. Beatriz Terenzi

Você com certeza já ouviu de alguma pessoa/veterinário que pets não devem receber ossos, especialmente os de galinha, certo? E que o osso para cachorro mais indicado é aquele de couro branco, perfeito para ser roído a longo prazo.

Pois bem.. esse conselho não está DE TODO errado, mas sim incompleto. É realmente muito perigoso dar ossos cozidos, fritos ou assados para os peludos. No entanto, um osso bom e cru pode trazer muitos benefícios ao seu peludo!

Então é mentira que osso para cachorro faz mal?

Mais ou menos. Os ossos, ao serem aquecidos/cozidos, sofrem alterações em sua estrutura. Isso os tornam mais rígidos e perigosos. Além disso, eles ficam mais quebradiços, formando pontas afiadas que podem causar perfurações, ou ainda que não possam ser partidas ou digeridas, causando obstruções.

São outros riscos que esses ossos podem oferecer aos pets:

  • desgaste/rachaduras nos dentes;
  • lesões na boca ou língua;
  • bloqueios na traqueia, esôfago ou gastrointestinais;
  • constipação;
  • sangramento retal;
  • peritonite (infecção bacteriana do abdômen causada por perfurações no estômago ou intestinos).

E os ossos de couro?

Apesar de “práticos”, são extremamente pobre em nutrientes e tratado com substâncias químicas que são prejudiciais à saúde do pet, como amônia e soda cáustica. Além disso, são pouco digestíveis e adquirem uma textura grudenta quando mastigados, que também pode levar a engasgos e obstruções.

Então, quais ossos são REALMENTE bons para os pets?

Não mesmo! Os ossos crus podem ser extremamente benéficos e valiosos na dieta de um pet que recebe alimentação natural, ou como opção recreativa e de enriquecimento ambiental.

Na natureza, ao caçar uma presa, canídeos e felídeos ingerem muitas partes contendo ossos mastigáveis da sua caça, que conseguem triturar e digerir, e dos quais tiram muitos nutrientes, especialmente minerais como cálcio e fósforo.

Numa dieta de alimentação natural frequentemente são fornecidos Ossos Carnudos, que servem como:

  • fonte de nutrientes;
  • enriquecimento e desafio mental do cão, reduzindo ansiedade e stress;
  • auxílio para a saúde dentária;
  • fontes de fortalecimento dos músculos do rosto e pescoço.

Ossos carnudos?

Sim! São aqueles que contém uma porção de carne considerável, que podem ser totalmente mastigados e engolidos, e devem ser escolhidos de acordo com o porte e hábito de mastigação do seu pet.
Os ossos mais seguros são aqueles mais moles e fáceis de mastigar, devendo ser evitados ossos longos e muito duros. Mesmo assim, é importante supervisionar o seu animal nas primeiras vezes em que ele receber ossos, para avaliar se ele não vai ter dificuldades de mastigação ou, no caso de cães muito afobados, se não vai engolir rápido demais.

Por isso, nas primeiras vezes, também pode ser bom dar um tipo de osso bom que seja seguro para todos os portes, como é o caso do pescoço de galinha. Animais mais afobados ou com dificuldades de mastigação podem recebê-los moídos ou batidos com um martelo.

É uma prática livre de riscos de engasgo?

Não. Mas nem a ração é, havendo casos de animais afobados que inalam a ração ao comer muito rápido, que desenvolvem torção gástrica, dilatação e obstruções devido a ela. Nenhuma prática é 100% segura, o que podemos fazer é minimizar os riscos.

E um osso bom e bem grande para roer? Posso dá-lo como alimentação para o meu cão?

Os ossos grandes, oferecidos para roer, são chamados Ossos Recreativos, e são dados com a finalidade de promover enriquecimento ambiental, reduzir ansiedade e stress e limpar os dentes. Também devem ser oferecidos crus, e podem ser dados a qualquer pet, até aquele que come ração.

A frequência pode ser mais regular, até 1x por semana, para manter os dentes limpos, mas não mais que isso para não aumentar o risco de lesionar os dentes.

O osso recreativo deve ser grande, para que o animal não consiga destruí-lo e engoli-lo inteiramente, mas sim roer por um bom tempo. Deve ter uma certa cobertura de carne para amortecer o impacto das mordidas e evitar complicações como fraturas de dentes.

Alguns exemplos são joelhos de porco e boi, pescoço de porco ou carneiro, osso da bacia e da escápula, entre outros. Geralmente podem ser obtidos por encomenda no açougue, muitas vezes sem custo, já que normalmente seriam descartados.

Cuidados importantes

Para os ossos recreativos e ossos carnudos, vale a mesma regra do fornecimento de qualquer carne crua: congelamento profilático por 3 dias para inativar os principais patógenos. E o descongelamento não pode ser feito com calor ou microondas – lembre que não podemos cozinhar os ossos de jeito nenhum!

E, por fim: dicas para evitar acidentes com os ossos para cachorro

  • Supervisione a mastigação: Não deixe seu peludo mastigar o osso sozinho.
  • Jogue fora ossos roídos: ossos que foram mastigados até ficarem muito pequeno torna-se um risco de asfixia.
  • Não dê ossos a um cão que acabou de passar por um tratamento dentário restaurador.
  • Não dê ossos com medula para cães que já contraíram ou têm pré-disposição para contrair a pancreatite. A medula é rica em gordura e pode causar um surto dessa doença ou diarreia.
  • Ofereça o osso após as refeições: um cão com menos fome terá menos necessidade de “destruí-lo”.
  • Não dê ao seu cão ossos que podem ser engolidos por inteiros (dica: um ótimo osso para cachorro precisa ter o comprimento de seu focinho).
  • Não dê ao pet um osso cortado no sentido de seu comprimento: as probabilidades de surgirem lascas são infinitamente maiores.
  • Refrigere os ossos quando não estiverem em uso e jogue-os fora depois de três a quatro dias. Isso reduz a probabilidade de contaminação.

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