A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde emocional como um estado de bem-estar, no qual o indivíduo pratica suas habilidades, lida com os fatores estressantes normais da vida, trabalha produtivamente e é capaz de contribuir com a sociedade.

Leia-se então: cuidar da saúde emocional parte do pressuposto de alcançar o equilíbrio entre suas capacidades bio-psico-social-espiritual.

Perceba quanto no dia a dia, o corpo ‘fala’ pelas emoções e os fatores estão entrelaçados: O na garganta, a cabeça explodindo, o joelho falhando. Situações sociais e de pressão podem contribuir: Travei para falar em público. Momentos de equilíbrio também são percebidos: Você está com um semblante iluminado.

São as emoções traduzidas pelo corpo e pela fala. Portanto, se há desequilíbrio, a expressão vai acontecer de uma forma ou de outra. O estresse se apresentará: Olá, é hora de se ouvir. Cuidar do que sentimos é ter respeito com o sujeito que somos e a qualidade de vida que merecemos ter. A psicoterapia é uma aliada e tem mecanismos diversos para contribuir para o processo de autoconhecimento, escolhas e autocuidado.

Como disse o poeta romano: Mens sana in corpore sano – a saúde emocional pode apontar para fragilidades na  saúde mental. Essa conexão envolve questões químicas cerebrais e pode ser mais difícil perceber sinais. Então, a ajuda de um profissional de saúde mental pode ser decisiva.

O manejo das emoções: um desafio

Suspeito seriamente que o ato de cuidar da saúde emocional passa por ouvir a si mesmo. Neste quesito, a Emília, a boneca de pano do Monteiro Lobato, era uma expert! Ela sumia pelo Sítio do Pica Pau Amarelo e quando Narizinho a chamava, logo respondia fazendo aquele sinal com o dedinho na frente da boca:

– Silêncio Narizinho, me deixe quieta. Estou aqui, conversando com meus botões.

Conversar com os botões é um estou aqui comigo, entendendo o que ocorre, como estou. Dessa escuta virão saídas para lidar com aquilo que incomoda, perturba, tira do centro. Afinal, emoções são úteis, de encontros afetuosos às decepções, frustrações, raivas e medos. Isso é viver. Saber lidar com estas emoções é um desafio.

Afetando o organismo

O estresse ocorre quando exigências externas e/ou internas são maiores do que a capacidade de adaptação do indivíduo. Trabalho, trânsito, problemas financeiros e dificuldades no casamento ou com os filhos são causas identificáveis. O estresse pode levar a um aumento da produção de cortisol e outras substâncias pelas glândulas adrenais. Normalmente o cortisol está elevado pela manhã e diminui progressivamente durante o dia.

O aumento contínuo do cortisol, causado pelo estresse crônico, leva a:

  • Alterações na glicemia, no sistema imunológico;
  • aumento da permeabilidade intestinal;
  • reduz o metabolismo;
  • desregula os hormônios da fome e outros como o DHEA, testosterona, GH e TSH;
  • leva ao depósito de gordura intra-abdominal;
  • inflamação;
  • depressão;
  • ansiedade;
  • doenças cardiovasculares.

Escolhas corretas

Cuidar da saúde emocional significa cuidar do estilo de vida. É a percepção do que devemos valorizar para envelhecer de forma saudável e ativa. Para isso, há alguns caminhos:

De fora pra dentro

  • Aprender a dizer não: especialmente na vida profissional, aprender a dizer não a projetos ou tarefas previne o excesso de trabalho e de ansiedade;
  • evitar conviver com as pessoas que lhe causam raiva, angústia e estresse;
  • filtrar as notícias;
  • evitar argumentos que não tenham uma resolução possível;
  • estabelecer prioridades nas tarefas diárias e não ficar sobrecarregado com listas longas de atividades;
  • em situações inevitáveis de estresse, como o trânsito, tentar mudar a perspectiva e encarar os fatos de forma positiva;
  • reduzir os níveis de exigência com os outros e com você mesmo;
  • praticar tolerância e empatia;
  • ter uma atitude positiva;
  • cultivar a gratidão;
  • aprender a perdoar e esquecer;
  • praticar o desapego;
  • trazer mais prazer para a sua vida através do lazer, da música, contato humano, risadas e da natureza;
  • ter um círculo de amigos e família que traga alegria e seja um apoio emocional.

De dentro pra fora

  • Aprender meditação, yoga e outras práticas de autoconhecimento;
  • exercitar-se regularmente;
  • cuidar da saúde, tratando outras condições que causam estresse das glândulas adrenais como: anemia, alterações glicêmicas, inflamação intestinal, intolerâncias alimentares, deficiências nutricionais e redução à exposição de toxinas ambientais.

Positivamente

A felicidade é uma escolha e pode compor práticas cotidianas que ampliarão a sensação de bem-estar e contentamento.

Um bom exercício é reconhecer o bem que nos acontece. Ao final de um dia, separar uns minutos para reconhecer de 3 a 5 coisas que fizeram algum sentido acordar. Pode ser uma gentileza no trânsito, o sorriso da criança, o pôr do sol, o tempero da comida, o cheiro gostoso do novo sabonete.

Outra boa prática é silenciar e prestar atenção somente à respiração, expirando aquilo que foi desgastante no dia e inspirando a palavra calma. Desta forma, o autocontato e as sensações de segurança e prazer em viver ficam garantidos.

Nosso poder pessoal, um dia, ainda vai nos levar além!