garrafinhas

Adriana Bonfioli

Que a qualidade do que bebemos é fundamental para a saúde, disso já sabemos. Mas e quanto às garrafinhas? Faz diferença?

Se você prestar atenção na embalagem das bebidas que você compra, irá perceber que o plástico é bastante presente. Os tipos mais freqüentes de garrafinhas plásticas são PET, PVC, policarbonato e polipropileno.

O maior problema na utilização de garrafas plásticas é a presença do BPA – o Bisfenol A

Ele é um composto químico especialmente utilizado na produção de plásticos e resinas, e encontrado em muitas das garrafinhas de plástico que usamos ou reutilizamos para levar água para o trabalho, para a escola ou na hora da malhação.

O BPA está presente também em vários outros produtos como, por exemplo: containers de plástico rígido, talheres de plástico, latas de alumínio, selantes e resinas dentárias, lentes de contato, CD’s e DVD’s, canos e recibos de papel térmico.

Há 10 anos, os EUA e o Canadá baniram o uso do BPA depois que o composto químico, que mimetiza o estrógeno, foi associado a diversos problemas de saúde. Mais tarde, países da União Européia também adotaram a mesma medida e, depois de uma decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu o uso do BPA na fabricação de mamadeiras e em outros produtos para lactentes.

Os perigos do BPA

Em primeiro lugar, a exposição do feto ao BPA foi associada a uma redução do seu peso, alterações do desenvolvimento cerebral, e desvios de comportamento como aumento de ansiedade, depressão, agressão e hiperatividade na infância.

Em segundo, as crianças expostas ao BPA são descritos problemas de conduta, déficit de atenção e hiperatividade. Nos adultos, o BPA causa alteração da função reprodutiva, aumento da resistência a insulina, alterações cardíacas, aumento da pressão arterial, lesão do fígado e vários tipos de câncer.

Por fim, as garrafas rotuladas de BPA free geralmente substituem este composto por análogos como o BPS, BPAF, BPB ou BPZ. Estudos recentes têm demonstrado que algumas destas substâncias são ainda mais tóxicas para o organismo que o próprio BPA.

Mas então não devo usar garrafinhas plásticas?

Toda garrafa plástica, se você reparar bem, é marcada por um número que identifica a sua fabricação. Vamos a eles:

Plástico nº 1 (PET)

Utilizado para a fabricação da maioria das garrafas de bebidas, por isso, é transparente, leve, impermeável e resistente a quebras. Não devem ser reutilizadas, pois não tem durabilidade suficiente para serem submetidas a sucessivas limpezas e uso sem perder a sua integridade. A contaminação bacteriana é a maior causa de preocupação quando estas garrafas são reaproveitadas.

Plásticos nº 2, 4 e 5 (PEAD, PEBD e PP)

Não se trata de um material tão durável. Porém, são mais seguros pois não liberam produtos químicos. Por outro lado, retêm odores e manchas após o uso. O PEAD é utilizado em embalagens de detergentes, óleos automotivos, sacolas de supermercados, potes e utilidades domésticas. O PEBD está presente em sacolas, sacos de leite e outros alimentos, bolsa de soro medicinal e sacos de lixo. O PP é usado em embalagens de alimentos, frascos, caixas de bebidas, utilidades domésticas, potes e seringas descartáveis. A maioria dos plásticos deste grupo são recicláveis.

Plástico nº 3 (PVC)

O PVC está presente nas embalagens para água mineral, óleos comestíveis, maioneses, sucos, embalagens para remédios, canos, mangueiras e materiais hospitalares. Por isso, pode liberar nas bebidas o BPA e substâncias chamadas ftalatos, associadas a alterações no desenvolvimento e no sistema reprodutivo.

Plástico nº 6 (PS)

O poliestireno é utilizado em potes para iogurtes, sorvetes, doces, frascos, pratos e copos descartáveis, aparelhos de barbear e brinquedos. Pode liberar estireno, especialmente quando em contato com líquidos quentes, como o café, ou quando aquecidos no forno de microondas. Esta substância pode causar danos ao fígado e ao sistema nervoso.

Plástico nº 7

Neste grupo, está incluído o policarbonato, um plástico transparente e muito resistente com muitas aplicações na construção civil e na indústria: CD’s e DVD’s, coberturas, toldos, lentes para óculos, partes de acabamento de automóveis, mamadeiras e garrafas portáteis. Este material libera grande quantidade de BPA, especialmente se for aquecido.

Então, devo deixar as garrafinhas?

Não necessariamente. Existem outros tipos de materiais utilizados para a fabricação de garrafinhas, como o aço inoxidável e o vidro, que podem ser uma boa alternativa para se livrar das toxinas do plástico.

Qual garrafinha devo utilizar?

Vamos pesar os prós e os contras:

Garrafinhas de Plástico

Prós

  • Baratas
  • Fáceis de limpar
  • Variedade de tamanho e modelos
  • Não deixam gosto metálico

Contras

  • Não são seguras, especialmente para líquidos quentes
  • Não podem ser utilizadas em forno microondas
  • Podem liberar BPA e ftalatos

Garrafinhas de Aço

Prós

  • Duráveis
  • Sem toxina plástica
  • Laváveis na máquina
  • Leves

Contras

  • Podem deixar gosto metálico
  • Aquecem o líquido, principalmente em dias de muito calor

Garrafinhas de Alumínio

Prós

  • Leves
  • Modelos modernos

Contras

  • Revestidas por resinas que podem conter BPA
  • Soltam resina quando amassadas
  • Difíceis de limpar

Garrafinhas de Vidro

Prós

  • Não liberam gosto nas bebidas
  • Podem ser usadas para bebidas quentes ou frias
  • Duráveis
  • Fáceis de lavar
  • Recicláveis

Contras

  • Frágeis
  • Custo mais elevado

Concluindo, as melhores opções para garrafas reutilizáveis são especialmente as de vidro ou de aço inoxidável. Quando optar pelo plástico, busque opções sem a presença do BPA e, quando possível, descarte-as de forma que possam ser recicladas.

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