Imagem microscópica de um olho que precisa de antiangiogênicos. Ske. / CC BY-SA (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Retinography.jpg. O fundo preto foi expandido.

Dr. Thiago Rabelo

A retina é uma camada de tecido localizada na parte posterior do olho. Ela é responsável por transformar os raios de luz em estímulos nervosos que são interpretados no cérebro, formando as imagens que enxergamos.

A saúde da retina é essencial para que a visão se mantenha perfeita ao longo da vida. Porém, muitas doenças são capazes de provocar alterações em seus vasos e causar cegueira.

Doenças que afetam os vasos da retina

As doenças vasculares, independentemente da sua origem, levam à lesão dos pequenos e delicados vasos da retina. Consequentemente, o sangue, rico em oxigênio e nutrientes, não consegue chegar aos tecidos, que entram em sofrimento.

Para tentar resolver o problema, ocorre um aumento da produção de fatores promotores do crescimento vascular, que têm o objetivo de recuperar a vascularização e estimular a formação de novos vasos sanguíneos no local para melhorar a circulação.

O problema é que esses novos vasos não funcionam normalmente e outros problemas acontecem como, por exemplo:

  • eles são mais permeáveis e deixam escapar fluido e sangue, ocasionando edemas e hemorragias;
  • eles crescem desordenadamente em direção ao corpo vítreo e podem cicatrizar, causando tração e descolamento da retina;
  • se os vasos surgirem abaixo da retina na região central da visão (membrana neovascular subretiniana), podem causar manchas e perda visual.

O papel dos antiangiogênicos

Os antiangiogênicos são substâncias que inibem a ação dos fatores de crescimento vascular, reduzindo a formação e proliferação de novos vasos sanguíneos.

Existem três tipos de medicamentos antiangiogênicos aprovados para uso ocular no Brasil:

Doenças tratadas pelos antiangiogênicos

A ANS (Agência Nacional de Saúde) prevê o tratamento com antiangiogênicos nos seguintes casos:

  • degeneração macular relacionada à idade;
  • edema macular diabético;
  • obstruções vasculares da retina.

Nem todos os casos têm indicação de tratamento com injeções vítreas de antiangiogênicos. Existem regras e protocolos estabelecidos para que ele seja feito com segurança e obtenha os melhores resultados.

Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

A degeneração macular relacionada à idade é uma doença que afeta principalmente a mácula, porção central da retina e responsável pela visão de detalhes. Ela é mais comum em pessoas acima de 65 anos e causa uma perda visual progressiva.

Existem dois tipos de DMRI:

  • forma seca: mais comum, provoca uma perda lenta da visão e não tem tratamento, apenas medidas paliativas.
  • forma úmida ou exsudativa: caracterizada pela formação de vasos abaixo da retina formando uma membrana neovascular subretiniana (MNVSR). Ela cresce em direção à mácula e pode extravasar líquidos e sangue, provocando uma alteração da visão mais rápida e mais grave que a forma seca.

Na degeneração macular, os antiangiogênicos estão indicados para tratar a membrana neovascular subretiniana, que ocorre na forma úmida da doença.

Os medicamentos aprovados no Brasil para tratar a DMRI úmida são o Lucentis® e o Eylia®.

O plano de tratamento varia de acordo com o paciente e a resposta à medicação. Geralmente, o protocolo se inicia com a aplicação de três injeções em intervalos de 30 dias. Após as sessões iniciais, o paciente é avaliado mensalmente e uma nova aplicação é indicada caso ocorra piora da visão causada pela DMRI.

Edema macular diabético

Nos olhos, o diabetes causa a retinopatia diabética, uma condição grave e que pode levar à cegueira. O açúcar elevado no sangue lesa os vasos da retina levando ao extravasamento de fluidos e sangue e, posteriormente, ao sofrimento dos tecidos e formação de neovasos.

Nesse estágio da doença, chamado de retinopatia diabética proliferativa, podem ocorrer hemorragias vítreas e descolamento de retina.

Como na DMRI, os antiangiogênicos são usados para tratar os vasos anômalos e o edema macular. Aqui, também, o protocolo de tratamento depende da resposta do paciente à medicação e aos outros tratamentos associados (laser e/ou cirurgia).

Oclusões vasculares

Nas oclusões dos vasos da retina, o sangue é impedido de chegar aos tecidos, que entram em sofrimento. Com o tempo, pode ocorrer a formação de neovasos e suas complicações.

Nos casos de obstrução vascular, os antiangiogênicos estão indicados se houver edema da mácula. É comum que o tratamento seja prolongado e nem sempre a acuidade visual é totalmente recuperada, devido à gravidade do problema.

Como são aplicados os antiangiogênicos?

Os antiangiogênicos são administrados por meio de uma injeção no olho, sob anestesia local. Esse procedimento é conhecido como injeção intravítrea.

O que esperar:

o olho é anestesiado;

  • um pequeno dispositivo chamado blefarostato é posicionado nas pálpebras para prevenir que o paciente pisque durante o procedimento;
  • o especialista injeta o medicamento através da parte branca do olho utilizando uma agulha bem fina;
  • o procedimento em si dura apenas alguns segundos e não há desconforto.

E, por fim: quais são os cuidados necessários após a aplicação do antiangiogênico?

São poucos e bastante simples:

  • usar o colírio prescrito pelo médico;
  • evitar esforço físico por alguns dias.

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