As 5 principais coisas para NUNCA dizer a um autista

Pai e mãe de uma criança autista falando algo no ouvido dele. Representação das 5 principais coisas para nunca dizer a um autista.

Você com certeza já se pegou perguntando o que fazer, ou como lidar com uma criança com TEA. Porém, e com relação às coisas que nunca se deve dizer a ela? Será que até mesmo esse ponto merece atenção?

A resposta para essa pergunta é: sim, com certeza. Pensando nisso, separamos 5 coisas básicas que você nunca deve dizer a um autista. Para saber quais são elas, continue conosco!

1 – “Você não consegue”, ou “Deixa que eu faço para você”.

As crianças com Transtorno do Espectro Autista tendem a ter um pensamento concreto e, portanto, não conseguem usar, nem entender falas e expressões que sejam metáforas, tenham duplo sentido ou estejam no sentido figurado. Isso quer dizer, basicamente, que elas interpretam as coisas e informações de forma literal.

Então, quando os pais ou responsáveis chegam para ela e falam: “Não, você não pode tomar banho sozinha porque não consegue fazer isso ainda”, ou “Aqui em casa eu preciso cortar o bife para a Sofia porque ela não dá conta”, com a criança perto, só reforça na cabeça dela de que aquilo nunca será feito por ela.

Sendo assim, nessas situações, procure orientar o(a) pequeno(a) sobre a forma correta de se fazer aquilo, e tente ainda explicar o sentido das coisas quando elas estiverem sendo reproduzidas em forma de metáforas, piadas, regionalismos etc. Isso pode ser feito por meio de desenhos, músicas, fotos, imagens explicativas, diálogo etc.

Caso você tenha dificuldade de conseguir orientar a criança do jeito certo, peça pela orientações e conselhos de psicólogos infantis, terapeutas ocupacionais e por aí vai. O importante é deixar claro que ela é, sim, capaz de fazer tudo e que você está ali para ajudá-la.

2 – Não prometa algo que não possa ser cumprido

O TEA tem uma característica muito peculiar que é a resistência da criança à fatos e combinados imprevisíveis. Na maioria dos casos de autismo, a pessoa sempre vai ter uma espécie de metodismo que pode se manifestar de várias formas. Existem autistas que, para se ter ideia, só gostam de comer a comida em um prato específico, ou em uma certa hora do dia, ou com os alimentos posicionados de certa maneira.

Já em outros casos, existem aquelas crianças que preferem, e muito, seguir uma rotina detalhada todos os dias, ou fazer um único caminho para andar até a escola, ou só andar de carro quando se pode sentar do lado da janela.

Nestes casos, quando não se cumpre uma promessa que, na cabeça delas, já foi acordada e estabelecidas em você, as chances de que esse episódio se torne uma crise de fúria ou ansiedade extrema são grandes. Existem crianças que, quando nessas situações, costumam se mutilar, ou então até mesmo agredir outras pessoas.

Sendo assim, o segredo é: sempre que possível, mantenha os combinados “de pé” e, portanto, só faça promessas quando você souber que elas podem ser cumpridas. Do contrário, a melhor forma é dizer ao(à) pequeno(a) que ainda não sabe se o passeio do fim de semana acontecerá, por exemplo.

3 – Não responda pela criança

O maior objetivo do “tratamento” para o autismo é capacitar a criança e apresentar recursos a ela que lhe permitam viver em sociedade, e ser independente (ou seja, conseguir comer sozinha, trocar-se sem a ajuda dos pais, pegar um ônibus por conta própria quando for mais velha, ter um emprego, e por aí vai).

Como o TEA, por sua vez, é um distúrbio que afeta principalmente a linguagem e o comportamento, responder às perguntas pelo autista só vai atrasar ainda mais o processo de construção da sua comunicação.

A melhor forma de proceder nestes casos, então, é incentivar a criança a responder à pergunta, e até mesmo na interação com o outro quando esta não é verbal. É o exemplo de ensiná-la a acionar quando for dar “oi” ou “tchau”, a balançar a cabeça como sinais de “sim e não”, e por aí vai.

Em casos em que o(a) pequeno(a), de fato, não consegue mesmo se comunicar, crie meios para que essa interação aconteça. Você pode colocar nela(e) uma pulseira com o seu nome, e ensiná-la(o) a mostrá-la quando lhe perguntarem o seu nome, ou fazer o mesmo com um card com as principais informações sobre ela(e). Ele pode ser transportado por meio dos bolsos, uma mochila, dentro da carteira etc.

4 – Não pergunte algo quando a resposta não é opcional. Exemplo: “Você quer comer?”

Uma coisa é fato: quando você dá uma opção à criança, ela poderá dizer NÃO a ela. No entanto, existem algumas atividades e afazeres do cotidiano que não são opcionais. É o caso, por exemplo, de escovar os dentes, tomar banho, almoçar/jantar, dormir etc.

Sendo assim, frente à situações como essa, a melhor forma de proceder é avisar à criança o que vai acontecer a seguir. Caso ela apresente resistência à tarefa, tenha paciência e explique o motivo pelo qual ela é tão importante e, por que não, faça desse momento uma hora divertida.

Use artifícios como músicas, brinquedos, brincadeiras, histórias etc. Caso você precise de ajuda para conseguir cumprir essas tarefas, peça pelas orientações de psicólogos e terapeutas ocupacionais infantis.

5 – Não mentir. Exemplo: “Essa vacina não vai doer”, ou “Esse remédio é gostoso!”.

Pelos mesmos motivos citados ao longo desse artigo, uma das piores coisas que você pode fazer com uma criança com TEA é mentir para ela. Primeiro que, como já explicamos, ela não tende e relativizar ou flexibilizar os combinados e/ou situações. Então, uma mentira só vai complicar ainda mais essa situação.

Além disso, mentir para qualquer pessoa é, na verdade, um incentivo para que ela não confie mais em você. E, bem… você não quer ter esse tipo de relação com os seus filhos, não é mesmo?

No mais…

A melhor forma de saber lidar com uma pessoa com autismo é, logicamente, informando-se o máximo que puder sobre o assunto, e entender quais são as particularidades do espectro da criança. Por fim, é sempre importante contar com uma equipe médica de qualidade e confiança, e comunicar-se constantemente com ela em caso de dúvidas e angústias.

 

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