Menino com gripe assoando o nariz com papel higiênico

Dra. Juliana Hoehne

O inverno está chegando e, com ele, a temporada de gripes e resfriados. O tempo seco e frio, os ambientes fechados e a aglomeração de pessoas favorece a proliferação de diversos tipos de vírus respiratórios e, consequentemente, a transmissão de doenças.

No Brasil, o aumento dos casos de gripe geralmente ocorre de abril a outubro, podendo variar de acordo com cada região.

Mas… você sabe o que é a influenza e como ela é transmitida? Existe tratamento e prevenção? Nesse texto, vamos tentar esclarecer algumas dúvidas sobre essa doença, suas causas, como reconhecer seus sintomas e as formas de tratamento e prevenção.

O que é a gripe?

A gripe é uma infecção aguda que acomete o sistema respiratório, causada pelo vírus da influenza.

Ocorre em todo o mundo e apresenta altíssima transmissibilidade, atingindo todas as faixas etárias da população. Os quadros, geralmente, são autolimitados e com duração que varia de 3 a 10 dias.

Atenção:
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades possuem risco maior de desenvolver as complicações da gripe.

No ano de 2019, o Brasil registrou 5.800 casos e 1.122 óbitos pelos três tipos mais comuns de Influenza. Um número impressionante, não acha?

Gripe x resfriado x rinite: são a mesma coisa?

Não! O resfriado é um quadro mais brando de acometimento das vias aéreas, geralmente sem febre e sem piora do estado geral. Pode evoluir para outras complicações, assim como na gripe, tais como: otite (infecção de ouvido), pneumonia, sinusite, entre outras.

Já a rinite é um quadro alérgico em que também há sintomas respiratórios, sendo a tosse, os espirros e a congestão nasal os mais comuns. A febre nunca está presente.

Quais os tipos de vírus influenza?

Existem quatro tipos de vírus Influenza: A, B, C e D. Esses vírus são altamente transmissíveis e podem sofrer mutações contínuas.

  • Influenza tipo A: altamente mutável e encontrado em várias espécies animais, inclusive no ser humano. É ainda classificado em subtipos de acordo com as combinações de 2 proteínas diferentes, a Hemaglutinina (HA ou H) e a Neuraminidase (NA ou N). O subtipo conhecido que circula de maneira sazonal e infecta os seres humanos é o H1N1 (gripe suína).
  • Influenza tipo B: infecta exclusivamente os seres humanos e também pode causar quadros e sintomas gripais mais graves.
  • Influenza tipo C: infecta humanos e suínos. Causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na saúde pública e não está relacionado a epidemias.
  • Influenza tipo D: acomete apenas suínos e bovinos, não sendo conhecido por infectar humanos.

Qual a forma de transmissão?

A transmissão do Influenza pode ocorrer de forma direta ou indireta:

  • Forma direta: é a mais comum, transmitida de pessoa-a-pessoa. Ocorre por meio de secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao tossir, espirrar ou falar. O período que o paciente pode transmitir é de 2 dias antes, até 5 dias após o início dos sintomas.
  • Forma indireta: ocorre por meio do contato das mãos com superfícies recentemente contaminadas por secreções respiratórias de indivíduos infectados. Nesse caso, a pessoa leva a mão suja e com o vírus para a boca, nariz e olhos.

Principais sinais e sintomas da gripe

Os sinais e sintomas da gripe surgem após 24-48h do contato com o vírus Influenza, podendo chegar até 7 dias. Ocorrem de forma súbita, podendo ser mais acentuados nas crianças, principalmente a febre.

Nos adultos sadios e idosos, podem apresentar de formas variáveis. São elas:

  • febre;
  • calafrio;
  • tosse seca ou com catarro;
  • secreção e congestão nasal;
  • mal-estar e prostração;
  • dor de cabeça (cefaleia);
  • dor no corpo (mialgia);
  • dor de garganta;
  • vômitos, diarreia, rouquidão, olhos avermelhados e lacrimejantes: sintomas menos comuns

Existe tratamento medicamentoso disponível para a influenza?

Para o tratamento da gripe não complicada, fazemos o uso de medicações que amenizem os sintomas. Além disso, uma alimentação branda, repouso, hidratação abundante e lavagem nasal frequente com soro fisiológico são essenciais para evitar uma evolução ou complicações do quadro.

Nos casos mais graves, algumas medicações são disponibilizadas, cabendo sua indicação e prescrição ao médico. Um exemplo conhecido é o Oseltamivir (Tamiflu) para o tratamento da Influenza A H1N1.

Caso haja complicações, como as infecções bacterianas secundárias (pneumonias, otites, sinusites etc), o tratamento será específico para tal agente, geralmente com antibióticos. Para tanto, é necessária a avaliação médica.

Como prevenir a gripe? A vacina é realmente eficaz?

Existem medidas gerais para prevenção das doenças de transmissão respiratória, não apenas para a gripe por Influenza. Dentre elas, podemos citar:

  • lavagem frequente das mãos com água e sabão e, na impossibilidade destes, com álcool-gel;
  • proteger com o braço ou com lenços descartáveis a boca e o nariz ao tossir e espirrar para evitar disseminação dos aerossóis;
  • evitar aglomerações e ambientes fechados;
  • evitar sair de casa quando estiver em período de transmissão da doença (até 5 dias após o início dos sintomas);
  • evitar tocar a boca, o nariz e os olhos após contato com superfícies;
  • não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, copos e garrafas;
  • adote hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, ingestão de líquidos e atividades físicas regulares;
  • não mandar as crianças para creches e escolas no período de infecção, devido ao alto risco de contágio para outras crianças;
  • no caso de epidemias ou pandemias, avaliar a necessidade de suspensão temporária de atividades coletivas e isolamento dos casos suspeitos.

A vacinação é a alternativa mais eficaz e segura de prevenção contra a gripe, suas complicações e óbitos.

A constante mudança (mutação) dos vírus Influenza requer um monitoramento global e frequente reformulação da vacina contra gripe. Por tal motivo, a Campanha Nacional de Vacinação é realizada anualmente pelo Ministério da Saúde em todo nosso país. A vacina protege contra os três subtipos de vírus da gripe que mais circularam no último ano no hemisfério sul.

De acordo com determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada na Resolução n.º 2.735 (de 2 de outubro de 2019) da Anvisa, a vacina influenza trivalente que será utilizada na campanha de 2020, tem a seguinte composição:

  • Influenza A – H1N1
  • Influenza A – H3N2
  • Influenza B (linhagem B/Victoria)

As vacinas são ofertadas de forma gratuita e segura pelo SUS, nos postos de vacinação, para todo o grupo considerado de risco, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com alguma comorbidade. Esse grupo apresenta maior risco de desenvolver complicações devido à Influenza.

Na rede privada, ela é disponível para a população em geral, sendo lactentes a partir de 6 meses. Atualmente, mesmo os alérgicos ao ovo podem receber a vacina!

Os efeitos colaterais da vacina contra Influenza são geralmente brandos, sendo vermelhidão, enduração local por até 72h e febre baixa os mais comuns.

Atenção! Algo muito importante a se saber:
A vacina não causa gripe! Ela é feita com o vírus inativo (morto)!

Quem deve ser vacinado contra a gripe (influenza)?

  • Crianças de seis meses a menores de seis anos (5 anos, 11 meses e 29 dias).
  • Gestantes em qualquer idade gestacional.
  • Puérperas até 45 dias após o parto.
  • Trabalhadores da Saúde.
  • Professores de escolas públicas e privadas.
  • Povos indígenas a partir dos seis meses de idade.
  • Indivíduos com 60 anos ou mais de idade.
  • Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas.
  • População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.
  • Força de segurança e salvamento.
  • Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais independe da idade.

Em meio à pandemia pelo Coronavírus (COVID-19), a vacinação para o grupo de idosos e profissionais de saúde (maiores grupo de risco) foi antecipada para março. O demais integrantes do grupo de risco será vacinado nos meses de abril e maio.

A meta do governo é atingir 90% da população de risco. Se você faz parte do grupo prioritário, vacine-se, cuide-se e cuide de quem está próximo a você!

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