O que é epilepsia e o que você precisa saber sobre ela?

Rosto de papel e um cérebro em um fundo roxo para representar a epilepsia

No dia 26 de março, é comemorado o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, conhecido como purple day. A data busca desmistificar o preconceito e disseminar informações sobre uma das condições mais antigas que atingem o ser humano.
Nesse texto, espero esclarecer as dúvidas sobre o que é essa doença, suas principais causas, como reconhecê-la, formas de tratamento e prevenção, além de orientar como devemos proceder frente a uma pessoa em crise convulsiva.
Vamos lá?

O que é epilepsia?

É uma condição neurológica bastante comum, acometendo aproximadamente uma em cada 100 pessoas, sendo caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas.
As crises são manifestações clínicas de uma descarga anormal dos neurônios, as células que compõem o cérebro.

E quais são as suas causas?

Podem ser diversas, variando de acordo com o tipo de epilepsia e com a idade do paciente.
Em crianças, por exemplo, a falta de oxigênio no cérebro durante o parto e os erros inatos do metabolismo (alterações metabólicas que existem desde o nascimento) são causas frequentes de epilepsia. Além disso, existem formas de epilepsia especificas da infância, com tratamentos também específicos.
As crises podem ser causadas também por alguma lesão no cérebro, decorrente de uma forte pancada na cabeça, uma infecção (meningite, por exemplo), neurocisticercose (“ovos de solitária” no cérebro), abuso de bebidas alcoólicas, de drogas etc.
Em idosos, por outro lado, as doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral, ou AVC), bem como os tumores cerebrais, estão entre as causas mais frequentes.

Sintomas de epilepsia: como reconhecer uma crise convulsiva?

Existem vários tipos de crises. Um dos mais comuns é a crise tônico-clônica generalizada, na qual o paciente apresenta abalos musculares, salivação excessiva e, muitas vezes, morde a língua e perde urina e fezes.
Outras crises, entretanto, podem não ser reconhecidas tão facilmente,
pois apresentam manifestações clínicas mais sutis, como alteração discreta de comportamento, olhar parado e movimentos automáticos.
Em crianças, por exemplo, é comum a ocorrência de crises de ausência, caracterizadas por uma breve parada da atividade que ela estava fazendo, às vezes associadas a piscamentos ou movimentos automáticos das mãos.
Em alguns casos, inclusive, não são reconhecidas prontamente, sendo consideradas apenas quando a criança começa a apresentar prejuízo do desempenho escolar.

Como é feito o diagnóstico?

Por meio da avaliação do histórico do paciente, com informações sobre os tipos de crise apresentados, a idade de início dos sintomas, a história familiar, entre outras.
Exames complementares são fundamentais para auxiliar no diagnóstico, como o eletroencefalograma, a tomografia de crânio e a ressonância magnética do cérebro.

A epilepsia tem cura?

As crises epilépticas são tratadas com o uso de medicações específicas, denominadas anticrises. Com o tratamento medicamentoso, cerca de dois terços dos pacientes têm suas crises controladas. Um número significativo, porém, continua tendo crises a despeito do remédio.
Para esses pacientes, existem outras opções de tratamento, como o uso da dieta cetogênica (semelhante à dieta Atkins), principalmente em crianças, e o tratamento cirúrgico.
A neuromodulação, com a estimulação do cérebro ou de nervos periféricos, também pode ser uma opção terapêutica em pacientes com epilepsia de difícil controle.
Recentemente, o canabidiol – um dos compostos da folha da maconha – passou a ser utilizado no tratamento da epilepsia, com bons resultados em alguns tipos específicos de epilepsia. Sua indicação, assim como as outras modalidades terapêuticas, devendo ser cuidadosamente avaliada por médico especialista.

Tem como prevenir os ataques de epilepsia?

Algumas causas de epilepsia, como a anóxia (falta de oxigenação durante o parto) neonatal e as doenças cerebrovasculares podem ser prevenidas.
Portanto, um acompanhamento pré-natal adequado e uma boa assistência ao parto são fundamentais. Da mesma forma, o controle apropriado dos fatores de risco para doenças cerebrovasculares, como a hipertensão arterial e o diabetes, levam a uma redu​ção no número de acidentes vasculares cerebrais e, logo, dos casos de epilepsia decorrentes dessa enfermidade.
Além disso, o acompanhamento regular com um médico neurologista, o uso correto das medicações instituídas, a manutenção de hábitos de vidas saudáveis, com uma rotina bem estabelecida, são fundamentais para o controle adequado das crises em quem tem o diagnóstico de epilepsia.

Como proceder durante uma crise?

  • Coloque a pessoa deitada de costas, em lugar confortável, de preferência no chão, a fim de evitar quedas;
  • retire de perto objetos com que ela possa se machucar, como pulseiras, relógios, óculos etc;
  • em hipótese alguma, deve-se colocar algo dentro da boca da pessoa e, muito menos, tentar manobras para desenrolar a língua;
  • levante o queixo para facilitar a passagem de ar;
  • afrouxe as roupas;
  • mantenha a pessoa deitada com a cabeça voltada para o lado, evitando que ela se sufoque com a própria saliva;
  • quando a crise passar, deixe a pessoa descansar;
  • verifique se existe pulseira, medalha ou outra identificação médica de emergência que possa sugerir a causa da convulsão;
  • nunca segure a pessoa (deixe-a debater-se);
  • não dê tapas;
  • não jogue água sobre ela.

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