Menina debruçada na mesa com um cara sofrida olhando para um copo de leite por ter alergia à proteína do leite de vaca

Magno Veras

As alergias, no geral, são reações exacerbadas do sistema imunológico a alguma coisa, frequentemente uma proteína. A alergia alimentar, por sua vez, ocorre quando os componentes de um alimento são reconhecidos como “nocivos” pelo nosso organismo. Este, como resposta, libera uma série de substâncias para combatê-los que, juntas, são capazes de provocar uma inflamação que resulta nos mais diversos sintomas.

Sendo assim, agora ficou fácil entender como a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) funciona, não é?

Afinal: o que é a APLV?

Basicamente, o organismo “pensa” que as proteínas presentes no leite são prejudiciais à sua saúde e, consequentemente, trabalha muito duro para combatê-las.

Esse processo causa uma série de reações bastante desagradáveis e, por isso, é o tema de hoje. Continue conosco para saber tudo o que precisa sobre a APLV, desde seus fatores de risco e sintomas, até seu diagnóstico e tratamentos.

Vamos lá?

Em primeiro lugar: é alergia ou intolerância?

Antes de começarmos nosso bate-papo de fato, é preciso esclarecer algumas coisas.

A APLV é completamente diferente da intolerância à lactose. Ao contrário da alergia à proteína do leite, a intolerância não envolve o sistema imunológico. Para saber mais sobre essa diferença, e entender os outros tipos de alergias alimentares, é só clicar aqui.

Causas e fatores de risco

Como já explicamos, todas as alergias alimentares são causadas por uma resposta exagerada do sistema imunológico. Logo, se seu filho tem alergia ao leite de vaca, o organismo dele identifica certas proteínas presentes na composição dele como prejudiciais, desencadeando a produção de anticorpos e outras substâncias para neutralizá-las.

Existem dois grupos principais de proteínas no leite de vaca que podem causar uma reação alérgica:

  • a caseína, encontrada na parte mais consistente do leite;
  • o soro, parte líquida do leite repleta de outras proteínas.

Seu filho pode, ainda, ser alérgico a apenas um desses grupos de proteínas, ou a ambos. Isso é complicado porque os dois são encontrados na maioria dos alimentos processados e, claro, em todo e qualquer alimento derivado do leite, como queijo, iogurte etc.

Além disso, é importante saber que a maioria das pessoas que reage ao leite de vaca também reage aos leites de ovelha, cabra e búfala.

Por fim, certos fatores de risco ainda podem aumentar o risco para APLV. São eles:

  • ter outras alergias (alimentares ou não);
  • ter dermatite atópica (uma inflamação crônica comum da pele);
  • ter casos de APLV na família, e de outras alergias também.
  • ser mais novo: a alergia à proteína do leite de vaca é mais comum em crianças. A boa notícia é que, na medida em que elas crescem, seus sistemas digestivos amadurecem e conseguem “dar conta do recado”.

Atenção: outras doenças como refluxo gastroesofágico, asma, cólica do lactente, constipação intestinal, esofagite eosinofílica e gastrenterite eosinofílica, dependendo do caso, também podem estar relacionados à APLV.

Quão comum é a alergia à proteína do leite de vaca?

Esse quadro, assim como qualquer outro de alergia alimentar, pode ocorrer em qualquer pessoa, de qualquer idade. Porém, é importante saber que a APLV é a alergia mais comum entre as crianças, podendo afetar desde aquelas que se alimentam somente de leite materno e/ou fórmulas, até as mais velhas, que já fazem refeições mais diversificadas.

Sintomas

Há uma ampla gama de sintomas que podem ser desencadeados pela alergia à APLV. Eles podem ser divididos em duas categorias:

1. Mediados pela imunoglobulina E (IgE)

A imunoglobulina E é um anticorpo encontrado, em baixa concentração, em algumas células do nosso sangue. Os sintomas mediados por ele são mais agudos e ocorrem mais rapidamente, de poucos minutos a algumas horas após a ingestão do leite. Eles incluem:

  • reações cutâneas: coceira, vermelhidão, erupção cutânea súbita (urticária), inchaço (principalmente no rosto);
  • reações gastrointestinais: inchaço dos lábios, língua ou palato, sensação de coceira na boca, náusea, vômito e diarreia (com ou sem dores abdominais);
  • reações respiratórias: coceira no nariz, espirros, coriza, congestão, tosse, rouquidão, chiado e falta de ar.

2. Não-mediados pela imunoglobulina E (IgE)

Aqui, os sintomas são menos agudos e acontecem a longo prazo. Os mais comuns incluem:

  • coceira, vermelhidão ou eczema na pele;
  • sangue nas fezes;
  • refluxo;
  • diarreia (com ou sem a presença de sangue);
  • dor abdominal, cólica, constipação;
  • assaduras;
  • tosse, chiado ou falta de ar;
  • anemia crônica e baixa ingestão nutricional (em casos graves).

Como saber se meu filho tem APLV?

As manifestações clínicas da alergia à proteína do leite de vaca são variáveis ​​em tipo e gravidade, o que dificulta o seu diagnóstico. Por isso, é necessária uma cuidadosa análise do paciente, levando em conta todas as suas particularidades.

Em crianças com reações imediatas mediadas por IgE, são realizados alguns exames de sangue e testes de alergia para confirmar o diagnóstico. Já nos pequenos com reações não-mediadas por IgE, as investigações incluem uma dieta de exclusão, cortando tudo que possa ter traços da proteína do leite de vaca em sua composição. Se ela melhorar, o próximo passo é re-introduzir, cuidadosamente e com acompanhamento, esses alimentos nas refeições dela, observando os resultados.

Tratamento

Se a APLV for diagnosticada, a solução é eliminar o leite de vaca da dieta, assim como quaisquer outros alimentos que contenham traços de suas proteínas na composição. Para saber quais são eles, é só ficar de olho nos rótulos.

Um nutricionista pode, ainda, fornecer conselhos sobre amamentar uma criança com APLV (que dizem respeito, basicamente, à dieta da mãe), e quais fórmulas do mercado são as mais apropriadas para o caso do seu pequeno.

IMPORTANTE: como o leite de vaca fornece muitos nutrientes importantes, especialmente o cálcio, é preciso fazer o acompanhamento constante do tratamento da APLV com o gastroenterologista pediátrico ou pediatra. Só assim você poderá ter a garantia de que seu filho está recebendo todos os nutrientes necessários para um crescimento saudável.

E, por fim, quais outros leites podem ser oferecidos a crianças com APLV?

Os leites que visam substituir o leite de vaca na alimentação das crianças menores de 2 anos de idade são aqueles que apresentam uma proteína diferente, como a da soja e do arroz, ou ainda os leites hidrolisados (em que ocorre quebra artificial da proteína do leite de vaca).

No entanto, cuidado: o tipo de leite depende da manifestação clínica e do tipo de reação envolvida. Por isso, em alguns casos, o leite de soja não deve nem ser cogitado, assim como o leite de cabra. O motivo: ambos podem ter uma “reação cruzada”, que é quando a APLV também ocorre com as proteínas desses outros leites.

Sempre procure pela orientação do pediatra antes de fazer qualquer mudança na dieta do seu filho!

Gostou do texto? Mantenha-se sempre atualizado sobre as melhores escolhas para a sua vida com o nosso Blog e redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter)! Estamos te esperando.