Cena de uma família feliz composta de pai e mãe e um casa de crianças comento uma refeição saudável à mesa. Essa cena representa um comportamento alimentar

Dra. Denise Brasileiro

Crianças em fase de formação do hábito alimentar não aceitam novos alimentos prontamente, e isso é normal. Essa relutância em consumi-los é conhecida como neofobia, isto é, a criança se nega a experimentar qualquer tipo de alimento desconhecido e que não faça parte de suas preferências alimentares.

Para que esse comportamento se modifique, é necessário que a criança prove o novo alimento em torno de 8 a 10 vezes, mesmo que seja em quantidade mínima. Somente dessa forma, a criança conhecerá o sabor deste e estabelecerá seu padrão de aceitação.

Como funciona o comportamento alimentar de uma criança?

O apetite é uma variável instável, principalmente nos pequenos. Costuma ser momentâneo e depender de vários fatores, entre eles a idade, a condição física e psíquica, a temperatura ambiente, a quantidade de ingestão da refeição anterior e por aí vai.

Uma criança cansada ou superestimulada com brincadeiras, por exemplo, pode não aceitar a nova alimentação de imediato. Assim como, também, pode perder o apetite no verão enquanto, no inverno, ele volta ao normal.

Tendo em vista esse fato, a pergunta é: de que forma os pais podem moldar o comportamento alimentar de seus filhos da forma correta, preservando a ingestão necessária de vitaminas e nutrientes por dia?

Primeiro passo (e mais importante): cuidado com os doces!

Os alimentos preferidos pela criança são os de sabor doce e muito calóricos. Essa preferência ocorre porque o sabor doce é inato ao ser humano, não necessitando de aprendizagem como os demais sabores.

Portanto, é normal a criança querer comer apenas doces e nada mais (principalmente os alimentos mais saudáveis). Por isso, cabe aos pais impor limites quanto ao horário e quantidade de ingestão de balas, doces, bolos e qualquer outro alimento que leve açúcar refinado em sua receita.

Segundo passo: respeite os limites da criança

A criança tem direitos fundamentais na alimentação. São eles:

  • saber/escolher a quantidade de refeição que lhes apeteça, e poder indicar isso aos pais: nunca force a comida. Se o pequeno sinalizar que está satisfeito, não insista para que ele termina o prato (a não ser que ele tenha comido muito pouco deste);
  • ter preferências e aversões, como qualquer outra pessoa: quando a criança recusa insistentemente um determinado alimento, o ideal é substituí-lo por outro que possua os mesmos nutrientes, ou variar o seu preparo, se ele for fundamental;
  • optar pela melhor forma de receber os alimentos que lhes são oferecidos: devem ser respeitadas as preferências alimentares individuais tanto quanto possível. Comportamentos como recompensas, chantagens, subornos, punições ou castigos para forçar a criança a comer devem ser evitados, pois podem reforçar a recusa alimentar da criança.

Terceiro passo: estabeleça uma rotina

O desjejum, almoço, lanche e jantar devem ser servidos em horários fixos diariamente, com intervalos suficientes para que a criança sinta fome na próxima refeição.

Um grande erro é oferecer, ou deixar o pequeno se alimentar sempre que deseja. Afinal, ela nunca terá apetite no momento certo. Dica: o intervalo entre uma refeição e outra deve ser de duas a três horas.

É necessário, também, estabelecer um tempo definido e suficiente para cada refeição. Se no almoço, por exemplo, a criança não aceitar os alimentos, deve-se encerrá-lo. Siga com os planos normalmente para o lanche e, na janta, ofereça o mesmo prato que ela recusou anteriormente.

Por fim, se possível, incremente-o com mais opções de verduras e legumes, e vá notando quais destas o pequeno aceita melhor. Lembre-se: elas serão suas aliadas durante todo o processo da construção de um bom comportamento alimentar para o seu filho.

Quarto passo: escute o pequeno

É muito freqüente a mãe, por preocupação, servir uma quantidade de alimento maior do que a criança consegue ingerir. O ideal é oferecer uma pequena quantidade de alimento e perguntar se a criança deseja mais.
Oferecer a sobremesa como mais uma preparação da refeição, evitando utilizá-la como recompensa ao consumo dos demais alimentos, é uma excelente alternativa.

Quinto passo: atente-se aos líquidos

A oferta de líquidos nos horários das refeições deve ser controlada porque o suco, a água e, principalmente, o refrigerante, distendem o estômago da criança, podendo dar a ela o estímulo de saciedade precocemente.

O ideal é oferecê-los meia hora antes da refeição, e uma hora após esta, e de preferência água ou sucos naturais.

Sexto passo: use a criatividade

A monotonia alimentar, sem variações do tipo de alimento e de preparações, é um fator que pode tirar o apetite e o interesse da criança pelo alimento.

Assim, uma alimentação equilibrada e divertida deve ser representada por uma refeição com grande variedade de cores, texturas, formas interessantes e colocação no prato de forma atrativa.

Procure por inspirações online, tente receitas novas, corte os legumes em formatos de bichinhos, estrelas e outras coisas que o seu pequeno goste e obtenha sucesso na formação do comportamento alimentar do seu filho!

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