Linfoma em cães e gatos: causas, sintomas e tratamento

Cachorro com linfoma sendo amparado por um veterinário enquanto, ao fundo, um outro veterinário faz anotações em um prancheta ao lado do tutor do cachorro.

O linfoma, ou linfossarcoma, é uma neoplasia hematopoiética comum em cães e gatos, representando 20% dos casos gerais de câncer.

Se origina da proliferação de células linfoides, surgindo frequentemente em órgãos linfoides como linfonodos, baço e medula óssea, embora possa ocorrer em qualquer local do corpo. Pode, também, começar em um local e se espalhar, embora isso não seja considerado metástase.

Existem várias formas da doença, sendo a mais comum o linfoma multicêntrico de alto grau, que leva a óbito em pouco tempo se não for diagnosticado e tratado.  

O linfoma pode ser classificado de acordo com sua localização ou apresentação como, por exemplo:

  • Multicêntrico: afeta a cadeia linfática, podendo se apresentar na forma do aumento de um, vários ou todos os linfonodos, com ou sem envolvimento de fígado, baço e medula. O animal pode estar assintomático, ou apresentar perda de peso, vômito, anorexia, dor e desconforto respiratório;
  • Mediastinal: ataca os linfonodos mediastinais anteriores (localizados entre os pulmões). Pode levar à efusão pleural — acúmulo de líquido ao redor dos pulmões, causando dificuldade respiratória, tosse e regurgitação. Mais comum em gatos portadores de Felv;
  • Cutâneo: acomete a pele, formando nódulos. Geralmente tem comportamento agressivo.
  • Intestinal: é a forma menos comum, ocorrendo em 5 a 7% dos casos. Seus sintomas são relacionados ao sistema digestivo. Exemplos: vômito, diarreia, dor abdominal etc;
  • Extranodal: chamado assim quando acomete qualquer outra localização, acarretando sintomas específicos ao órgão afetado. Ocorre nos rins, olhos, nariz, sistema nervoso central e coração.

O linfoma também pode ser classificado quanto a suas características histopatológicas (alto, intermediário e baixo grau). Os de baixo grau têm progressão mais lenta e comportamento mais brando. Porém, respondem pouco à quimioterapia. Já os de alto grau e grau intermediário têm multiplicação rápida e comportamento mais agressivo, contudo, respondem melhor ao tratamento.

Além disso, também pode ser classificado quanto ao tipo de célula, T ou B, o que também influencia o prognóstico.

Por fim, após o diagnóstico, é importante realizar o estadiamento da doença através de exames físicos, de imagem e laboratoriais, de acordo com a sua progressão no organismo.

A Organização Mundial de Saúde estipulou estágios e subestágios para o linfoma em cães:

  • Fase I: um único linfonodo atingido;
  • Fase II: múltiplos linfonodos na mesma área do corpo;
  • Fase III: aumento generalizado de gânglios linfáticos em várias partes do corpo;
  • Fase IV: fígado ou baço afetados;
  • Fase V: medula óssea ou outro órgão não linfoide atacado.

Sub-estágios

  • Tipo A: sem sinais clínicos;
  • Tipo B: com sinais clínicos sistêmicos

Principais causas

Suas causas são desconhecidas e provavelmente multifatoriais. Fatores genéticos, moleculares, infecciosos, ambientais (como o uso de herbicidas) têm sido descritos e estudados.

Algumas raças, especialmente Golden Retriever, Boxer e Doberman, têm maior incidência. Em gatos, o linfoma pode estar associado à infecção por FELV, o vírus da leucemia felina.

Sintomas

Variam de acordo com o órgão atingido. São alguns deles:

  • Gânglios linfáticos inchados, mais perceptíveis na região do pescoço, axilas, virilha e membros posteriores;
  • dificuldade respiratória;
  • apatia e cansaço;
  • perda de peso;
  • perda de apetite;
  • diarreia;
  • vômito.

Algumas complicações

A progressão da doença sem tratamento leva ao óbito. Uma vez alastrado, o tumor pode atingir inicialmente o fígado e o baço, podendo chegar até a medula óssea e causar leucemia. Por isso, se não tratado, o linfoma pode matar em um período entre 4 a 8 semanas.

Diagnóstico do linfoma em cães

Envolve exame inicialmente a palpação, sendo indicada a realização de citologia para confirmação do diagnóstico. A biópsia raramente é necessária. Perfil bioquímico, hemograma, ultrassom abdominal e raio-x de tórax são requeridos para avaliar o estadiamento da doença.

Tratamento

Em primeiro lugar, não há como prevenir o linfoma. Por se tratar de uma doença sistêmica — que afeta diversas regiões do corpo, a neoplasia não pode ser tratada por meio de cirurgia.

Seu tratamento visa prolongar a qualidade a vida do paciente. Por isso, um tratamento satisfatório tem como objetivo a remissão, com a extinção completa dos sintomas e manutenção desse estado pelo maior tempo possível. Porém, o protocolo depende da evolução da doença e do estado de saúde do animal.

Em segundo, o protocolo mais eficaz é a quimioterapia, baseada na administração de citostáticos semanalmente, embora existam outros protocolos. O tratamento deve ser monitorado frequentemente por um veterinário e acompanhado por exames. Pode apresentar efeitos colaterais como anorexia, apatia e queda na produção de glóbulos brancos pela medula óssea, mas geralmente são mais brandos que na quimioterapia humana.

 

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Medicina Veterinária

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