Lacrimejamento excessivo: o que pode ser?

Close de olho de pessoa que tem lacrimejamento excessivo

As lágrimas são muito importantes para a saúde dos olhos. Porém, quando excessivas, podem criar situações desagradáveis. Afinal, quem quer aparentar estar chorando durante uma reunião de trabalho?
O lacrimejamento excessivo pode ter várias causas. Porém, os mecanismos básicos são dois: excesso de produção de lágrima ou uma obstrução à sua drenagem.
Para entender como isso ocorre, precisamos estudar um pouco das vias lacrimais.

Glândulas lacrimais e vias lacrimais de drenagem

A lágrima é composta por água, sais minerais, proteínas e gordura. A cada piscar, ela se espalha sobre a superfície ocular para lubrificar, nutrir e proteger as estruturas.
Ela é produzida pelas glândulas lacrimais, principal e acessórias, e por outras pequenas glândulas localizadas na conjuntiva e na margem das pálpebras.
A glândula lacrimal principal está localizada dentro da órbita, acima do olho. Ela produz a parte aquosa da lágrima. Os outros componentes do filme lacrimal, que formam suas camadas de muco e de gordura, são produzidos na superfície do olho e nas pálpebras.
A produção de lágrima é constante e se renova o tempo todo. Após cumprir suas funções, ela é eliminada através dos canais que formam o sistema de drenagem. São eles:

  • pontos lacrimais;
  • canalículos lacrimais;
  • saco lacrimal;
  • canal lacrimonasal.

O canal lacrimonasal desemboca na cavidade nasal.

Causas do lacrimejamento excessivo

Produção excessiva

A produção excessiva de lágrimas ocorre principalmente quando há irritação ocular. Porém, o lacrimejamento pode acontecer também em quadros de alergia ou resfriados, por exemplo.
São causas frequentes de lacrimejamento:

Entre elas, merece destaque o olho seco, que causa uma inflamação crônica da superfície ocular e resulta em um estímulo na produção de lágrimas. É comum, mesmo que um pouco estranho, que os pacientes apresentem como primeiro sinal de olho seco o excesso de lágrimas.

Obstrução da drenagem das lágrimas

O excesso de lágrimas resultante de alterações na drenagem é chamado de epífora. Esta pode ocorrer quando existe uma obstrução funcional ou anatômica ao fluxo lacrimal.

Obstrução funcional

Pacientes com ectrópio (posicionamento alterado da pálpebra, que está voltada para fora) ou alongamento e frouxidão palpebral podem apresentar lacrimejamento. Nesses casos, não existe uma obstrução real à drenagem. Porém, a lágrima não é eliminada porque os pontos lacrimais estão mal posicionados, ou porque a bomba lacrimal não é eficiente.
Os movimentos de piscar, resultado da ação do músculo orbicular, funcionam como uma bomba, auxiliando na drenagem lacrimal. Quando o tônus muscular está diminuído, a pálpebra frouxa perde sua função de bombear a lágrima.

Obstrução anatômica

Nos pacientes com obstruções anatômicas, é importante identificar a localização do problema:

  • obstrução das vias lacrimais altas: localizada nos pontos lacrimais ou nos canalículos;
  • Obstrução baixa das vias lacrimais: localizada no saco lacrimal ou no ducto lacrimonasal.

Nas obstruções altas, ocorre apenas o excesso de lágrimas. Nas baixas, o quadro pode se apresentar com secreção associada devido à inflamação aguda ou crônica do saco lacrimal (dacriocistite).

Diagnóstico do lacrimejamento excessivo

O diagnóstico da causa do excesso de lágrimas é feito por meio do exame clínico e alguns testes complementares:

  • Break up time: avalia a qualidade da lágrima utilizando a fluoresceína e o filtro azul da lâmpada de fenda. Durante o exame, se a lágrima leva menos de 5 segundos para se romper entre um piscar e o outro, o paciente provavelmente sofre de olho seco. Além da fluoresceína, outros corantes (como o de rosa bengala e lissamina verde, por exemplo) podem ser utilizados para avaliar a lágrima e diagnosticar o olho seco.
  • Teste de desaparecimento da fluoresceína: nos pacientes com quadros de obstrução, a fluoresceína permanece mais tempo na superfície dos olhos.
  • Lavagem das vias lacrimais: quando a suspeita é uma obstrução, a sondagem e lavagem das vias lacrimais pode confirmar o diagnóstico e indicar a localização do problema.

Em alguns casos, exames mais complexos como a dacriocistografia e a cintilografia das vias lacrimais podem ser indicados.

Tratamento

O tratamento dos lacrimejamento excessivo depende da sua causa. Condições inflamatórias ou olho seco são tratados com colírios anti-inflamatórios, antibióticos e lubrificantes.
Nos casos de obstrução, um procedimento cirúrgico pode ser necessário. São alguns dos mais comuns:

  • pontoplastia: dilatação e aumento do diâmetro dos pontos lacrimais;
  • canaliculoplastia: dilatação e entubação dos canalículos lacrimais utilizando um tubo de silicone;
  • dacriocistorrinostomia: cirurgia para uma nova abertura entre o saco lacrimal e a cavidade nasal;
  • dacriocistectomia: cirurgia para ressecção do saco lacrimal.

Enfim…

Descobrir a causa do lacrimejamento excessivo é essencial para que o tratamento correto seja instituído. Um oftalmologista especializado em plástica ocular é o profissional mais indicado para resolver esses casos.

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