Bebê sorridente na cadeirinha fazendo a introdução alimentar

Dra. Denise Brasileiro

Os bebês, na medida em que crescem, começa a precisar de outras vitaminas e nutrientes para além daqueles presentes no leite materno, principalmente para crescerem e se desenvolverem bem.

Porém… qual é o momento certo para introduzir alimentos na dieta do bebê? E quais são as melhores opções para esse processo? Bem… para saber tudo o que precisa sobre essa assunto, é só continuar comigo!

Afinal: como saber se o bebê está preparado para a introdução alimentar?

Geralmente, a maioria dos bebês já está pronta para se aventurar no universo dos alimentos entre os 4 e 6 meses. Porém, é claro que existe uma ordem a ser seguida: primeiro os pastosos, depois os macios e, por fim, os mais durinhos.

Daqui a pouco vamos conversar um pouco sobre os melhores alimentos para cada fase da introdução mas, por enquanto, é importante saber quais são os sinais de que o pequeno está pronto para comidas sólidas como complemento ao leite materno. São eles:

  • conseguir segurar a cabeça em posição firme e ereta;
  • sentar-se com algum apoio (e se manter nessa posição);
  • manusear objetos com as mãos;
  • demonstrar curiosidade/interesse por comidas, inclinando-se em direção a elas.

Se você notar que seu filho está conseguindo executar estes comportamentos acima e se o pediatra concordar, é claro, já podemos iniciar o processo!

E como se preparar para a introdução alimentar?

Aí vão algumas dicas de ouro para que essa semi-transição do leite materno para as refeições seja feita do jeito mais eficaz o possível:

  • escolha cadeirinhas de alimentação que sejam seguras, práticas, fáceis de serem manuseadas e limpadas e, principalmente, que permitam que o bebê fique com os pés apoiados;
  • antes mesmo da introdução alimentar, vá colocando o bebê na cadeirinha para que ele participe de todas as refeições da família. Assim, ele já vai se familiarizando com a rotina e entendendo onde vai receber as comidinhas de agora em diante;
  • utilize colheres rasas e de silicone. Certifique-se, também, de que elas têm tamanho o suficiente para ficarem apenas entre as arcadas dentárias do bebê;
  • na hora de comprar os pratinhos, opte por aqueles que são livres de bisfenol A e dê preferência àqueles que são feitos de bambu ou aço inox;
  • procure por pratinhos e potinhos que têm ventosas, pois eles se prendem bem às bandejas;
  • para o preparo dos alimentos, dê preferência às panelas de cerâmica, inox ou vidro. Outras opções como o teflon, o alumínio e o cobre podem liberar substâncias tóxicas na comida;
  • com relação aos copos, dê preferência àqueles de inox ou plástico (porém livres de bisfenol A).

Por onde começar?

Aqui no Brasil, o primeiro alimento a ser oferecido aos bebês é a fruta, principalmente pelo seu caráter adocicado. Então, na primeira semana da introdução alimentar, comece por aquelas mais pastosas e macias como manga, banana e ameixa, por exemplo.

Lembrete: até então, é importante oferecer apenas uma fruta por dia e não é preciso esperar 72 horas para mudar a opção. Ou seja: se o pequeno experimentou manga ontem, hoje pode ser o dia da banana, amanhã o da ameixa e assim por diante.

A segunda fruta do dia, no entanto, só deve ser oferecida na segunda semana da introdução alimentar e, já na terceira, podemos começar com as refeições principais.

Atenção: ofereça kiwi e morango somente após os 7 meses de idade do pequeno. Afinal, essas frutas têm alto potencial alergênico.

Como fazer um pratinho perfeito para o pequeno?

É importante montar pratos que tenham bastante variedade, incluindo opções de diferentes grupos alimentares. São os mais importantes:

  1. Cereais, pães e tubérculos: aqui, as opções são muitas. Podemos oferecer arroz, macarrão, batata, batata doce, batata baroa etc. No início, devemos amassar bem, mas, com o tempo, o ideal é fazer a transição para o alimento em pedaços.
  2. Hortaliças: são as verduras e os legumes. Lembre-se de higienizá-los BEM e cozinhar todos eles. No primeiro ano de vida não se oferece nada cru para a criança.
  3. Frutas: todas são permitidas e devemos variar o máximo possível. Aqui, não devemos nos esquecer do abacate, que é uma fruta que proporciona inúmeros benefícios.
  4. Leguminosas: feijão, ervilha, grão de bico e lentilha devem ser oferecidos de forma rotativa, pelo menos uma vez ao dia.
  5. Carnes, ovos e peixes: todos podem ser oferecidos, incluindo a carne de porco, sempre bem cozidos. Variar o tipo de proteína animal oferecido a cada dia é muito importante para que todos os nutrientes façam parte da dieta.
  6. Óleos e gorduras: prepare a comida no azeite ou óleo vegetal.

Com relação às quantidades, divida o prato em 3 partes iguais de: carboidratos, leguminosas e verduras.

Dicas extras:

  • evite a monotonia. Ofereça alimentos diferentes e combinações novas a cada dia. Assim, é possível manter o interesse do bebê naquilo que ele está comendo;
  • se o bebê for vegetariano, certifique-se de que ele receba suplementação de vitamina B12, D e ferro.
  • se o pequeno for diagnosticado com APLV (alergia à proteína do leite de vaca), inicie a introdução alimentar apenas quando os sintomas da alergia tiverem passado. Afinal, a adaptação do intestino à nova dieta pode vir acompanhada de gases, cólicas e constipação;
  • prefira as COMIDAS DE VERDADE (nada de processados e industrializados);
  • faça rodízios de leguminosas;
  • incentive a autonomia do bebê. Deixe que ele pegue o alimento com as mãos e escolha aquilo que quer comer. Isso é bom, inclusive, para que ele possa explorar as diferentes texturas, aromas e gostos daquilo que lhe foi oferecido;
  • bebês com síndrome de Down podem iniciar a introdução alimentar normalmente, desde que seus marcos de desenvolvimento sejam respeitados.

O que esperar do bebê durante a introdução alimentar?

O primeiro comportamento do bebê que pode “assustar” os pais é o reflexo que ele tem de empurrar os alimentos com a língua (GAG). Muitos acham, inclusive, que ele não está gostando daquela refeição.

Porém, esse ato só não é completamente normal como extremamente importante no começo da introdução alimentar. Ele acontece para evitar que o pequeno engasgue com alimentos sólidos porque, antes dos seis meses, ele ainda não está preparado para mastigar.

No mais, ele vai passando com o tempo, na medida em que o bebê se acostuma com a novidade. Aliás, enquanto ele passa por essa transição, é possível que somente algumas colherinhas sejam aceitas. Isso também é normal e faz parte desse aprendizado que é comer.

Falando em desconfortos, é bastante provável que o pequeno estranhe a cadeirinha de alimentação nos primeiros dias e chore um pouco quando colocado nela. Sendo assim, faça com que o momento seja agradável. Converse com ele, brinque um pouco e, principalmente, tenha paciência.

O que mais?

  • Lembre-se: a sujeira faz parte do processo. É por meio dela que o pequeno descobre e aproveita os alimentos;
  • durante o reflexo gag, é possível que a criança coloque o alimento para fora ou tussa. Desde que ela continue respirando e não fique arroxeada, não se preocupe com isso;
  • é normal que o pequeno tenha uma leve redução de apetite quando sua rotina é alterada, ou ainda quando está doente;
  • aos 11 meses, o apetite do bebê costuma reduzir um pouco;
  • brincar com a comida e jogá-la no chão faz parte do processo.

E por fim: o que NÃO fazer durante a introdução alimentar?

  • Nunca comece a introdução alimentar sem se consultar com o pediatra e tirar todas as suas dúvidas com ele sobre o assunto.
  • Evite: mel, leite de vaca, ovos pouco cozidos, gelatina, alimentos processados e industrializados, açúcar, sal e temperos fortes.
  • Não ofereça sucos e água de coco antes dos 12 meses de idade (para que a criança se acostume a comer a fruta in natura).
  • Não tente distrair o pequeno com as telinhas durante a refeição. Proporcione a ele, ao invés disso, um ambiente mais calmo e repleto de boas experiências.
  • Nunca force a comida ao pequeno. Se ele não quiser, aguarde a próxima refeição para tentar alimentá-lo novamente.
  • Evite bater demais os alimentos. É importante que o bebê tenha todo tipo de sensorial o possível para aprender a mastigar.

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