Pílulas em foco no primeiro plano enquanto um cachorro desfocado no fundo está deitado no chão

Dra. Adriana Bonfioli

A intoxicação medicamentosa de cães, gatos e outros animais domésticos ocorre pela falta de cuidado com o armazenamento de medicamentos e pelo mau uso destes nos pets.

O Brasil possui um dos maiores mercados consumidores de fármacos no mundo. Esse consumo crescente acompanha, também, hábitos perigosos.

A automedicação (uso de remédios sem prescrição médica), além do mau armazenamento destes remédios, são algumas das ações que podem não apenas reduzir os efeitos farmacológicos dessas drogas, como torná-las tóxicas para o organismo.

Esses hábitos, se não corrigidos, inevitavelmente atingem também nossos animais de estimação.

Medicamentos tóxicos para animais

Não importa como a intoxicação aconteça: medicamentos humanos, mesmo os prescritos para crianças, podem causar sérios problemas de saúde e até mesmo a morte de animais.

Isso acontece pelas diferenças entre os organismos. Em gatos, por exemplo, medicamentos demoram muito mais tempo para serem metabolizados em seus fígados do que em cães e seres humanos.

Os 10 medicamentos humanos que mais intoxicam animais são:

  1. anti-inflamatórios não esteróides (NSAIDS);
  2. paracetamol;
  3. antidepressivos;
  4. hormônios tireoideanos;
  5. benzodiazepínicos;
  6. albuterol;
  7. betabloqueadores;
  8. medicamentos para TDAH;
  9. inibidores de Enzima conversora de angiotensina;
  10. medicamentos contraceptivos.

Anti-inflamatórios não esteróides (NSAIDS)

Seu animal de estimação é extremamente sensível a esse tipo de medicamento, sendo que ele pode ficar bastante debilitado apenas com uma pequena dose.

Os sintomas da intoxicação incluem vômitos, aumento da sede, aumento da frequência urinária, fezes com sangue, instabilidade e convulsões. Úlceras no trato digestivo e danos ao fígado e aos rins são algumas das consequências de intoxicação.

Paracetamol

Também conhecido como acetaminofeno, é mais um antiinflamatório. Outras medicações, como a maior parte das preparações para tratamento de resfriados e sinusite, também contêm paracetamol.

Os sintomas da intoxicação por esse fármaco são letargia, dificuldade de respiração, urina escura, diarréia e vômito. Gatos são mais vulneráveis a essa intoxicação (apenas dois comprimidos podem ser fatais), além de que cães podem sofrer danos irreversíveis no fígado.

Antidepressivos

Se seu pet ingerir antidepressivos, os sintomas que ele pode sofrer são apatia, vômitos e, em alguns casos, uma condição conhecida como síndrome da serotonina.

Essa síndrome pode provocar desorientação, agitação, alta frequência cardíaca, pressão alta, tremores e convulsões.

Hormônios tireoideanos

Animais de estimação (especialmente cães) também podem ter hipotireoidismo. A dose de hormônio tireoidiano necessária para tratar cães é, contudo, muito maior que a dose humana. Ainda assim, se seu cão ingerir acidentalmente esses hormônios, isso raramente vai causar problemas.

Já no caso de seu gato, overdoses agudas desses medicamentos podem causar sintomas como tremores musculares, nervosismo, respiração ofegante, alta frequência cardíaca e agressividade.

Benzodiazepínicos

São medicamentos usados no tratamento de ansiedade e insônia. Em animais, eles podem causar o efeito contrário. Cerca de metade dos cães que fazem a ingestão de benzodiazepinas ficam agitados ao invés de sedados.

Além disso, esses fármacos podem causar letargia, descoordenação motora e uma baixa frequência respiratória. Em gatos, algumas formas dessa droga podem causar falência do fígado.

Albuterol

É um dos medicamentos usados para o tratamento de asma. A intoxicação do seu animal de estimação ocorre, geralmente, quando este fura um inalador -que contém esse fármaco- com seus dentes.

Os sintomas de envenenamento incluem vômito, frequência cardíaca muito alta e fadiga.

Betabloqueadores

Mesmo consumidos em pequenas quantidades, esses medicamentos usados para o tratamento de pressão alta podem causar sérios problemas em seu animal.

Superdosagens causam grande redução da frequência cardíaca e pressão arterial, sendo potencialmente fatais.

Medicamentos para TDAH

Essas anfetaminas são muito perigosas para os pets. Mesmo a ingestão de quantidades mínimas desses medicamentos podem causar sintomas sérios como tremores, convulsões, alta temperatura corporal e problemas do coração.

Inibidores de ACE

Os inibidores da enzima conversora de angiotensina são medicamentos comumente usados para o tratamento de pressão alta em pessoas e, às vezes, em animais. A superdosagem pode causar pressão baixa, tontura e fraqueza, porém, essa categoria de fármacos é considerada segura.

Medicamentos contraceptivos

Pílulas contraceptivas estão em pacotes que podem ser bastante tentadores aos cães. Felizmente, pequenas quantidades desses medicamentos, tipicamente, não causam problemas.

Porém, altas ingestões de estrogênio e estradiol podem causar supressão da medula óssea, especialmente em pássaros. Fêmeas não castradas têm um risco maior de efeitos colaterais pela intoxicação com estrogênio.

Precauções

Para evitar a intoxicação, algumas medidas são necessárias para garantir um ambiente saudável ao seu pet:

  • nunca deixe seus medicamentos ao alcance de seu(s) animal(is). Se estiverem em uma bolsa ou mochila, pendure-os em algum suporte alto. Evite também de guardá-los em compartimentos que seu bichinho possa confundir com brinquedos;
  • não guarde fármacos perto dos medicamentos prescritos ao seu animal. Isso aumenta o risco de você confundir as drogas e intoxicar seu pet quando for medicá-lo;
  • conheça as propriedades tóxicas e os possíveis efeitos adversos dos medicamentos que você e/ou seu animal usam.

É importante salientar que a automedicação pode trazer sérios riscos a você e ao seu pet. Mesmo a ingestão de ervas medicinais, vitaminas humanas e suplementos minerais podem envenenar seu animal.

A prescrição de medicamentos exige responsabilidade, estudo e experiência. Por isso, buscar um acompanhamento médico veterinário é a melhor maneira de tratar seu bichinho, garantindo a ele uma vida longa e saudável.

Texto adaptado de healthypets.mercola.com (Autora: Dr. Karen Shaw Becker)

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